O que o fim da escala 6×1 tem a ver com sustentabilidade e clima

Redução da jornada de trabalho se relaciona com qualidade de vida das pessoas e também com reduzir atividades que impactam o meio ambiente

Por Micael Olegário | ODS 10ODS 8
Publicada em 10 de março de 2026 - 09:45  -  Atualizada em 10 de março de 2026 - 09:47
Tempo de leitura: 5 min

Manifestantes pedem o fim da escala 6×1 durante o Grito dos Excluídos e Excluídas (Foto: Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil – 07/09/2025)

Um dos principais temas de discussão na atualidade é o fim da escala 6×1 no Brasil. Uma proposta de redução da jornada de trabalho está em tramitação na Câmara dos Deputados, trata-se da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 08/2025. Além da relação direta com justiça social, o tema também se relaciona com as discussões sobre sustentabilidade e clima.

Reduzir a escala de seis dias de trabalho e um de folga para outros modelos, sejam o 5×2 ou 4×3, implica em promover uma mudança cultural e socioeconômica. Essa proposta dialoga com a necessidade de um decrescimento demoeconômico, como alternativa para lidar com as mudanças climáticas e o impacto das atividades humanas no planeta.

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Sociólogo e especialista em demografia, José Eustáquio Alves defende que a redução de atividades econômicas pode contribuir para conter o déficit ecológico global. Em resumo, o fim da escala 6×1 pode ser um passo para um modelo de sociedade mais equilibrado e sustentável.

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“O fato é que a humanidade precisa mudar o estilo de vida e o padrão de produção e consumo para evitar a possibilidade, cada vez mais provável, de um colapso sistêmico global”, afirma José Eustáquio Alves, em texto sobre o decrescimento demoeconômico.

Fim da escala 6×1: Justiça social e climática

Existem diversos exemplos de movimentos e estudos que relacionam a luta por justiça social com temas como justiça climática. Isso porque as desigualdades do mundo do trabalho se relacionam com o modelo de exploração da natureza.

Trabalhadores e trabalhadoras que atuam na escala 6×1 ficam mais vulneráveis a extremos climáticos, como ondas de calor. Desse modo, reduzir a jornada de pessoas que atuam sobre estresse térmico ajuda a mitigar os impactos do clima na saúde pública. 

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Menos jornada de trabalho representa diminuir atividades poluidoras, por exemplo, dos meios de transporte utilizados no deslocamento urbano. Além disso, a discussão sobre o equilíbrio necessário entre o tempo destinado ao trabalho, em comparação com o tempo para atividades de lazer, abre caminho para rever ainda outras dimensões da vida em sociedade. 

Menos produção e mais justiça social, sem redução de salários, são horizontes práticos para demonstrar às pessoas maneiras de se relacionar com o meio ambiente de modo mais equilibrado e sustentável. O fim da escala 6×1 pode contribuir para romper com a visão da natureza como apenas uma fonte de recursos. 

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Micael Olegário

Jornalista formado pela Universidade Federal do Pampa (Unipampa). Gaúcho de Caibaté, no interior do Rio Grande do Sul. Mestrando em Comunicação na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Escreve sobre temas ligados a questões socioambientais, educação e acessibilidade.

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