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Pesquisadores usam líquido da castanha para matar larvas do aedes

Pesquisa da Universidade Federal da Grande Dourados ganha prêmio por desenvolver produto que serve como larvicida contra mosquito transmissor da dengue


Grupo de pesquisa da Universidade Federal da Grande Dourados: líquido à base de resíduos de casca da castanha para matar larvas do aedes (Foto: Divulgação)
Grupo de pesquisa da Universidade Federal da Grande Dourados: líquido à base de resíduos de casca da castanha para matar larvas do aedes (Foto: Divulgação)

Pesquisa desenvolvida por três laboratórios da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) desenvolveram novo produto à base do líquido da casca da castanha de caju que vem sendo testado com sucesso para matar as larvas do aedes aegypt, mosquito transmissor da dengue, da Zika, da Chikungunya e outras doenças tropicais. O larvicida também tem demonstrado impacto mínimo no meio ambiente e na saúde.

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O sucesso dos testes em laboratório é o primeiro passo para a transforamçaõ em um produto para o combate efetivo às larvas. “Nosso objetivo foi buscar um produto que é um resíduo de um produto brasileiro, produzido em alta escala, e transformá-lo num composto para o combate ao mosquito”, explicou Hélina dos Santos Nascimento, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental (PPGCTA) da UFGD, que vem desenvolvendo novos inseticidas a partir do trabalho inicial, no mestrado, de Márcia Ramos Jorge, no mesmo programa.

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Na UFGD, este trabalho é resultado dos esforços em pesquisa desenvolvidos em três laboratórios da instituição: Laboratório de Ecotoxicologia e Genotoxicidade (LECOGEN/FCBA), liderado pelos professores Alexeia Barufatti e Bruno do Amaral Crispim; Laboratório de Microbiologia Aplicada, liderado pela professora Kelly Mari de Pires Oliveira; e Laboratório de Biomoléculas, Moléculas Ativas e Polímeros (BIOMOL/FACET/FAEN), liderado pelos professores Eduardo José de Arruda e Silvia Maria Martelli.

O primeiro composto à base do líquido da casca da castanha de caju técnico (LCCt) teve bastante sucesso nos testes laboratoriais e, a partir dele, a equipe de pesquisa desenvolveu mais cinco variações com a mesma base sempre buscando melhorar a efetividade como larvicida – que chegou a 100% de morte das larvas do mosquito – mas também reduzir o impacto ambiental e na saúde. “Se a gente tem essa garantia de impacto menor, nós termos, em termos de segurança ambiental e humana, uma boa garantia de esse produto não afetar ou afetar de forma suave o meio ambiente”, afirmou o professor Eduardo José de Arruda em entrevista à TV Morena, de Mato Grosso do Sul.

Hélina Nascimento, doutoranda da UFGD: prêmio internacional (Foto: UFGD)
Hélina Nascimento, doutoranda da UFGD: prêmio internacional (Foto: UFGD)

A pesquisa já rendeu um prêmio internacional. O trabalho “Avaliação da segurança ambiental de um novo produto à base do líquido da casca da castanha de caju técnico (LCCt) para controle de Aedes aegypti”, desenvolvido pelo grupo de pesquisa da Universidade Federal da Grande Dourados foi premiado como o melhor trabalho de investigação científica no XI Congresso Latino Americano de Mutagênese, Carcinogênese e Teratogênese Ambiental (ALAMCTA), realizado em Assunção (Paraguai), em abril.

O objetivo do trabalho premiado foi – além de desenvolver o composto a base de resíduos industriais da casca da castanha de caju modificados, visando o controle populacional de larvas de Aedes aegypti – fazer a análise da seguridade ambiental em espécies que não fossem alvo do larvicida.

De acordo com a professora Alexeia Barufatti, o produto já mostrou sua eficácia em ensaios laboratoriais eliminando as larvas do mosquito, porém, nesta nova etapa da pesquisa, estão sendo desenvolvidas novas formulações visando a potencialização da atividade larvicida. Paralelamente às atividades laboratoriais, estão sendo solicitadas as patentes destas novas formulações que garantirão o efeito desejado do produto no ambiente, mas sem que estes afetem outros organismos.

27/100 A série #100diasdebalbúrdiafederal pretende mostrar, durante esse período, a importância  das instituições federais e de sua produção acadêmica para o desenvolvimento do Brasil.

 


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