A bancada feminina na Câmara dos Deputados e no Senado Federal será a maior da história. Na Câmara, o número de mulheres eleitas passou de 90 para 109, um crescimento de 21%. Para o Senado, os brasileiros elegeram doze mulheres entre as 54 vagas em disputa – maior número desde a redemocratização. Em 2018, quando também foram renovados dois terços da Casa, oito mulheres foram eleitas. Com o resultado, o número de senadoras passará de 15 para 18.
Você pode ter mulheres eleitas representando visões econômicas que são prejudiciais pra grande maioria das mulheres. Por exemplo, você pode ter uma mulher eleita, como é o caso da senadora Bia Kicis, que votou contra a lei de igualdade salarial entre mulheres e homens
Apesar dos avanços, as mulheres seguem como minoria nas duas Casas Legislativas. Na Câmara, a bancada feminina vai representar 21% dos 513 deputados da próxima legislatura. A federação composta por PT, PCdoB e PV é a que elegeu a maior parcela de mulheres: 34 das 109 eleitas. A deputada mais votada da coligação foi a mineira Ana Elisa Santos Silva, de apenas 21 anos: mulher negra, professora, mãe solo e criadora de conteúdo digital com mais de dois milhões de seguidores, ela foi eleita com 524.216 votos pelo PT de Minas; em São Paulo, o PT também teve uma mulher como deputada mais votada, Luna Zarattini recebeu 233.733 votos.
O Psol será o único partido com uma bancada de 14 deputados dividida igualmente, com sete homens e sete mulheres, inclusive a mais votada do país para a Câmara. Erika Hilton, reeleita, teve mais de 1,5 milhão de votos por São Paulo, onde o partido elegeu outras quatro mulheres para a Câmara dos Deputados: Sâmia Bonfim (583 mil votos), Luciene Cavalcante (253 mil votos), Natália Boulos (114 mil votos) e a ex-ministra Sônia Guajajara (54 mil votos).
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Veja o que já enviamosJá a quantidade de senadoras a partir do ano que vem chegará a 22,2% das 81 cadeiras. As eleitas neste ano tomam posse em fevereiro, com mandatos até 2035. O Distrito Federal elegeu duas mulheres – a ex-primeira-dama Michele Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis se juntam a ex-ministra Damares Alves – e passa a ser a única unidade da Federação com três senadoras mulheres, todas ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O aumento na quantidade de parlamentares eleitas também não se traduz, necessariamente, em políticas voltadas para as mulheres, na avaliação da pesquisadora Flávia Biroli, professora de Ciência Política da Universidade de Brasília . “Você pode ter mulheres eleitas representando visões econômicas que são prejudiciais pra grande maioria das mulheres. Por exemplo, você pode ter uma mulher eleita, como é o caso da senadora Bia Kicis, que votou contra a lei de igualdade salarial entre mulheres e homens”, afirmou a cientista política à Agência Brasil, acrescentando que, à medida que o número de mulheres nos cargos eletivos aumenta, aumenta também a diversidade de pensamento dessas mulheres e algumas vão defender perspectivas patriarcais, não igualitárias.
A quantidade de mulheres negras eleitas também aumentou. Ao menos na Câmara dos Deputados. Um levantamento feito pela Organização Mulheres Negras Decidem contabilizou a eleição de ao menos 15 mulheres negras para deputadas federais em 2026 – aumento de 66,6% em relação a 2022, quando foram eleitas nove deputadas negras.
Coordenadora política da organização, a cientista política Tainah Pereira comemora o avanço. “É muito interessante perceber também que a imensa maioria dessas mulheres negras que estão hoje na Câmara e que se elegeram para a próxima legislatura são mulheres jovens”, destacou. “A gente vê uma renovação feminina e negra e acho que a gente pode ter boas expectativas em relação à atuação dessas lideranças que conseguiram chegar agora”.
Já no Senado, houve perda. Das 12 senadoras eleitas, nenhuma é negra. Eliziane Gama (PT), exerce atualmente o cargo de senadora pelo Maranhão. Ela é autodeclarada negra, mas não foi reeleita.
Outras duas candidatas negras também perderam a disputa. Mariana Silva (Rede) concorria a uma vaga por São Paulo. Ela já foi senadora pelo Acre por dois mandatos entre 1995 e 2011. A outra foi Benedita da Silva (PT), que concorria pelo Rio de Janeiro. Benedita foi a primeira mulher negra eleita a ocupar uma cadeira no Senado em 1998. Até hoje apenas quatro mulheres negras foram senadoras.
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