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Trem de levitação magnética da UFRJ à espera de parceiro industrial

Veículo silencioso e não poluente custa um terço da implantação do metrô mas ainda não atrai empresas brasileiras


Estudante da UFRJ no trem de levitação magnética: projeto desenvolvido na universidade precisa de parceria para ganhar escala industrial (Foto: Oscar Valporto)
Estudante da UFRJ no trem de levitação magnética: projeto desenvolvido na universidade precisa de parceria para ganhar escala industrial (Foto: Oscar Valporto)

Em outubro, o trem de levitação magnética da Coppe/UFRJ completa cinco anos de funcionamento – desde 2016, o Maglev-Cobra opera permanentemente – todas as terças-feiras – entre os prédios do Centro de Tecnologia da Cidade Universitária da Ilha do Fundão. Foi o primeiro veículo no mundo a transportar passageiros utilizando a tecnologia de levitação magnética por supercondutividade. A China e Alemanha, que tinham experiências com a mesma tecnologia, ainda estavam na fase de testes em laboratório. Só este mês os chineses passaram a testar  um protótipo para oito pessoas, ainda longe do trem da UFRJ para 20 passageiros. “Nós, agora, estamos esperando um parceiro industrial porque a parte científica, que é o foco da universidade, já avançou muito. Os chineses investem pesadamente em pesquisa e estão chegando mais perto”, afirma o professor Richard Stephan, coordenador dos pesquisadores do Laboratório de Aplicações de Supercondutores (Lasup) da Coppe/UFRJ – Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O empresário brasileiro detesta correr riscos. E estamos, obviamente, diante de uma tecnologia que tem muitos atrativos, inclusive econômico, mas é uma tecnologia nova, ainda não testada

Richard Stephan
Coordenador do Laboratório de Aplicações de Supercondutores

O trem de levitação magnética foi desenvolvido para ser uma alternativa de transporte em centros urbanos: o veículo da Coppe foi planejado para levitar sobre passarelas, dispensando as obras civis dos metrôs e trens de superfície convencionais.  “Pelos nossos cálculos, o custo de implantação por quilômetro é um terço do valor necessário para implantação de um metrô subterrâneo na mesma extensão”, afirma o professor Richard Stephan, destacando ainda a vantagem urbana sobre os trens de superfície e mesmo o VLT. “As linhas de trem do subúrbio foram dividindo a cidade, os bairros; e o VLT, de certa forma, faz o mesmo. O MagLev, por usar vias elevadas, não separa a cidade”, argumenta.

Trem de levitação magnética da UFRJ: silencioso e sem emissão de poluentes, já que é movido à energia elétrica (Foto: Oscar Valporto)
Trem de levitação magnética da UFRJ: silencioso e sem emissão de poluentes, já que é movido à energia elétrica (Foto: Oscar Valporto)

O coordenador do projeto também lembra das vantagens ambientais do trem de levitação magnética: ele tem operação silenciosa – já que não há contato com trilhos – e não emite poluentes pois é movido à energia elétrica da rede convencional. No caso da linha experimental construída na Cidade Universitária, o veículo é alimentado por quatro painéis de energia solar fotovoltaica. Em lugar das rodas, o trem da Coppe tem sapatas com cerâmicas supercondutoras resfriadas com nitrogênio líquido – a 196 graus centígrados negativos, a cerâmica adquire a propriedade de repelir um campo magnético gerado nos trilhos, fazendo o veículo deslizar. “São grandes vantagens em relação ao sistema roda-trilho”, assegura o professor Richard Stephan.

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Desde 2016, já viajaram pela linha experimental do Maglev-Cobra na Ilha do Fundão mais de 15 mil pessoas: alunos, professores, estudiosos, visitantes. O veículo da Cidade Universitária liga os dois prédios do CT a 10 Km/h, mas, nas cidades, o trem de levitação magnética teria velocidade média de 70 km/h e poderia chegar a 100 km. No desenho feito pelos pesquisadores que trabalharam no projeto, cada trem teria quatro módulos com 30 passageiros cada – o veículo experimental leva 20 passageiros.  “O desafio, agora, é dar escala industrial ao projeto. Precisamos de empresas que queiram investir em produzir os veículos, os motores, os equipamentos”, explica o coordenador do Laboratório de Aplicações de Supercondutores.

O professor Richard Stephan, com visitantes, conta que há empresa interessada na parceria: "Mas é um noivo difícil, daqueles que está esperando aparecer um bom dote para que saia o casamento" (Foto: Oscar Valporto)
O professor Richard Stephan, com visitantes, conta que há empresa interessada na parceria: “Mas é um noivo difícil, daqueles que está esperando aparecer um bom dote para que saia o casamento” (Foto: Oscar Valporto)

O professor Richard Stephan admite que não é um desafio fácil de ser superado. “O empresário brasileiro detesta correr riscos. Estamos, obviamente, diante de uma tecnologia que tem muitos atrativos, inclusive econômico, mas é uma tecnologia nova, ainda não testada”, comenta, acrescentando que há, entretanto, quem esteja interessado em parceria para dar escala industrial ao trem de levitação magnética. “Mas é um noivo difícil, daqueles que está esperando aparecer um bom dote para que saia o casamento. Não sei se vai aparecer um tio rico para dar esse dote neste momento”.

5/100 A série #100diasdebalbúrdiafederal pretende mostrar, durante esse período, a importância  das instituições federais e de sua produção acadêmica para o desenvolvimento do Brasil.


Escrito por Oscar Valporto

Oscar Valporto é carioca e jornalista – carioca de mar e bar, de samba e futebol; jornalista, desde 1981, no Jornal do Brasil, O Globo, O Dia, no Governo do Rio, no Viva Rio, no Comitê Olímpico Brasileiro. Está de volta ao Rio após oito anos no Correio* (Salvador, Bahia), onde foi editor executivo e editor-chefe. É criador da página no Facebook #RioéRua, onde publica crônicas sobre suas andanças pela cidade.

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