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De madeireiro a protetor da floresta amazônica

Roberto Brito passou 21 anos desmatando, mas, em 2009 o morador da comunidade Tumbira, no Amazonas, resolveu abandonar a atividade e hoje é líder comunitário

© by Gabriel Ghidalevich/Conspiração Filmes

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(Reportagem publicada originalmente no Coca-Cola Journey

Há nove anos, a vida de Roberto Brito de Mendonça passou por uma reviravolta. Foi em 2009 que o então madeireiro, hoje com 42 anos e morador da comunidade Tumbira, à beira do Rio Negro, no Amazonas, resolveu abandonar a atividade que alimentou três gerações de sua família. O motivo? Roberto percebeu que uma imensa engrenagem estava promovendo o aquecimento global — e que ele era um dos vilões dessa história. Ele também entendeu que o desmatamento trazia mudanças climáticas que afetavam a qualidade de vida de sua gente.

Hoje, Roberto é líder comunitário e luta pela preservação das matas que cercam a comunidade isolada que, há dez anos, contava com apenas 38 moradores (hoje, com as melhorias, são 118). Mas o caminho para chegar ao grau de conscientização que ele exibe atualmente foi longo, muito longo. A labuta começou cedo, aos 12 anos. O aprendizado era simples: bastava observar o pai e imitar seus movimentos e suas manhas no manejo da motosserra (Roberto lembra que chegou a ver o avô cortando árvores com o serrote de um metro e quarenta centímetros de comprimento).

Mudança veio com a chegada da Fundação Amazonas Sustentável à comunidade, segundo Roberto Brito de Mendonça
Mudança veio com a chegada da Fundação Amazonas Sustentável à comunidade, segundo Roberto Brito de Mendonça (Foto: Gabriel Ghidalevich/Conspiração Filmes)

Ao todo foram 21 anos desmatando. O ex-madeireiro diz que, apesar de “tirar madeira”, ele e seus colegas apreciavam a floresta, mas precisavam buscar o sustento em algum lugar — e simplesmente não conheciam outra atividade ou conceitos como o de sustentabilidade. Ele revela, melancólico, que olhava para a mata e via ali uma única finalidade: a extração. Da mesma forma, olhava para o rio e não dava valor. E, antes que alguém pergunte, sim, a retirada de madeira era (e é) clandestina e ilegal. Uma atividade pesada e sem futuro, nas palavras do próprio Roberto.

É importante que o brasileiro conheça o interior. Estamos de portas abertas para mostrar a natureza

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Roberto Brito

A mudança veio com a chegada da Fundação Amazonas Sustentável à comunidade. De acordo com o líder comunitário, que se tornou empresário e hoje é dono de uma pousada que opera com turismo ecológico e de aventura, a fundação trouxe parcerias com grandes empresas como a Coca-Cola Brasil, entre outras. Através destas parcerias, foram implementados projetos educacionais que mostraram aos ribeirinhos novas maneiras de enxergar o mundo ao seu redor.

Clique para assistir aos outros episódios do webdocumentário “Terra Molhada”

“A Coca-Cola Brasil, por exemplo, reuniu uma turma de artesãos que ensinou a aproveitar material que antes era jogado no lixo ou queimado”, conta Roberto. “Hoje eu levo um grupo de turistas para ver uma árvore na floresta, uma Sapopemba. No dia seguinte levo outro grupo e depois mais outro. Antes eu derrubava a árvore e acabou-se. Não tinha mais nada”, conclui.

Essa postura ecologicamente responsável é passada à nova geração. Os três filhos de Roberto, dois rapazes e uma moça com idades entre 18 e 23 anos, jamais pegaram numa motosserra: “Esses meninos nunca derrubaram uma árvore. Eu passo o conhecimento para eles, só não ensino a tirar madeira”. O líder comunitário se ressente, porém, da distância mantida pelos brasileiros. “Manaus fica a 70 quilômetros e pouca gente de lá nos visita. É importante que o brasileiro conheça o interior. Estamos de portas abertas para mostrar a natureza”, convida.

Vamos?

*Esta história faz parte de uma série sobre brasileiros que trabalham para preservar o bem mais valioso do planeta, a água. Todos são beneficiados por projetos apoiados pela Coca-Cola Brasil e também aparecem no documentário “Terra molhada”. Clique aqui para conhecer mais histórias.

COCA-COLA BRASIL

 

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Escrito por Jefferson Lessa

Jefferson Lessa

É jornalista formado pela PUC Rio e moldado pelas cidades que conheceu. No começo dos anos 1990, trabalhou na Revista Domingo, do Jornal do Brasil. Foi crítico de cinema e teatro em O Globo, onde escreveu por doze anos a coluna Pé-Limpo, sobre bares “arrumadinhos”, no caderno Rio Show. Trabalhou na revista Veja Rio e nos canais Telecine. É um ser essencialmente urbano. Carioca, ama a cidade onde nasceu, mas quando é preciso falar sério sobre o Rio não passa a mão na cabeça nem dá colher de chá.

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