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Empresas investiram US$ 85 bi para reduzir emissões

Cebds faz parceria com WWF para responder a pergunta: qual o impacto da transição para uma economia de baixo carbono na geração de emprego e renda?


Rifkin aposta que o epicentro de uma revolução mundial é a China, entre razões está o investimento em energia renovável. Foto Chang kong /Imaginechina
Estudo do Ministério de Minas e Energia calcula que projetos de eficiência energética vai criar 400 mil novos postos de emprego até 2030. Foto Chang kong /Imaginechina

Chegou a US$ 85,8 bilhões o volume de investimentos feito por empresas brasileiras para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa nos últimos três anos. O levantamento do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds) contabilizou que 217,9 milhões de toneladas de CO2 deixaram de ir para a atmosfera. O próximo estudo, que está sendo feito em parceria com a WWF, vai responder a uma pergunta ainda sem resposta: qual o impacto dos investimentos na transição para uma economia de baixo carbono na geração de emprego e renda no Brasil. O resultado do trabalho será apresentado na COP-25, que vai ocorrer no Chile, em dezembro. As mudanças climáticas e o mundo do trabalho foi uma das discussões na Semana do Clima da América Latina e Caribe 2019, em Salvador.

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A Alemanha já tem essa resposta. Lá, um em cada 30 novos postos de trabalho criado está ligado às mudanças climáticas. Chega a 1 milhão de pessoas trabalhando na prestação de serviços da proteção ambiental e na reestruturação energética dos edifícios. O número de patentes relacionado à superação da mudança climática vem crescendo duas vezes mais rápido do que de outras áreas. A recolocação dos mineiros que perderam emprego com o fim das minas de carvão, no esforço de transição energética feito pelo país, mobilizou o governo. “As políticas climáticas já são um fator econômico nas decisões políticas do país, comentou o primeiro-secretário para assuntos ambientais da Embaixada da Alemanha no Brasil, Montserrat Mir.

A cidade de Bottrop, no estado da Renânia do Norte-Vestfália, na região do Vale do Ruhr, é o exemplo mais emblemático de uma transição justa para uma economia de baixo carbono. Há praticamente duas décadas, a cidade vem se preparando para se despedir definitivamente das suas minas de carvão – a mineração sempre foi a atividade econômica mais importante da região do Vale do Ruhr. A última mina foi desativa em dezembro do ano passado e a cidade não se transformou na capital do desemprego. Ao contrário. Com 47 mil empregados, a taxa de desemprego é baixa: 7,3%.

Precisamos da ciência para educar os empregados para a próxima década

Tilman Christian
chefe da divisão de planejamento ambiental da prefeitura de Bottrop

“Precisamos da ciência para educar os empregados para a próxima década”, sintetizou o chefe da divisão de planejamento ambiental da prefeitura de Bottrop, Tilman Christian, explicando que os trabalhadores foram treinados para mudar de áreas. Os setores de habitação, com empreendimentos ambientalmente sustentáveis, e mobilidade elétrica  foram os escolhidos para absorver a mão-de-obra disponível na cidade, após a desativação das minas.

Bottrop passou por um banho de loja e várias regiões da cidade ganharam novos projetos urbanísticos, sem falar numa nova universidade. “Construímos este processo de transição juntando a ciência, a política, o setor privado e os trabalhadores”, completou Christian. Numa parceria público-privada, só o governo injetou US$ 182 milhões.

Os sindicatos precisam abraçar a causa da transição para uma economia de baixo carbono, porque eles serão inevitavelmente atingidos

Ana Toni
diretora-executiva do iCS

A diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS), Ana Toni, defende que a transição justa é absolutamente fundamental e é preciso olhar com atenção para os setores que vão perder empregos: “O setor do petróleo, do gás e do carvão vão perder. Mas, em compensação, em comparação com os países intensivos em carbono, talvez aqui a transição possa ser mais amena”. Ainda assim, alerta: “Temos que ter bioeconomia criando empregos cada vez mais qualificados. Não se pode ir contra a história”. Num país onde governo não reconhece as instituições de pesquisa, as mudanças climáticas e os direitos dos trabalhadores, como evitar a precarização do trabalho num processo de descarbonização da economia? Para esse questionamento, ainda não existe resposta, apenas o consenso de que capital e trabalho precisam sentar na mesma mesa. “Os sindicatos precisam abraçar a causa da transição para uma economia de baixo carbono, porque eles serão inevitavelmente atingidos”, defende Ana.

Se é verdade que a transição para uma economia de baixo carbono vai criar novas oportunidade de emprego no mundo, para o secretário do Meio Ambiente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Daniel Gaio, “boa parte da transição justa vai ser paga pelos países do hemisfério Sul”, especialmente no atual momento do país, com desemprego, pessoas em situação de rua, pobreza e da desigualdade em alta. “O mundo do trabalho não faz parte desta agenda das mudanças climáticas”, conclui o diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Clemente Ganz Lúcio, concluindo: “O maior desafio é justamente este, incluí-lo nessa agenda”.

Em julho último, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgou um estudo concluindo que as mudanças climáticas, o aumento do estresse térmico na agricultura e em outros setores industrial provocará perda de produtividade equivalente a 80 milhões de empregos até 2030. Diz o estudo que os países mais pobres serão os mais afetados. No Brasil, essas perdas poderão chegar a 850 mil postos de trabalho.


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