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Educação e inclusão social ao ar livre

Outward Bound Brasil


Curso de Fundamentos em Educação ao ar livre
Alunos no Curso de Fundamentos em Educação ao ar livre

Escalar montanhas. Fazer trilha. Acampar. Selvagem demais para quem vive na cidade? Pois saiba que experiências como essas têm transformado a vida de jovens e adultos no mundo inteiro. A chamada educação experiencial ao ar livre é o ponto de partida da Outward Bound, ONG internacional que está no Brasil desde os anos 2000. A proposta do projeto é gerar inclusão social e desenvolvimento pessoal levando grupos de pessoas para o meio do mato.

“As pessoas acham que acampar é passar perrengue, fome e frio. Mas não precisa ser assim”, garante Andreas G. Martin, diretor-executivo da Outward Bound Brasil. “Nós criamos um ambiente seguro de aprendizagem, então mesmo que você tenha passado o dia todo caminhando na chuva, vai dormir seco e quente. É só usar as nossas técnicas para embalar a roupa e o saco de dormir.” O objetivo das expedições é mostrar que cada um é capaz de superar os mais diversos desafios, desde que acredite em seu próprio potencial.

Por ser nosso habitat original, a natureza é perfeita para o desenvolvimento e crescimento pessoal. “No ambiente natural o corpo relaxa e o organismo fica em equilíbrio. Isso acelera os processos de aprendizado”, explica Andreas, que também é biólogo. Uma pesquisa feita pela ONG em parceria com psicólogos nos Estados Unidos mostrou que a capacidade de resolver problemas aumenta em 50% depois de quatro dias em ambiente natural sem acesso a aparelhos eletrônicos,  como o celular.

Oportunidades da natureza

Desafio OBB
Expedição ao ar livre mistura jovens das classes A, B e C

Bruno tinha acabado de sair da Fundação Casa, antiga Febem, quando ouviu falar de um curso de aventura. “Eu participava de um projeto social e me convidaram para a palestra da Outward Bound. Sempre fui ligado a questões de meio ambiente, então quando mostraram imagens de cachoeiras, pessoas descendo na tirolesa, fazendo trilhas, achei muito bacana. E muito distante da nossa realidade”, lembra. “A maioria da galera não estava muito aí, então uma hora eu levantei e falei: isso é animal, é uma oportunidade incrível e eu quero participar”.

O final de semana em Ilha Bela, litoral sul de São Paulo, foi o começo de uma nova vida. A convite do Projeto Sonhar, ele participou do programa Azimute, um dos projetos sociais da OBB, e de outros programas até ser chamado para estagiar na ONG. Hoje, Bruno é empreendedor social e mais conhecido como Bruno CaPão. Ao lado do irmão, José Carlos, ele é o fundador do Ateliê Sustenta CaPão, uma padaria comunitária na região do Capão Redondo que ensina gastronomia, empreendedorismo e cidadania para jovens da periferia de São Paulo.

“Eu não seria a pessoa que sou hoje se não tivesse participado dos cursos. É um jeito de canalizar nossos anseios, aquela coisa do jovem de querer arrumar um trabalho, toda a pressão social”, explica Bruno. Ele acredita que a grande sacada do projeto é mostrar como viver com os recursos disponíveis, seja na selva ou na cidade. “As vivências instrumentalizam os jovens a lidar com uma entrevista de emprego, resolver conflito na família, desenvolver senso de liderança. É um contexto de ‘se vira’. Tá chovendo e você não tem guarda-chuva. Como minimizar os riscos de forma criativa, usando a natureza a seu favor? Tudo o que a gente precisa saber tá ao nosso redor, é só saber escutar.”

Quebrando barreiras

Desafio OBB
Entre caminhada na mata e atividades ao ar livre, as viagens por durar até 45 dias

As estrutura dos cursos é baseada na metodologia da aprendizagem experiencial e em seus quatro estágios: agir, refletir, conceitualizar e aplicar. As expedições podem durar até 45 dias, e são feitas em grupos de até 15 pessoas. Enquanto caminham pela mata e fazem atividades ao ar livre, os participantes encaram e superam desafios, aprendem a lidar com as limitações e diferenças (suas e do outro) e exercitam o trabalho em equipe.

Uma das dinâmicas propostas ao longo das atividades é a roda da mochila, em que cada um levanta a mochila do outro. “É interessante ver a relação de quem mais reclama do peso e entender o que cada um está carregando. Quando as pessoas pegam a mochila dos instrutores, por exemplo, percebem que a sua
não está tão pesada quando pensava.”

A ONG tem quatro tipos de atuação: cursos abertos ao público, atividades em escolas e universidades, treinamentos corporativos e projetos sociais, que são programas e bolsas em cursos. “As três primeiras pernas garantem o superávit operacional que vai para os projetos sociais”, explica Andreas. Ou seja, quem paga por um curso está automaticamente fazendo um investimento social. Alguns projetos recebem financiamento específicos de empresas. No caso do Borboleta Azul, voltado para a inclusão de jovens com deficiência intelectual no mercado de trabalho, foi feita uma parceria com a APAE.

Existe ainda um outro modelo de expedição, o Desafio OBB, que junta jovens da classe A, B, C e D. “Quando essa garotada se encontra, percebe que tem muito em comum. As diferenças sociais são desconstruídas, de um lado e de outro”, diz Andreas. Essa é a principal missão da ONG: derrubar barreiras. “O criador da OBB, Kurt Hahn, acreditava que grande parte das nossas barreiras são internas e artificiais. Somos mais iguais do que diferentes, e nossa capacidade depende do autoconhecimento e da autoconfiança.”

Ficha

Área de atuação Educação / Meio ambiente

Nº de funcionários com carteira assinada ou autônomos 10

Orçamento anual R$ 930.000,00

Percentual doado pelo maior patrocinador 64%

Existe formalmente há mais de 5 anos? Sim

Possui alguma atuação que busque influenciar as políticas públicas? Não

Publica prestação de contas periodicamente no site? Sim

Site www.obb.org.br

Fonte: INSTITUTO PHI

* Este material foi criado automaticamente através da ferramenta Banco de Organizações do Instituto Phi e é exclusivamente baseado nas informações enviadas pela organização cadastrada. O Instituto Phi não provê, através da criação deste material, nenhum tipo de certificação ou recomendação da organização cadastrada, nem mesmo da veracidade das informações aqui dispostas.


Escrito por Fernanda Carpegiani

Jornalista freelancer e co-fundadora do Formiga.me, um site de conteúdo sobre iniciativas independentes que transformam espaços públicos de cidades do mundo inteiro. Recebeu o Prêmio Editora Globo de Jornalismo 2013 na categoria Brasil com a reportagem “Infância às margens do São Francisco”, publicada na revista Crescer. Trabalhou em redações da Editora Segmento, do portal iG e da Editora Globo.

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