Queimadas levam emergência a 36 municípios do Amazonas e fecham escolas em Manaus

Avião de combate a incêndio florestal do Ibama sobre a cidade de Audazes: Amazonas tem 36 dos seus 62 municípios em estado de emergência (Foto: Rogério Cassimiro / MMA)
Avião de combate a incêndio florestal do Ibama sobre a cidade de Audazes: Amazonas tem 36 dos seus 62 municípios em estado de emergência (Foto: Rogério Cassimiro / MMA)
Avião de combate a incêndio florestal do Ibama sobre a cidade de Audazes: Amazonas tem 36 dos seus 62 municípios em estado de emergência (Foto: Rogério Cassimiro / MMA)

Coberta pela fumaça dos incêndios florestais, capital amazonense registra a pior qualidade do ar do Brasil pelo sétimo dia consecutivo

Por Oscar Valporto |

Publicado em 14/10/2026 - 15h36 (Atualizado há 20 minutos)

Tempo de leitura: 8 min

Com a fumaça das queimadas cobrindo boa parte do território, o Amazonas tem 36 dos seus 62 municípios em estado de emergência e, nesta quarta (14/10) pelo sétimo dia consecutivo, Manaus registrou a pior qualidade do ar do Brasil, segundo a plataforma internacional IQAir. A persistência da fumaça sobre Manaus reflete o aumento dos focos de incêndio no Amazonas. Nos primeiros 14 dias de outubro, o estado registrou cerca de 1,6 mil focos, um aumento superior a 270% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 473 registros.

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A fumaça vem também de estados vizinhos. Em 30 dias, a Amazônia teve 2,4 vezes mais focos de calor que no mesmo período de 2025: de 13 de setembro a 12 de outubro, a região registrou 15.449 focos, contra 6.507 um ano antes, e passou a responder por 53,1% dos focos do país. E o Pará concentra mais da metade (7.984); as condições climáticas, seca extrema e ventos, levam partículas de fuligem a viajarem centenas de quilômetros. Especialistas apontam que, além de municípios do próprio Amazonas, queimadas em áreas do Pará e Rondônia agravam a situação em Manaus.

O super El Niño de 2026 está intensificando a seca e alimentando a grave crise de incêndios no Norte do Brasil, ao alcançar um território cada vez mais quente e vulnerável aos extremos climáticos. O fenômeno, marcado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico onde estão sendo registrados recordes de temperaturas sob impacto da crise climática provocada pela atividade humana, deve provocar uma nova temporada de seca extrema na Amazônia, semelhante – ou ainda pior – a do El Niño 2023/2024.

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Diante do avanço das queimadas, uma força-tarefa federal, coordenada pelo Ibama e com o auxílio de órgãos estaduais, concentra ações em municípios como Autazes, Careiro da Várzea, Parintins e Itacoatiara, apontados como áreas críticas. No domingo (11/10), a crise ambiental no Amazonas levou os ministros do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, e da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, e o presidente do Ibama Jair Schmitt a fazerem um sobrevoo sobre áreas atingidas pelos incêndios florestais no estado. “É uma situação muito grave, mais grave do que eu imaginava antes de fazer o sobrevoo, porque identificamos muitos focos de incêndio no meio da floresta preservada”, disse o ministro.

Desde segunda-feira, estão mobilizadas 11 aeronaves, entre aviões de combate ao fogo, helicópteros e aeronaves de apoio logístico, para reforçar o combate às queimadas. O Ibama informou que havia extinguido 292 incêndios no Amazonas entre junho e outubro e que suas equipes continuavam combatendo outros oito focos ativos ainda na terça (13/10). Capobianco destacou que há focos de incêndio surgindo dentro da floresta, em áreas intactas e de acesso difícil. “Esse é o problema grave, porque indica claramente que são incêndios criminosos com o objetivo de degradar a floresta e posteriormente buscar a derrubada na sequência”, afirmou.

