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Nove perguntas sobre o surto de sarampo

Com 633 casos da doença confirmados em São Paulo e o Rio de Janeiro em estado de alerta, infectologista explica mais sobre a doença, que estava erradicada no Brasil em 2016


Campanha de vacinação contra sarampo em 2018: todas as pessoas até 29 anos precisam ter 2 dose da vacina (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A volta do sarampo ao Brasil trouxe também muitas dúvidas. Dos sintomas à prevenção ou às formas de transmissão, novas gerações pouco sabem sobre a doença, considerada erradicada em 2016. O Brasil perdeu o certificado de erradicação da doença concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) em fevereiro deste ano, depois de ter registrado mais de 10 mil casos em 2018. 

Só nos primeiros três meses deste ano, em comparação ao mesmo período no ano passado, de acordo com Organização Mundial da Saúde (OMS), os casos de sarampo aumentaram 300% no Brasil. O Estado do Rio entrou, nesta quinta-feira (1/08) em de alerta devido à proximidade com São Paulo, que lidera o ranking de infecções. Foram 633 casos neste ano, informou a Secretaria estadual de Saúde de São Paulo nesta semana. Desde 10 de junho, 799 mil pessoas entre 15 e 29 anos foram vacinadas. 

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Para responder às perguntas mais comuns sobre sarampo, o #Colabora ouviu a médica Maria Ângela Wanderley Rocha, do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

1 – O que é sarampo? Pode matar?

É uma doença viral, contagiosa, que pode causar pneumonia e outros problemas no sistema respiratório, podendo matar caso não seja tratado. 

2 – Sarampo deixa sequelas? 

Não. Só em casos muito graves e raros, quando afeta o cérebro, causando encefalite que é uma inflamação ou infecção no cérebro. 

3 – Quais os sintomas? 

O sarampo começa com febre, tosse irritativa que depois de uns três dias começa a ficar mais cheia, nariz e olhos vermelhos, muita coriza, manchas pelo corpo, moleza, sensação de mal-estar e falta de apetite. Parece uma gripe nos primeiros dias. 

4 – Como pode ser transmitido?

Via respiratória. É um vírus altamente contagioso que pode passar para outra pessoa de forma simples, só pela respiração. Por exemplo, se tem uma pessoa com sarampo e outra que nunca teve sarampo e não está vacinada, pode acontecer o contágio com facilidade. 

A cobertura vacinal de sarampo caiu no Brasil nos últimos anos, uma possível razão para o surto (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

 

5 – Por que a doença voltou ao Brasil? 

Uma das coisas mais importantes é manter a cobertura vacinal. Entre 2000 e 2017 a vacinação contra o sarampo resultou em uma queda de 80% no número de mortes no mundo. Com isso, o vírus deixou de circular tanto pelo Brasil, e a população começou a deixar de lado. Em outros países, outros lugares, essas vacinas também não são feitas regularmente. Então, sem cobertura, o sarampo voltou. Se aqui no Brasil a gente tivesse mantido nossa cobertura vacinal em dia, não haveria surto da doença, que como é de alta contagiosidade se prolifera facilmente.  

6 – Como prevenir? 

A melhor maneira, mais eficaz e mais segura, é a vacinação. Lógico que cuidados pessoais, higiene, observar sintomas, também pode prevenir. 

7 – Como tratar? 

Não há tratamento específico para o sarampo. É preciso controlar a febre, ter uma hidratação boa, prestar atenção no sistema respiratório para que não entre bactéria e a doença passe de viral para bacteriana, isto é, quando o corpo fica com o sistema imunológico sensível é mais fácil as bactérias se instalarem. Alimentar-se bem para aumentar o sistema imunológico e ficar em repouso também é uma dica. 

8 – Quem precisa se vacinar? E quem não precisa?  

Todo mundo precisa se vacinar. Crianças a partir de um ano já podem ter sua primeira dose. Todo mundo precisa ter, pelo menos, duas doses da vacina até 29 anos (A campanha de vacinação está voltada para jovens de 15 a 29 anos). Quem já teve sarampo desenvolve uma resistência à doença. No entanto, o Ministério da Saúde orienta a, em casos de surto, a pessoa se vacinar de novo. Quem faz quimioterapia, radioterapia ou  é portador de HIV tem que ser avaliado pelo médico antes de tomar a vacina. 

9 – Há grupos suscetíveis a doença? 

Sim. Crianças com menos de um ano, porque não podem tomar a vacina, idosos por terem o sistema imunológico mais fragilizado, pessoas com imunidade baixa e portadores de HIV.  


Escrito por Carolina Moura

Jornalista com interesse em Direitos Humanos, Segurança Pública e Cultura. Já passou pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Jornal O DIA e TV Bandeirantes. Como freelancer já colaborou com reportagens para Folha de São Paulo, Al Jazeera, Ponte Jornalismo, Agência Pública e The Intercept Brasil.

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