Pela primeira vez, o Brasil sediará a Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Selvagens (COP15). O encontro será realizado em Campo Grande (MS), entre os dias 23 e 29 de março, tendo como tema central “Conectando a natureza para sustentar a vida”.
O objetivo principal da COP15 de Espécies Migratórias é discutir estratégias de conservação para animais silvestres que cruzam fronteiras internacionais terrestres, marinhas e aéreas. A escolha de Mato Grosso do Sul, estado que abriga três quartos do bioma Pantanal, está ligada ao fato do bioma ser chave para rotas migratórias nas Américas.
A proposta da reunião é semelhante ao que ocorreu na COP30 (Conferência das Partes sobre Mudança do Clima) realizada em Belém (PA), em novembro de 2025. Governos, cientistas, povos indígenas, comunidades tradicionais e sociedade civil discutem diferentes aspectos sobre a importância de defender a biodiversidade.
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“As espécies migratórias de animais silvestres desempenham um papel fundamental na conservação da biodiversidade, gerando benefícios ambientais e econômicos, como o fortalecimento do turismo sustentável e do setor de serviços”, afirma João Paulo Capobianco, presidente da COP15 e secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
A edição anterior da Conferência de Espécies Migratórias (CMS, na sigla em inglês) foi realizada no Uzbequistão. O Brasil é protagonista nas discussões, como o país mais biodiverso no mundo. Além disso, os biomas brasileiros são lar para várias espécies migratórias, como tubarões, arraias, morcegos, baleias e outros mamíferos marinhos.
Temas e funcionamento da COP15
Um dos temas chaves da COP15 no Brasil é a chamada conectividade ecológica, termo que faz referência às relações e ao movimento entre espécies de animais e plantas. A diversidade genética e a adaptação às mudanças climáticas dependem dessas relações entre as diferentes espécies.
De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), preservar a conectividade ecológica é essencial para salvaguarda e gestão de habitats e biodiversidade. O tema também possui ligação com funções ecossistêmicas, como migração, hidrologia, ciclagem de nutrientes, polinização, dispersão de sementes, segurança alimentar, resiliência climática e resistência a doenças.
Dados de relatório Estado das Espécies Migratórias do Mundo aponta que uma em cada cinco espécies migratórias de animais silvestres está ameaçada de extinção e 44% estão sofrendo reduções populacionais. A situação é especialmente preocupante no caso dos peixes, isso porque, quase todas (97%) as espécies incluídas na lista da CMS correm risco de extinção.
Assim como a Conferência do Clima prevê a definição das NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) por cada país, a COP15 da CMS conta com instrumentos de implementação. Neste caso, esses documentos são nomeados como NBASPs (Estratégias e Planos de Ação Nacionais para a Biodiversidade).
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