A movimentação trilionária – e crescente – da economia rosa

Centro de Nova York com bandeiras do arco-íris no Dia Internacional do Orgulho LGTB: poder de consumo do público LGBT+ no mundo passa de US$ 3,5 trilhões (foto: John Nacion/NurPhoto/AFP)

Rede especializada em financiar empresas LGBT+ e trans-inclusivas teve seus investimentos multiplicados por 10 em dois anos

Por José Eduardo Mendonça | ODS 10ODS 12 • Publicada em 21 de setembro de 2020 - 09:49 • Atualizada em 21 de setembro de 2020 - 14:21

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Centro de Nova York com bandeiras do arco-íris no Dia Internacional do Orgulho LGTB: poder de consumo do público LGBT+ no mundo passa de US$ 3,5 trilhões (foto: John Nacion/NurPhoto/AFP)

Um levantamento da assessoria corporativa LGBT Capital, feita em 2019, mostra que  o poder de consumo do público LGBT+, em 2018, girou em torno de US$ 3,6 trilhões no mundo. Somente no Brasil, estima-se que a movimentação tenha chegado próxima de US$ 107 bilhões. 

Embora os dados não sejam totalmente confiáveis, por se tratar de um segmento sobre o qual apenas recentemente passaram a ser  feitas  pesquisas, o potencial da chamada “economia rosa” (pink economy) fica cada vez mais visível. Afinal, membros da enorme comunidade chegam a 17 milhões de pessoas apenas no Brasil.

O mercado publicitário desconsidera parte da comunidade, como pobres, travestis e transexuais. Mas, no universo levantado em 2018, no caso dos números mundiais, o consumo total chega a US$ 3,6 trilhões. No Brasil seriam US$ 107 bilhões. Há discrepâncias. A empresa Our Leadership estima este número em US$ 133 bilhões,  algo próximo de 10% do PIB brasileiro.

O ambiente de startups e de espaços de trabalho compartilhados ficaram bastante conhecidos nos últimos anos como abertos e inovadores, um lugar ideal para projetos disruptivos e novos insights. Este ambiente é certamente mais disposto a abraçar temas diferentes e novas formas de trabalhar. Mas a verdade é que ninguém sabe exatamente como e, na pressa e na urgência, antigas práticas às vezes falam mais alto. De toda forma, existe muito menos tradicionalismo do que nas grandes empresas. 

No caso dos Estados Unidos, um número crescente de executivos, investidores e empreendedores está usando seu capital financeiro e conhecimento dos ambientes de trabalho para promover mais inclusão. Só lá, o gasto LGBT+ é de US$ 1,1 trilhão por ano. “O espaço de investimento está se expandindo”, diz Nicole Douillet, diretora da LGBT Loyalty, focada em serviços financeiros e que, no ano passado, criou  o Índice LGBT100, um ranking das maiores empresas do segmento. “As pessoas realmente se preocupam não apenas como lucrar mais. Estão começando a ver que o sucesso financeiro no caso também faz bem ao mundo”, afirma ela.

Parte destes negócios mostram uma tendência mais ampla de investimentos ambientais, sociais e de governança. Na Europa, EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, eles somaram US$ 30,7 trilhões em 2018. Ou um aumento de 30% em apenas dois anos , de acordo com a Global Sustainable Investment Alliance. 

Gaingels, uma rede de cerca de 700 investidores que financia empresas LGBT+ e trans-inclusivas, viu seus investimentos crescerem 10 vezes em apenas dois anos: de US$5 milhões em 2018 para cerca de US$ 50 milhões nos primeiros oito meses de 2020. Para o diretor-geral Lorenzo Thione, o investimento LGBT + não se trata apenas de gerar retornos econômicos sólidos, mas também de impactar os negócios e a sociedade em geral. “Se você criar um empoderamento econômico-financeiro que impulsione e flua para as pessoas que apoiam as causas da igualdade … você estará melhorando a vida de todas as outras pessoas LGBTQ”, disse.

Pesquisas sugerem que promover a igualdade no local de trabalho tende a melhorar o recrutamento e retenção, melhorar a percepção de consumidores e trazer mais lucros e produtividade. Tudo isso significa crescimento econômico. Um dos fiadores deste processo foi o presidente Barack Obama, que baixou um decreto proibindo a discriminação com base na orientação sexual e identidade de gênero para funcionários públicos federais.

Esta medida acabou encontrando recepção no setor privado. Segundo o índice da revista Fortune das 500 maiores empresas americanas. 91% delas tomaram a mesma atitude.

Consumidores em geral estão mais atentos, escolhendo comprar produtos de empresas com políticas inclusivas. Estas informações constam do trabalho da Human Rights Comission, que realiza nos EUA as paradas LGBT+.

José Eduardo Mendonça

É jornalista, com passagens por publicações como Exame, Gazeta Mercantil, Folha de São Paulo, e criador da revista Bizz e do suplemento Folha Informática. Vem nos últimos anos se dedicando aos temas ligados à sustentabilidade e foi pioneiro ao fazer, para o Jornal da Tarde, em 1976, uma série de matérias sobre energia limpa.

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