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Óleo na Baía de Guanabara atinge manguezais e mata animais

Vazamento de duto da Transpetro ainda está sob investigação, mas seus efeitos impactam mangues de Caxias e Magé


Manguezal atingido pelo vazamento de óleo da Transpetro (Foto IcmBio)
Manguezal atingido pelo vazamento de óleo da Transpetro (Foto ICMBio)

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) informou, na tarde desta segunda-feira, 10/12, que “centenas de hectares” de manguezais foram afetados pelo derramamento de petróleo de oleoduto da Transpetro, no sábado (dia 8). Conforme o #Colabora noticiou neste domingo, o vazamento vem sendo apontado pela subsidiária da Petrobras como decorrente de ação de quadrilha especializada em roubo de combustíveis. Desde 2017, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) recebeu ao menos seis denúncias de ações de furtos de combustíveis e derivados em dutos no entorno da Baía de Guanabara.

O óleo se acumulou nos dois lados do Rio Estrela. É um enorme impacto nos manguezais

Maurício Muniz
Chefe da APA de Guapi-Mirim

O incidente ocorreu no duto Osduc-1, que  liga o terminal de Cabiúnas, em Macaé, à refinaria Duque de Caxias. As unidades de conservação mais afetadas são a Área de Proteção Ambiental (APA) municipal do Rio Estrela e o Parque Municipal Barão de Mauá, ambas em Magé. Essas unidades foram criadas justamente para proteger remanescentes de mangues. Os manguezais são ecossistemas ricos, importantes para a vida marinha e a qualidade da água, além de serem berçários de diversas espécies, barreiras para a erosão e sequestrarem dióxido de carbono, amenizando o aquecimento global.

Denúncias apontam a morte de caranguejos e aves como resultado do vazamento (Foto ICMbio)
Denúncias apontam a morte de caranguejos e aves como resultado do vazamento (Foto ICMbio)

“A grande mancha na Guanabara desapareceu. Mas acabou se concentrando em toda a costa de Magé e Caxias. O óleo se acumulou nos dois lados do Rio Estrela. É um enorme impacto nos manguezais”, disse o chefe da APA de Guapi-Mirim. Maurício Muniz.

Muniz acrescentou que os manguezais afetados são “de difícil remediação” e que já há relatos de milhares de caranguejos e aves mortos.

Controvérsia na quantidade derramada

Uma controvérsia da tragédia está na quantidade derramada de óleo. O ICMBio diz que não aceita a informação repassada pela Transpetro: 60 mil litros de petróleo vazados. A mensuração só será efetivamente validada com uma perícia, que ainda deve ocorrer. Mais importante que o volume, pondera o Inea, é o impacto do contaminante no ecossistema.

O óleo se concentrou nas margens do Rio Estrela (Foto ICMBio)
O óleo se concentrou nas margens do Rio Estrela (Foto ICMBio)

O presidente do Inea, Marcus Lima, acrescentou que. por ora, não dá para afirmar com certeza qual foi a origem do vazamento.

“A perícia pode indicar se foi furto ou não. Um representante da Transpetro me disse que eles registraram ocorrência. Então a investigação policial vai dizer o que houve”, explicou Lima, acrescentando que para efeito de multa, “não importa a origem do acidente”, já que cabia à Transpetro tomar as medidas para garantir a integridade do ecossistema.

Em agosto de 2003, o mesmo oleoduto Osduc-1 já havia apresentado falha. Na ocasião, houve vazamento considerado de pequeno porte no distrito de Papucaia, em Cachoeiras de Macacu. A Petrobras informou, à época, que o vazamento havia ficado restrito à pequena área da zona agrícola, não havendo deslocamento para qualquer outro local.


Escrito por Emanuel Alencar

Emanuel Alencar

Jornalista formado em 2006 pela Universidade Federal Fluminense (UFF), trabalhou nos jornais O Fluminense, O Dia e O Globo, no qual ficou por oito anos cobrindo temas ligados ao meio ambiente. Atualmente, é editor de Conteúdo do Museu do Amanhã. Tem pós-graduação em Gestão Ambiental e cursa o mestrando em Engenharia Ambiental pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Apaixonado pela profissão, acredita que sempre haverá gente interessada em ouvir boas histórias.

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