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Entre textos e likes, fundamental mesmo é o cartão de crédito

Não importa o seu discurso, os algorítimos das redes sociais sabem exatamente o que você pensa e, principalmente, o que vai comprar


O que importa, na navegação na rede, é o cartão de crédito válido. Foto: Damien Meyer/AFP Photo
O que importa, na navegação na rede, é o cartão de crédito válido. Foto: Damien Meyer/AFP Photo

O grande negócio do Google e do Facebook é a publicidade direcionada. Não importa a sua ideologia, o seu discurso, se você é santo ou demônio, contanto que o seu cartão de crédito seja válido. As corporações, que acompanham a sua navegação pela rede, os seus gastos e até o que você conversa em casa, sabem exatamente o que vai pela sua cabeça e como você vai acabar gastando o seu dinheiro. Igual à sua mãe quando você era pequeno: olha o aviãozinho…e lá ia o que você não queria pra dentro da sua boca.

Postou o que você pensa nas redes? Escreveu aquele texto lacrador? Enquanto você conta likes e compartilhamentos, já pode escolher entre crédito ou débito. O Big Brother vai te mostrar os produtos que você realmente precisa

Postou o que você pensa nas redes? Escreveu aquele texto lacrador? Enquanto você conta likes e compartilhamentos, já pode escolher entre crédito ou débito. O Big Brother vai te mostrar os produtos que você realmente precisa

Chega desse absurdo! Essa situação não pode continuar assim! Onde está a nossa indignação? Vamos ficar sentados em frente à TV, esperando algo acontecer? Chega de preguiça, temos que ir pra rua! Vamos nos unir para acabar com isso”.

Aparecem anúncios de sofás, poltronas, disk pizza e home-theaters.

“Isso é consequência do nosso estilo de vida. O materialismo, a ganância e a vaidade estão acabando conosco. A vida aqui não tem  o menor sentido, somos almas perdidas nessa selva de concreto”.

Anúncios de pousadas relais & chateaux, cruzeiros no Caribe, antidepressivos.

“Os movimentos LGBTs estão acabando com a família brasileira. As pessoas de bem, tementes a Deus, precisam se organizar, pressionar o Governo e as autoridades para acabar com essa imoralidade e preservar os bons costumes”.

Anúncios de tochas, crucifixos, balas de prata e armários embutidos.

“O fundamental é a beleza interior. A obsessão pelo corpo, pelas formas, não leva a nada, temos que valorizar a nossa essência, é o que temos de mais bonito e importante”.

Anúncios de produtos de beleza, academias de ginástica, clinicas de cirurgia plástica e remédios para emagrecer.

“Enquanto vocês passam o dia hipnotizados por uma tela, eu vou curtir a natureza, o mar, a montanha, encontrar meus amigos para conversar olho no olho”.

Anúncios de ar condicionado, tablets, sites de pornografia, livros de autoajuda, remédios tarja preta.

“Quero a volta dos militares, só eles vão organizar essa bagunça em que o país está metido, essa pouca vergonha, essa roubalheira”.

Anúncios de cursos supletivos, alfabetização para adultos, clinicas psiquiátricas.


Escrito por Leo Aversa

Leo Aversa

Leo Aversa fotografa profissionalmente desde 1988, tendo ganho alguns prêmios e perdido vários outros. É formado em jornalismo pela ECO/UFRJ mas não faz ideia de onde guardou o diploma. Sua especialidade em fotografia é o retrato, onde pode exercer seu particular talento como domador de leões e encantador de serpentes, mas também gosta de fotografar viagens, especialmente lugares exóticos e perigosos como Somália, Coréia do Norte e Beto Carrero World. É tricolor, hipocondríaco e pai do Martín.

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