Ainda na terça-feira, a juíza Mara Elisa Andrade, da 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária do Amazonas, cobrou explicações da União, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e dos governos do Amazonas e do Pará sobre as medidas adotadas para combater queimadas e incêndios florestais, “É preciso entender se houve ou não articulação interfederativa e interinstitucional, recusa de ajudas, omissão da execução orçamentária, ou qualquer outra circunstância que possa qualificar-se como omissão deliberada ou insuficiência de ações”, escreveu a juíza na decisão a juíza no âmbito de uma ação popular apontando falhas na atuação dos órgãos públicos durante a estiagem em curso na Amazônia.

Fumaça cobre Manaus no feriado: pior qualidade do ar do Brasil e escolas fechadas (Foto: Alberto César Araújo / Amazônia Real - 12/10/2026)
Fumaça cobre Manaus no feriado: pior qualidade do ar do Brasil e escolas fechadas (Foto: Alberto César Araújo / Amazônia Real – 12/10/2026)

Manaus coberta de fumaça – de novo

Praticamente desde o começo do mês, a capital do Amazonas vem amanhecendo coberta pela fumaça das queimadas. A emergência ambiental levou à suspensão das aulas na rede municipal de ensino de Manaus, em unidades da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e no campus do Instituto Federal do Amazonas (Ifam) desde o feriado. Foi o sétimo dia consecutivo em que a capital registra a pior qualidade do ar do Brasil: a plataforma IQAir informou que, por volta das 8h, o índice chegou a 132, classificado como “não saudável para grupos sensíveis”. Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), também apontaram índices de qualidade do ar entre as categorias “ruim” e “péssimo”.

De acordo com a Prefeitura de Manaus, as aulas estão suspensas para “proteger a saúde” de estudantes e profissionais da educação. O principal perigo da fumaça está nas partículas finas de poluição, capazes de penetrar profundamente nos pulmões e alcançar os alvéolos pulmonares. A exposição provoca irritação e inflamação das vias respiratórias, tosse, falta de ar e agravamento de doenças como asma e doença pulmonar obstrutiva crônica.

A poluição também pode desencadear respostas inflamatórias e alterações na circulação sanguínea, aumentando os riscos cardiovasculares. “Os cardiopatas também podem ter intensificação de seus sintomas, inclusive os coronariopatas, podem evoluir com quadro de angina devido a presença de monóxido de carbono na fumaça”, destacou o o pneumologista Mário Sérgio Fonseca, do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), em entrevista à Amazônia Real. Crianças e idosos estão entre os grupos mais impactados pela exposição contínua à fumaça tóxica, associada também a doenças como inflamação pulmonar, tuberculose, rinite, sinusite alérgica e bronquite.

Estudo – publicado na revista Nature Communications com a análise de mais de dois milhões de internações no Brasil entre 2008 e 2018 – estimou que ondas de incêndios florestais estão associadas a um aumento de 23% nas internações por doenças respiratórias e de 21% nas internações por doenças circulatórias, pressionando os serviços de saúde.

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Oscar Valporto

Oscar Valporto é carioca e jornalista – carioca de mar e bar, de samba e futebol; jornalista, desde 1981, no Jornal do Brasil, O Globo, O Dia, no Governo do Rio, no Viva Rio, no Comitê Olímpico Brasileiro. Voltou ao Rio, em 2016, após oito anos no Correio* (Salvador, Bahia), onde foi editor executivo e editor-chefe. Contribui com o #Colabora desde sua fundação e, desde 2019, é um dos editores do site onde também pública as crônicas #RioéRua, sobre suas andanças pela cidade

Oscar Valporto

Oscar Valporto é carioca e jornalista – carioca de mar e bar, de samba e futebol; jornalista, desde 1981, no Jornal do Brasil, O Globo, O Dia, no Governo do Rio, no Viva Rio, no Comitê Olímpico Brasileiro. Voltou ao Rio, em 2016, após oito anos no Correio* (Salvador, Bahia), onde foi editor executivo e editor-chefe. Contribui com o #Colabora desde sua fundação e, desde 2019, é um dos editores do site onde também pública as crônicas #RioéRua, sobre suas andanças pela cidade

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