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No caminho eu explico

Um crônica sobre as muitas escolhas que transformam nossas vidas

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Eu vou – mas pode ficar, você aí. Vá depois, agorinha, daqui a pouco ou nunca, por lá ou por ali, acolá quem sabe, ninguém sabe. Dê meia-volta se for o caso, porque a vida tem dessas. Acelere se chegar a hora – ou não se afobe não, que nada é para já. Pelos caminhos, inevitavelmente passarão dor e sabor, tédio e conquista, paixão e desalento, susto e prazer. Junto com você.

Ao longo de toda a jornada, haverá sempre o outro lado, a rota não escolhida, a alternativa, a experiência que poderia ter sido. Nas incontáveis vezes em que o trajeto se duplica, um caminho se apresenta, para formar, no conjunto deles, uma trajetória. À espreita, o suspiro curioso do que seria a rota descartada. Outro caminho, outra vida, como saber?

As escolhas podem, sim, conduzir a um labirinto, que obriga a recomeçar a viagem. Quilometragem zerada, a experiência das jornadas anteriores influenciará o leme. Pista limpa. (Só cuidado com os quebra-molas, a pista escorregadia…)

A viagem será uma delícia. Será de barca, num banco perto da janela, a brisa do mar como convite à reflexão serena? Ou de trem? No ritmo preciso da vida nos trilhos, serpenteando nas franjas da montanha.

Mas nem os cenários mais incríveis evitam, vez ou outra, uma decepção. Não se importe, vamos em frente, cedo ou tarde, aparece um retorno, que se apresenta travestido de única saída.

As escolhas podem, sim, conduzir a um labirinto, que obriga a recomeçar a viagem. Quilometragem zerada, a experiência das jornadas anteriores influenciará o leme. Pista limpa. (Só cuidado com os quebra-molas, a pista escorregadia…)

Mas pra que a pressa? Eu não, prefiro apreciar a vista. De bermuda até Itacoatiara? Ou de casaco para Mauá, corredeira abaixo, montanha acima? Ou mergulhar de cabeça em apoteoses de alegria? No samba, na festa, na pelada, no encontro com os amigos, a família que, olha aí, escolhemos.

Vou daqui pra lá, e de lá pra cá, vou sorrindo, ensina o verso. O objetivo da felicidade não precisa estar no fim da jornada, o durante também conta – vale ouro! Pode ir que a gente se encontra lá na frente. Escolhi a serenidade como guia. Mas você pode fazer diferente. E não se aperte, porque sempre recomeça, continua, renasce, melhora. As escolhas têm o tamanho do mundo.

Partiu?

Escrito por Aydano André Motta

Aydano André Motta

Niteroiense, Aydano é jornalista desde 1986. Especializou-se na cobertura de Cidade, em veículos como “Jornal do Brasil”, “O Dia”, “O Globo”, “Veja” e “Istoé”. Foi comentarista do canal Sportv. Conquistou o Prêmio Esso de Melhor Contribuição à Imprensa em 2012. Pesquisador de carnaval, é autor de “Maravilhosa e soberana – Histórias da Beija-Flor” e “Onze mulheres incríveis do carnaval carioca”, da coleção Cadernos de Samba (Verso Brasil). Escreveu o roteiro do documentário “Mulatas! Um tufão nos quadris”.

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