Iniciativas brasileiras para financiar sustentabilidade

Laboratório internacional para financiamento climático seleciona dois fundos brasileiros para incentivar produção sustentável

Por Oscar Valporto | ods12 • Publicada em 4 de março de 2020 - 20:15 • Atualizada em 11 de março de 2020 - 16:51

Duas propostas de instrumentos financeiros sustentáveis do Brasil foram selecionadas pelo  Global Innovation Lab for Climate Finance (Lab),  iniciativa para identificar, desenvolve e lançar soluções que atraiam investimentos públicos e privados para ações de financiamento climático em países em desenvolvimento. O Conexsus Impact Fund (Fundo de Impacto Conexsus) é uma plataforma de negócios que desenvolve produtos financeiros adaptados a comunidades e empresas específicas; o fundo foi proposto pela Conexsus, rede de empreendedores sociais, com foco na Amazônia. O Sustainable Agriculture Finance Facility (Mecanismo de Financiamento da Agricultura Sustentável) – proposta da  Rede ILPF e do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS) –  tem como objetivo criar uma linha de crédito para pequenos e médios produtores rurais com certificação em agricultura sustentável.

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O Fundo Conexsus procura catalisar investimentos em empresas comunitárias associadas a cadeias de valor que melhoram o uso da terra, evitando o desmatamento e a pressão sobre os recursos naturais. Nosso objetivo é arrecadar US$ 40 milhões em quatro anos para alavancar US$ 1 bilhão em crédito rural disponibilizado tanto através de políticas públicas como o Pronaf (Programa Nacional de Agricultura Familiar) quanto de instituições privadas

Carina Pimenta
Diretora-Executiva do Conexsus

As propostas selecionadas – mais seis, além das duas brasileiras – vão receber a orientação de integrantes do Lab, além de acompanhamento e análise do desenvolvimento dos especialistas do Climate Policy Initiative (CPI), que gerencia o programa. “O Fundo Conexsus procura catalisar investimentos em empresas comunitárias associadas a cadeias de valor que melhoram o uso da terra, evitando o desmatamento e a pressão sobre os recursos naturais. Nosso objetivo é arrecadar US$ 40 milhões em quatro anos para alavancar US$ 1 bilhão em crédito rural disponibilizado tanto através de políticas públicas como o Pronaf (Programa Nacional de Agricultura Familiar) quanto de instituições privadas”, afirma Carina Pimenta, diretora-executiva da Conexsus.

Nascido em 2016, o Conexsus – Instituto Conexões Sustentáveis reúne empreendedores sociais e planejadores regionais que trabalham para melhorar o ecossistema de negócios sustentáveis no Brasil, especialmente na Amazônia: são mais de 40 associados, com escritórios em Belém, Brasília, Rio de Janeiro e Curitiba. “O que falta aos negócios comunitários de impacto na Amazônia e em todo o Brasil é financiamento e acesso ao mercado de consumo para os seus produtos sustentáveis e com potencial de comprovação de origem”, explica a diretora-executiva.

O Fundo Conexus financiou com R$ 1,5 milhão, conseguido através de doação, de 70 a 80 cooperativas, associações de produtores e pequenas empresas no ano passado. São três linhas de ação: a linha de crédito direta, a assessoria técnica e financeira para conseguir financiamentos existentes como o do Pronaf, e a recuperação de crédito para ajudar aqueles com dívidas. “Com o Lab, nós esperamos alavancar e dar escala a essas ações. A experiência do Lab nos ajudará a estruturar e alocar produtos e serviços com base neste trabalho anterior e nas parcerias com instituições financeiras”, acrescenta Carina Pimenta.

Nossa missão é desbloquear financiamentos que apoiem a expansão da agricultura sustentável nos trópicos, fornecendo certificação internacionalmente reconhecida de propriedades rurais, especialmente para pequenos e médios agricultores

Gracie Verde Selva
Gerente de Projetos do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade,

O Sustainable Agriculture Finance Facility tem como meta a adoção de tecnologias agrícolas sustentáveis no Brasil, criando uma linha de crédito para pequenos e médios agricultores com certificação em agricultura sustentável. A tecnologia comprovadamente aumenta os esforços de sustentabilidade e o rendimento das colheitas, mas exige grandes investimentos iniciais e assistência técnica qualificada. Como parte do processo de certificação e empréstimo, a iniciativa fornecerá assistência para aprimorar a adaptação da tecnologia e reduzir o risco de inadimplência, além de facilitar o acesso ao mercado para os participantes.

A Rede ILPF (Iintegração Lavoura-Pecuária-Floresta) é uma parceria público-privada formada pela Embrapa, a cooperativa Cocamar e seis empresas para o desenvolvimento sustentável da produção rural, com o objetivo de acelerar uma ampla adoção das tecnologias de (ILPF) por produtores rurais. “Nossa missão é desbloquear financiamentos que apoiem a expansão da agricultura sustentável nos trópicos, fornecendo certificação internacionalmente reconhecida de propriedades rurais, especialmente para pequenos e médios agricultores”, explica Gracie Verde Selva, gerente de projetos do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade, parceiro da Rede ILPF, no Mecanismo de Financiamento aprovado pelo Lab. 

 A expectativa é que o Lab ajude a captar recursos para a ampliação da oferta de crédito para produtores com práticas sustentáveis. “A implementação de práticas agrícolas sustentáveis é crucial para lidar com as mudanças climáticas e alimentar uma população crescente. A orientação dos especialistas do Lab será crucial para garantir um instrumento robusto e ágil que atenda às necessidades dos agricultores e garanta retornos para os investidores”, acrescenta Gracie Verde Selva, do IABS, que tem no Desenvolvimento Rural Sustentável  um de seus programas estratégicos.

Desde a sua criação em 2014, o Lab incubou 41 instrumentos financeiros que mobilizaram mais de US$ 2 bilhões em investimentos públicos e privados. Isso inclui US$ 370 milhões investidos por membros do Lab – do qual fazem parte mais de 60 instituições governamentais, de finanças para desenvolvimento, do setor privado e filantrópicas -, além de US$ 1,7 bilhão de outros investidores.

O programa do Lab no Brasil foi lançado em 2016. “Estamos confiantes de que as ideias escolhidas têm um potencial significativo para direcionar o investimento privado necessário às prioridades nacionais do clima no Brasil. Esperamos refinar e desenvolver essas ideias inovadoras em instrumentos transformadores de financiamento climático”, afirmou Barbara, diretora geral do Climate Policy Initiative e gestora do Global Innovation Lab for Climate Finance.

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Oscar Valporto

Oscar Valporto é carioca e jornalista – carioca de mar e bar, de samba e futebol; jornalista, desde 1981, no Jornal do Brasil, O Globo, O Dia, no Governo do Rio, no Viva Rio, no Comitê Olímpico Brasileiro. Está de volta ao Rio após oito anos no Correio* (Salvador, Bahia), onde foi editor executivo e editor-chefe. É criador da página no Facebook #RioéRua, onde publica crônicas sobre suas andanças pela cidade.

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