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Agrônomo ensina crianças no sertão da Bahia a valorizarem a natureza

Ricardo Garcia da Silva é educador do projeto Viveiros Escola, do Instituto Fábrica de Florestas, em Bom Jesus da Lapa, na Bahia

© by Gabriel Ghidalevich/Conspiração Filmes

Conteúdo de responsabilidade da marca

(Reportagem publicada originalmente no Coca-Cola Journey

No que depender do agrônomo Ricardo Garcia da Silva, o Rio São Francisco vai voltar aos seus dias de esplendor e glória ainda neste século XXI. Educador do projeto Viveiros Escola, do Instituto Fábrica de Florestas, em Bom Jesus da Lapa, na Bahia, Ricardo é um vencedor. Apaixonado pelo trabalho, ele é daqueles que transformam os limões ofertados pela vida em deliciosas limonadas. Sente só.

Aos 40 anos de idade, Ricardo define sua infância como “apertada e triste” — mas, ainda assim, consegue falar com carinho dos tempos de menino: “Minha irmã fazia suco de laranja do pé do nosso quintal e chá com ervas medicinais. Aqui todo mundo tem uma horta com ervas medicinais. É preciso passar por certas situações para dar valor às coisas. Às vezes não tínhamos almoço. Então, minha mãe dividia uma bolacha Aymoré conosco. À noite sempre tinha um leite com farinha que formava um mingau. Foi essa infância cheia de necessidades, porém, que me fez ser uma pessoa muito do bem”.

Clique para assistir aos outros episódios do webdocumentário “Terra Molhada”

Não só do bem, como empreendedor e obstinado. Aos 15 anos, Ricardo se muda para Machado, em Minas Gerais, para cursar a Escola Agrícola. E se depara, pela primeira vez, com a diversidade de tipos humanos e perfis de vida completamente diferentes dos que conhecia em Bom Jesus. “A escola foi uma grande lição de vida. Conheci gente mais velha, gente com pensamentos completamente diferentes dos meus”, diz. De lá para cá, o rapaz licenciou-se em Geografia com MBA em Gestão Ambiental, graduou-se em Agronomia e seguiu diversos outros cursos, sempre em busca de aperfeiçoamento em sua área profissional.

Nascente é um olho d’água de onde brota a vida. É vida que nasce nas profundezas. Em pleno século XXI, ainda encontramos gente carregando latas d’água na cabeça pela caatinga. Há de se ter um olhar crítico sobre isso, não romântico.

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Ricardo Garcia

Nativo de Bom Jesus da Lapa, onde vive e trabalha, o agrônomo valoriza profundamente a educação. “A educação transforma quando você a relaciona com o seu viver, com a realidade. Se eu der uma árvore ou uma semente para uma criança, ela vai cuidar, pois aprendeu que é importante”, acredita. Ricardo colocou sua expertise à disposição da educação ambiental das crianças de Bom Jesus. “Quando voltei para cá em 2013, já formado em Agronomia, soube que colegas meus viajaram pelo São Francisco para avaliar de que forma fazer um trabalho ligado à educação ambiental”, conta. “O Instituto Fábrica de Florestas criou os Viveiros Escola e eu vim trabalhar com as crianças do município”.

Agrônomo ensina crianças no sertão da Bahia a plantarem mudas de árvores e a valorizarem a natureza
Nativo de Bom Jesus da Lapa, onde vive e trabalha, o agrônomo Ricardo Garcia da Silva valoriza profundamente a educação. ‘A educação transforma quando você a relaciona com o seu viver, com a realidade’ (Foto: Gabriel Ghidalevich/Conspiração Filmes)

Só no ano passado, 4016 crianças passaram pelo projeto, aprendendo a plantar mudas de árvores e a valorizar a natureza. O futuro do São Francisco depende de uma postura menos extrativista e mais cuidadosa com o bioma. De acordo com Ricardo, não são necessários bilhões de reais para recuperar o rio, como vêm alardeando por aí, embora os dados sejam alarmantes: o Velho Chico já se afastou cerca de um quilômetro de suas margens. “Precisamos, sim, de ribeirinhos com carrinhos de mão retirando areia do rio e plantando árvores. Não precisamos mais de poesia, mas de atitude”, observa o educador.

Junto com o rio vão sumindo as nascentes: “Nascente é um olho d’água de onde brota a vida. É vida que nasce nas profundezas. Em pleno século XXI, ainda encontramos gente carregando latas d’água na cabeça pela caatinga. Há de se ter um olhar crítico sobre isso, não romântico. Nós, ribeirinhos, precisamos encarar a realidade, ou o que parece infinito hoje vai se tornar finito em muito breve”.

*Esta história faz parte de uma série sobre brasileiros que trabalham para preservar o bem mais valioso do planeta, a água. Todos são beneficiados por projetos apoiados pela Coca-Cola Brasil e também aparecem no documentário “Terra molhada”. Clique aqui para conhecer mais histórias.

COCA-COLA BRASIL

 

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Escrito por Jefferson Lessa

É jornalista formado pela PUC Rio e moldado pelas cidades que conheceu. No começo dos anos 1990, trabalhou na Revista Domingo, do Jornal do Brasil. Foi crítico de cinema e teatro em O Globo, onde escreveu por doze anos a coluna Pé-Limpo, sobre bares “arrumadinhos”, no caderno Rio Show. Trabalhou na revista Veja Rio e nos canais Telecine. É um ser essencialmente urbano. Carioca, ama a cidade onde nasceu, mas quando é preciso falar sério sobre o Rio não passa a mão na cabeça nem dá colher de chá.

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