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Oscar nem tão branco: Hollywood se redimiu?

Premiação tem 'recorde de diversidade', mas indústria do cinema persiste priorizando homens brancos


Mahershala Ali, de "Moonlight": ele foi indicado a melhor ator coadjuvante
Mahershala Ali, de “Moonlight”: ele foi indicado a melhor ator coadjuvante

O Oscar 2017 não está tão branco quanto aquele que passou. Depois da divulgação dos indicados nesta terça-feira (24/01), a premiação já ganhou o título de “recordista de diversidade”. Três produções com temática afro-americana estão na briga pela estatueta de Melhor Filme: “Moonlight: sob a luz do luar” (Moonlight), “Cercas” (Fences) e “Estrelas além do tempo” (Hidden Figures). Pelo menos dez atores e diretores negros foram lembrados em diferentes categorias, de superestrelas como Denzel Washington e Viola Davis, a nomes menos conhecidos por aqui, como a atriz Ruth Negga e o jovem diretor Barry Jenkins. Hora de comemorar? Sim, mas nem tanto.

Para começar, a Academia de Artes e Ciências não poderia mesmo ter repetido o vexame do ano anterior, em que negros foram banidos, numa edição que ficou conhecida como “Oscar so White”. A repercussão foi tão terrível que ameaçou o reinado de “maior festa do cinema”.

E o execrado 2016 teve lá seus pontos positivos. Um deles foi a leva de ótimas produções com negros em posição de destaque, como Gil Robertson, presidente da African American Cristics Association, destacou recentemente: “Foi um ano excepcional para os negros nos filmes. De comédias a dramas de alta qualidade e documentários, 2016 vai sempre representar um ano de bonança para o cinema negro, e para todo o cinema”.

Denzel e Viola em "Cercas": ambos foram indicados ao Oscar 2017 (Foto de divulgação)
Denzel e Viola em “Cercas”: ambos foram indicados ao Oscar 2017 (Foto de divulgação)

Para Mahershala Ali, indicado a Ator Coadjuvante por “Moonlight”, o importante é o bom trabalho feito: “Eu espero que não tenha sido indicado por ser negro. Isso não tem relevância. Espero que tenha sido indicado por meu trabalho”, destacou ao “Hollywood Reporter”.

Então é hora de comemorar mesmo, certo? Sim, mas… Não vamos nem falar da ausência de diretoras entre as indicadas. Isso fica para outra hora. A questão é: o número de indicações representa, de fato, uma redenção de Hollywood? Ou seria apenas uma reação ao mal-estar provocado pelo erro da Academia no ano anterior? Números recentes mostram que a indústria de filmes norte-americana ainda é quase tão branca quanto o Oscar 2016. Uma pesquisa da Universidade do Sul da Califórnia levantou que, em 2014, 73% dos papéis em filmes foram para brancos, contra 13% para negros.

O relatório anual sobre diversidade em Hollywood, do Bunche Center, da Universidade da Califórnia (UCLA), revela números parecidos, apesar de os negros serem mais de 40% da população nos Estados Unidos. Os autores concluíram que, ainda que a presença de afro-americanos melhore a performance nas bilheterias, a discrepância ainda é enorme em decorrência de os homens brancos americanos estarem no poder nos grandes estúdios. A pesquisa avalia que, se não houver uma mudança, a indústria do entretenimento não seguirá sustentável. Ou seja: diversidade é um bom negócio.

Confira a presença negra nas principais categorias do Oscar:

Melhor Filme: “Moonlight: sob a luz do luar” (Moonlight), “Cercas” (Fences) e “Estrelas além do tempo” (Hidden Figures)

Melhor Diretor: Barry Jenkins, por  “Moonlight: sob a luz do luar”

Melhor atriz: Ruth Negga, por “Loving”

Melhor ator: Denzel Washington, por “Cercas”

Melhor atriz coadjuvante: Viola Davis, por “Cercas”; Naomie Harris, por “Moonlight: Sob a Luz do Luar”;  Octavia Spencer, por “Estrelas Além do Tempo”

Melhor ator coadjuvante: Mahershala Ali, por “Moonlight: sob a luz do luar”

Melhor documentário: “I Am not Your Negro”, de Ava DuVernay; “OJ: Made in America”, de Ezra Edelman

Melhor roteiro adaptado: “Moonlight: sob a luz do luar” (Barry Jenkins e Tarell Alvin McCraney) e “Cercas” (August Wilson)


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