O que precisamos entender para deixarmos de ser fiscais da bissexualidade alheia?

Larissa Januário: “Não sou hétero demais para ser lésbica, nem lésbica demais para ser hétero” (Foto: Arquivo pessoal)

No Dia do Orgulho Bissexual, seis relatos de pessoas que lutam contra os estigmas relacionados com indecisão e promiscuidade

Por Yuri Fernandes | ODS 16 • Publicada em 23 de setembro de 2021 - 14:01 • Atualizada em 29 de setembro de 2021 - 08:58

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Larissa Januário: “Não sou hétero demais para ser lésbica, nem lésbica demais para ser hétero” (Foto: Arquivo pessoal)

(Colaborou Vinícius Grossos) O Dia do Orgulho Bissexual é celebrado internacionalmente em 23 de setembro e foi criado para gerar conhecimento sobre a história da bissexualidade e a cultura das pessoas bissexuais, e também para jogar luz sobre o tema, que ainda é cercado de estereótipos. A celebração surgiu em 1999 na Conferência da Associação Internacional de Lésbicas e Gays (ILGA), em Joanesburgo, na África do Sul, a partir de uma ideia de três ativistas dos direitos bissexuais: Wendy Curry, Michael Page e Gigi Raven Wilbur.

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Na mesma década, foi publicado o Manifesto Bissexual pela revista Anything That Moves. A seguir, alguns pontos importantes do documento.

Bissexualidade é um todo, uma identidade fluída. Não assuma que a bissexualidade é naturalmente binária ou poligâmica, que nós temos “dois” lados ou que nós precisamos estar envolvidos simultaneamente com dois gêneros para sermos seres humanos completos. De fato, não assuma que existem apenas dois gêneros.
Não interprete nossa fluidez como confusão, irresponsabilidade ou inabilidade de assumir compromisso. Não equipare promiscuidade, infidelidade ou comportamento sexual inseguro com bissexualidade.
Esses são comportamentos humanos que atravessam todas as orientações sexuais. Nada deve ser presumido sobre a sexualidade de ninguém, incluindo a sua.

No Brasil, o movimento de pessoas bissexuais começou a se fortalecer nos anos 2000, com a criação de coletivos de ativismo bissexual. Esses movimentos são de extrema importância para trazer visibilidade sobre essas vivências, que ainda em 2021 muitas vezes são questionadas. Em parceria com o Canal Reload, o #Colabora traz abaixo alguns relatos de pessoas que sentem na pele o preconceito por causa da falta de informação e empatia.

“Já ouvi dizer que bissexuais são safados ou indecisos. É como se não houvesse espaço para a gente, como se fosse hétero demais para ser lésbica e lésbica demais para ser hétero. Minha conexão vai muito mais pela energia da pessoa do que pelo gênero que ela carrega.” Larissa Januário
Tiago Marques, Angélica Menezes e Olívia Cruz. "A nossa sexualidade é vivida por nós", ele defende. (Fotos: Arquivo pessoal)
Tiago Marques, Angélica Menezes e Olívia Cruz. “A nossa sexualidade é vivida por nós”, ele defende (Fotos: Arquivo pessoal)
“Bissexuais não têm que escolher apenas um dos sexos para gostar; não estão à disposição para ter relações com casais; nem são gays demais para serem bissexuais. A nossa sexualidade é vivida por nós, não é necessário a sua definição por outrem.” Tiago Marques
“A bissexualidade pra mim é uma vivência múltipla sem exclusão de gêneros e, assim, é uma continuação marginal do gênero que é o meu corpo.” Olivia Cruz

“A bissexualidade pra mim não se trata apenas de se relacionar com gêneros diferentes, mas também é a liberdade de conhecer pessoas pela sua essência, por quem de fato são.” Angélica Menezes
“A bissexualidade representa a maior parte da minha vida. Embora muitas pessoas ao meu redor me julguem como indeciso ou como uma fase, não é legal que interpretem nossa fluidez dessa forma.” Everson Bazilio
“Demorou muito tempo para eu entender que eu não era confusa. Sou plenamente capaz de amar homens e mulheres. Minha bissexualidade não diminui minha capacidade de amar. Hoje tenho orgulho de ser bissexual.” Amanda Mendes
Everson Bazilio e Amanda Mendes. "Demorou muito tempo para eu entender que eu não era confusa", ela diz. (Fotos: Arquivo pessoal)
Everson Bazilio e Amanda Mendes. “Demorou muito tempo para eu entender que eu não era confusa”, ela diz (Fotos: Arquivo pessoal)

Yuri Fernandes

Yuri Fernandes é jornalista pela Universidade Federal de Juiz de Fora e roteirista pela Academia Internacional de Cinema. Já trabalhou nas redações do Bom Dia Brasil, Fantástico e EGO. Em 2017, passa a fazer parte do time do Projeto #Colabora e do #Colabora Marcas, agência de branded content. No ano seguinte, lança a websérie “LGBT+60: Corpos que Resistem”, com depoimentos de idosos LGBT+. O projeto alcança mais de 1 milhão de views no Youtube, é exibido em diversos seminários e festivais, e vence o Prêmio Longevidade Bradesco Seguros, em 2019. No mesmo ano, Yuri Fernandes também é laureado com o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, com a série “Sem Direitos: o rosto da exclusão social no Brasil”. Por meio do jornalismo humanizado, busca ecoar vozes de minorias sociais, sobretudo, da comunidade LGBT+.

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