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E agora, Acordo de Paris?

Apesar do ceticismo provocado pela vitória de Trump, interesses econômicos podem superar imobilismo dos países na COP22

COP22. Foto de Joel Saget/ AFP
Apesar do ceticismo que ronda a COP22, interesses econômicos empurram o mundo para uma economia de baixo carbono. Foto de Joel Saget/ AFP

Na segunda semana da 22ª Conferência das Partes, COP22, em Marrakesh, Marrocos, as expectativas quanto ao sucesso do Acordo de Paris, recém ratificado por mais de 55% dos países da Convenção do Clima, variam bastante. Ambientalistas muito pessimistas, delegações dos países disfarçando o desconforto gerado pela insegurança quanto ao futuro das negociações e participantes do setor privado indiferentes à nova variável “Trump” a ser  considerada no encontro. A única coisa certa foi que o otimismo do início da conferência desapareceu com a vitória de Donald Trump.

Pessoalmente, não creio que haja espaço para um retrocesso total, mas dado que os Estados Unidos são um país fundamental para o sucesso do Acordo, seu posicionamento poderá dificultar bastante o processo a partir de agora, mesmo que não volte atrás em sua ratificação.

Pessoalmente, não creio que haja espaço para um retrocesso total, mas dado que os Estados Unidos são um país fundamental para o sucesso do Acordo, seu posicionamento poderá dificultar bastante o processo a partir de agora, mesmo que não volte atrás em sua ratificação

O momento em que estamos é o de estabelecimento de regras, procedimentos e instrumentos necessários para a implementação do mesmo. Até sua entrada em vigor, prevista para 2020, todas estas definições estão ainda em aberto, sobretudo os mecanismos financeiros e reparação de perdas e danos dos países mais vulneráveis. O acordo é recém nascido e as delegações dos países signatários são responsáveis por fazê-lo caminhar.

Interesses paralelos

Também é importante lembrar que existem outros interesses econômicos – destacando a China – que deverão pressionar para fazer o Acordo de Paris avançar. Os chineses são os mais interessados no mercado de energia renovável, sendo os líderes na área de energia solar fotovoltaica e energia eólica.

Mas não são só eles. O Banco Europeu movimentou em 2015 cerca de 3 bilhões de euros em segmentos de economia verde, o que representa cerca de 35% do total de investimentos no ano. Foram 19,5 milhões de euros o total dos investimentos nesta área desde 2006. Sendo a maior parte, 28%, para eficiência energética, seguida de 25% para a área de produção de energia limpa.

Dados da Agência Internacional de Energia também mostram o alcance de políticas de eficiência energética na redução dos custos de equipamentos mais eficientes. No caso de lâmpadas LED, os preços tiveram uma enorme queda, de 70 dólares em 2010 para menos de 10 dólares em 2016. Os custos de geração de energia elétrica também apresentam redução significativa. Geração de energia eólica “on shore”, em 2011, era de 100 USD/MWh ( dólar de 2015), geração “off shore”, 160 USD/MWh e solar fotovoltaica, 360 USD/MWh. Já para 2021, estes custos devem passar para 50 USD/MWh, 130 USD/MWh e 80 USD/MWh respectivamente, sendo que a solar é a que representa a maior redução por conta do esperado ganho de escala.

Ou seja, independentemente do clima, do aquecimento global, dos céticos e dos ambientalistas, existe muito interesse econômico em jogo empurrando para um mundo de baixo carbono. No entanto, em termos de negociação internacional, ainda resta uma grande dúvida de como evoluirá o Acordo de Paris.

 

Escrito por Suzana Kahn

Suzana Kahn

Engenheira mecânica com doutorado em engenharia de produção. Professora da COPPE/UFRJ, presidente do Comitê Científico do Painel Brasileiro de Mudança Climática e coordenadora do Fundo Verde da UFRJ.

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Um Comentário

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  1. A notícia sustenta a esperança de que o acordo avance, apesar do ceticismo dos governos com as imponderáveis consequências da eleição americana. UFA! A melhor notícia é ser informado sobre os efeitos positivos dos interesses comerciais com a economia de baixo carbono, quase um fato inesperado pelo papel determinante dos mesmos na crise vigente.

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