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Quando será seguro viajar de avião novamente?

Trabalhadores com macacões de biossegurança desinfetam um avião, no hangar da LATAM, no aeroporto internacional El Dorado, em Bogotá. Foto Juan Barreto/AFP

Companhias aéreas no Brasil e no exterior investem em descontaminação e prevenção. Mas nem a tecnologia mais avançada neutraliza mau comportamento de passageiros

Por Carla Lencastre | ODS 3ODS 8 • Publicada em 25 de setembro de 2020 - 09:00 • Atualizada em 29 de setembro de 2020 - 09:40

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Trabalhadores com macacões de biossegurança desinfetam um avião, no hangar da LATAM, no aeroporto internacional El Dorado, em Bogotá. Foto Juan Barreto/AFP

Com a flexibilização de quase todas as medidas restritivas no Brasil, o sofrido setor nacional de viagens e turismo começa a se recuperar lentamente. Não é possível garantir que seja 100% seguro viajar durante uma pandemia que já dura seis meses e ainda não tem data para acabar. Mas empresas aéreas e de hospitalidade estão investindo em protocolos para prevenir a transmissão do novo coronavírus e em tecnologia para descontaminação. Muitos dos novos procedimentos e técnicas são certificados por empresas especializadas em biossegurança. Afinal, se antes alguns viajantes ainda confiavam na limpeza, agora é preciso comprovação. Vale ressaltar que para a eficácia dos processos é fundamental o cliente fazer a parte dele. Máscara, distanciamento social, mãos limpas e respeito às regras das companhias aéreas e dos meios de hospedagem estão no topo do manual de biossegurança do “novo turismo”.

Tripulação e passageiros usam máscaras durante um voo da Aegean Airlines, na Grécia. Foto Nicolas Economou/NurPhoto
Tripulação e passageiros usam máscaras durante um voo da Aegean Airlines, na Grécia. Foto Nicolas Economou/NurPhoto

Filtros de alta eficiência garantem ar puro durante o voo de cruzeiro

Diferentemente do que possa parecer, o ambiente confinado de um avião de passageiros é um dos mais seguros em tempos de covid-19. Não dá para afirmar que o ar é 100% puro, mas é mais limpo do que o de um lugar fechado no solo, como um supermercado, por exemplo. Na maioria dos voos comerciais (mas não em aeronaves mais antigas ou muito pequenas), cerca de 40% do ar passa por filtros de alta tecnologia HEPA (sigla em inglês para high efficiency particulate air). Os outros 60% são ar fresco vindo diretamente do exterior do avião. Todas as aeronaves das empresas brasileiras Azul, Gol e Latam são equipados com filtros HEPA.

Esta tecnologia faz com que o fluxo de ar no sentido vertical seja similar ao de uma sala de cirurgia em um hospital. Não há corrente de ar horizontal entre a parte da frente e a de trás, por exemplo. Durante o voo de cruzeiro, o que exclui a decolagem e a aterrisagem, o ar é inteiramente renovado em média a cada três minutos. Quando o avião não está em velocidade de cruzeiro, a eficiência da filtragem é reduzida. Ou seja, na era covid-19 não se deve tirar a máscara durante a decolagem e a aterrisagem pelo mesmo princípio que determina que o cinto de segurança precisa estar afivelado e o computador guardado. São procedimentos que reduzem as chances de se machucar ou machucar alguém. Não se levantar para desembarcar antes de chegar a vez da sua fileira também colabora para a segurança sanitária a bordo.

Empresas aéreas testam novas tecnologias de limpeza

Distanciamento social dentro em um voo comercial é inviável economicamente; assim como a maioria dos viajantes não pode pagar por um assento na classe executiva. Entre as companhias que voam para o Brasil, a americana Delta Air Lines é uma exceção. A empresa aérea pretende manter vazio o assento do meio da classe econômica até janeiro (lembrando que, por enquanto, os Estados Unidos não estão abertos para turistas vindos do Brasil).

A Delta também se destaca em relação às medidas de biossegurança e à comunicação clara do programa Delta CareStandard. O interior de todas as suas aeronaves é desinfetado depois de cada voo com pulverizadores eletrostáticos. No caso, é usado o desinfetante Matrix 3, classificado pela US Environmental Protection Agency, a agência de proteção ambiental americana, como eficaz para matar um patógeno até mais forte do que o que causa a covid-19. Para melhorar a qualidade do ar em solo, a companhia está substituindo os sistemas de filtragem que bombeiam ar nas pontes de embarque e desembarque. Os novos filtros, com certificação Leed Platinum, reduzirão em 40% a quantidade de partículas no ar.

