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‘Beijar na boca era visto como prostituição’, diz bissexual sobre igreja

Estudante Larissa Rios viu-se excluída das atividades que participava na igreja e foi ameaçada quando o pai descobriu que ela tinha uma namorada.


“Sou uma resistência política, saindo da Baixada para o mundo”. É assim que se define a estudante de Jornalismo Larissa Rios, que enfrentou os paradigmas de sua criação evangélica ao se assumir bissexual. Quando criança, ela gostava de ir à igreja para participar dos grupos de dança. Seus dilemas começaram com a descoberta de sua bissexualidade, feminismo e militância negra. Viu-se excluída das atividades que participava na igreja, onde era nítida a repressão à sexualidade em geral. “O sexo é um mito. Beijar na boca era visto como prostituição antes do namoro”, afirma Larissa no segundo episódio da série “LGBTs: Fora do Culto”.

Clique para assistir a todos os episódios de “LGBTs: Fora do Culto” aqui

Demora muito tempo para você se aceitar, para você entender que o que você é não é errado

Larissa Rios
Estudante

A pena era maior quando o assunto era a homossexualidade. Ela lembra que um amigo gay era constantemente corrigido no “famoso gabinete”, uma sala onde os pastores e líderes impunham as interpretações bíblicas. “É errado, é errado e é errado.” Sobre a cura gay, a estudante não exita: “Chacota”.

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Larissa conta que, por causa da religião, tentava abstrair os primeiros desejos por outras mulheres. Interpretava como Satanás plantando coisas em sua mente e preferia acreditar que era uma nuance de suas amizades. “Demora muito tempo para você se aceitar, para você entender que o que você é não é errado.”

'Beijar na boca era visto como prostituição', diz bissexual sobre igreja
A estudante de Jornalismo Larissa Rios enfrentou os paradigmas de sua criação evangélica ao se assumir bissexual (Foto: Yuri Fernandes)

A jovem foi ameaçada quando o pai descobriu que ela tinha uma namorada: “Eu vou te bater se você fizer a sua mãe chorar de novo”, diz ela relembrando a frase usada por ele. A mãe quase a expulsou de casa e chegou a pagar uma pessoa para hackear suas redes sociais. Julia, sua ex-namorada, era vista como um demônio usado para enganá-la.

Hoje, a militante acredita em uma força superior, mas foge do cristianismo e está conhecendo melhor as religiões de matriz africana. “Estou estudando e conhecendo sobre os Orixás, minha ancestralidade”, conta. 


Escrito por Alceu Júnior

Estudante de Jornalismo da Escola de Comunicação da UFRJ, nascido na Zona Leste de São Paulo. Tem interesse por cinema documental e infinita admiração pelas mídias independentes.

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