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Como a cultura alimentar pode contribuir para um futuro melhor

Movimento ligado ao slow food, Ecogastronomia defende que o alimento deve ser bom, limpo e justo


O projeto Olhar Saudável busca promover a produção sustentável e saudável no Rio de Janeiro por meio da fotografia (Foto: Amanda Anjos / Divulgação)

Como aprendemos a comer? A pergunta parece simples, mas não é. Nossas preferências vêm da forma como nos relacionamos com a comida desde a infância. Nosso paladar é formado não somente daquilo que nos é servido pela família, mas também por tudo o que nos cerca no mundo atual: desde o lanche da amiga da escola, passando pelas propagandas coloridas e atraentes, por tudo o que está disponível nas prateleiras de supermercados e pelas sensações que os alimentos nos trazem.

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Para promovermos as práticas sustentáveis na produção alimentar, existe a necessidade de ampliarmos o debate sobre como nos alimentamos e refletirmos a respeito dos benefícios dos alimentos orgânicos e agroecológicos para a nossa saúde. Acredito que uma das melhores formas de tocar as pessoas é por meio da arte. E foi assim que nasceu a iniciativa ecogastronômica Olhar Saudável, com o objetivo de promover a produção sustentável e saudável no Rio de Janeiro por meio da fotografia e da valorização dos atores desta cadeia.

A primeira vez que ouvi falar em ecogastronomia foi para mudar de vez o rumo da minha profissão. Difundido pelo Slow Food – movimento iniciado na Itália nos anos 1980 – o conceito defende que o alimento deve ser bom, limpo e justo para todos nós. Em outras palavras: ‘bom’ remete ao prazer cultural de nos alimentarmos; ‘limpo’, significa que deve ser produzido com práticas sustentáveis, sem prejuízo a nossa saúde e ao meio-ambiente; e ‘justo’, reforça as relações comerciais baseadas na economia solidária, que prioriza a valorização do ser humano, tanto com remuneração adequada para quem produz, quanto com valor acessível ao bolso do consumidor consciente.

Chefs cozinham com produtos orgânicos em feira do Rio (Foto de Ana Carvalho / Divulgação)

E nesse caminho está o Circuito Carioca de Feiras Orgânicas, que reúne produtores orgânicos e agroecológicos espalhados por 22 feiras em todas as regiões da cidade. Além de oferecer alimentos mais saudáveis e livres de produtos químicos vendidos pelos próprios produtores, sem intermediação; as feiras também ajudam a difundir tradições alimentares e práticas sustentáveis, como a utilização de PANCs nas refeições (Plantas Alimentícias Não Convencionais,  os“matinhos” comestíveis altamente nutritivos, como a ora-pro-nóbis e a bertalha) e a transformação das sobras em compostos orgânicos.

É justamente essa relação da comida com o meio ambiente que sustenta o conceito da ecogastronomia, que precisa ser cada vez mais difundido para que haja mais conscientização alimentar na sociedade. Este ano, a iniciativa Olhar Saudável estará novamente presente nas feiras orgânicas para aquecer o debate sobre alimentação sustentável e saudável. O projeto Chefs na Feira vai levar exposições itinerantes de fotografias realizadas pelo Coletivo Olhar Saudável para movimentar as feiras com cultura e arte. Essa movimentação cultural nas feiras chama a atenção dos consumidores e proporciona troca de conhecimentos sobre os benefícios que os produtos orgânicos e agroecológicos trazem para a saúde.


Escrito por Carol Graciosa

Mestre em Educação Internacional e Intercultural, com especialização em Mudanças Globais e Futuros Sustentáveis, é produtora cultural dos projetos Olhar Saudável e Chefs na Feira, que promovem a ecogastronomia e valorizam o trabalho dos agricultores familiares de produtos orgânicos e agroecológicos.

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