Outras companhias americanas como American e United também estão usando sprays eletrostáticos, ainda que não necessariamente depois de cada voo de curta ou média distância. No final de agosto, a agência de proteção ambiental americana autorizou a American Airlines, em caráter emergencial, a acrescentar à rotina de limpeza o novo desinfetante SurfaceWise2. Aplicado com pulverizador em superfícies de alto contato, como nos encostos dos assentos, nas bandejas e nas portas dos compartimentos superiores de bagagem, o produto cria uma camada de proteção invisível que mataria o novo coronavírus por sete dias. Em princípio, o desinfetante será utilizado nos aviões da AA quando eles estiverem estacionados no aeroporto de Dallas-Forth Worth, no Texas, onde fica a sede da companhia. A empresa americana Allied BioScience, dona da patente, diz que o produto não é tóxico nem para pessoas nem para o meio ambiente, e busca autorizações para comercializá-lo em todo o mundo.

A JetBlue Airways, companhia aérea americana de baixo custo, começou a testar um sistema de desinfecção das cabines dos aviões com radiação ultravioleta que dispensa produtos químicos. Os raios UV são a etapa final da limpeza; a descontaminação é reduzida se houver poeira, por exemplo. Usada já antes da covid-19 em hospitais e transportes coletivos, a eficácia da luz ultravioleta em relação ao novo coronavírus ainda está sendo estudada. Em setembro, a brasileira Azul, fundada pelo mesmo David Neeleman da JetBlue, também começou a usar raios UV para desinfecção. Por enquanto, é a única na América Latina.

Máscara e exame com resultado negativo fazem parte da check-list para embarcar

Há empresas áreas que, além de máscara, exigem uso de protetor facial em acrílico. É o caso da Qatar Airways, que liga São Paulo a Doha. No momento, o Qatar está fechado para brasileiros. Mas passageiros de outras nacionalidades devem usar face shield no embarque e no desembarque, e os da classe econômica, também durante o voo. Outras companhias, como a Emirates, que voa entre São Paulo e Dubai, exigem resultado negativo de PCR para covid-19 no embarque. O passageiro pode ser testado novamente no desembarque. Os Emirados Árabes Unidos abriram as fronteiras para turistas em julho, inclusive para brasileiros. Para voar para países que estão começando agora a reabrir para o turismo, como a Colômbia, que aceitará brasileiros a partir de outubro, também será necessário um exame negativo.

Se o ar do avião é tecnicamente puro durante a maior parte do voo, não se pode dizer o mesmo do aeroporto. Por mais que os procedimentos de limpeza nos terminais tenham sido intensificados, o fator humano é fundamental para a biossegurança. Além de não tirar a máscara, é preciso manter distanciamento social, fazer check-in online, não esperar o momento do embarque sentado ao lado de alguém que não faz parte da sua bolha e não fazer fila para embarcar. A maioria destas regras são medidas de bom senso que já deveriam ser seguidas muito antes de qualquer coronavírus. Além de máscaras e desinfetantes mais fortes, a covid-19 trouxe termômetros para os terminais. Aeroportos mundo afora estão verificando a temperatura dos passageiros, individualmente ou por câmeras termais. Para que todas estas medidas de biossegurança sejam efetivas, é necessário que cada um faça a sua parte. Respeito às novas regras aumenta a própria segurança, a dos outros passageiros e a dos funcionários.

Carla Lencastre

Jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), trabalhou por mais de 25 anos na redação do jornal O Globo nas áreas de Comportamento, Cultura, Educação e Turismo. Editou a revista e o site Boa Viagem O Globo por mais de uma década. Anda pelo Brasil e pelo mundo em busca de boas histórias desde sempre. Especializada em Turismo, tem vários prêmios no setor e é colunista do portal Panrotas. Desde 2015 escreve como freelance para diversas publicações, entre elas o #Colabora e O Globo. É carioca de mar e bar. Gosta de dias nublados. Ama viajar. Está no Instagram e no Twitter em @CarlaLencastre 

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