Testemunho em documentário da degradação ambiental da Terra

O naturalista David Attenborough, 94 anos, com uma tartaruga na costa da África durante a filmagem do documentário: testemunho de uma vida e alerta sobre o futuro (Foto: Divulgação)

Em exibição na Netflix, 'Uma vida em nosso planeta" revisa a situação global nos 94 anos de vida de seu autor, o naturalista David Attenborough

Por José Eduardo Mendonça | ODS 13ODS 14ODS 15 • Publicada em 19 de outubro de 2020 - 10:42 • Atualizada em 21 de outubro de 2020 - 09:02

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O naturalista David Attenborough, 94 anos, com uma tartaruga na costa da África durante a filmagem do documentário: testemunho de uma vida e alerta sobre o futuro (Foto: Divulgação)

Em documentário tocante, A Life in Our Planet, em exibição no Netflix, o celebrado naturalista David Attenborough mostra como a biodiversidade diminuiu durante sua carreira. Ainda incansável aos 94 anos, chamou seu mais recente trabalho de “um apelo como testemunha”. Seu primeiro documentário como roteirista, apresentador e produtor foi Zoo Quest, de 1954.

Imagens de seu encontro de exóticas flora e fauna quando jovem são uma forte mensagem pela restauração do equilíbrio ecológico e ele vem buscando ampliar o alcance de sua mensagem. Ao entrar no Instagram. em setembro, sir David Attenborough quebrou o recorde da atriz Jennifer Aniston, da série Friends, de tempo mais rápido para alcançar um milhão de seguidores. No Twitter, apenas quatro horas depois de ter entrado, o naturalista também já tinha mais de um milhão de seguidores. Sua primeira mensagem nas redes sociais:  “Salvar nosso planeta agora é um desafio de comunicação”.

O documentário de Attenborough começa emblematicamente em Chernobyl, um lugar, ele nota, não mais habitável, o que pode ser o destino de pedaços cada vez maiores do globo. “As provas estão em todo lugar. Está acontecendo em meu tempo de vida. Eu vejo isso com meus próprios olhos”. 

Não há tempo de sobra para memórias porque a situação é grave, Attenborough cita a trilha insustentável de nosso caminho atual, e o fato alarmante de nosso planeta “está perdendo seu gelo”. “Precisamos trabalhar com a natureza, não contra ela”, alerta. 

Certa vez o ex-jogador de futebol David Beckham, que recentemente parou de comer carne, lhe fez a seguinte pergunta: “Se você tivesse uma mensagem para nossos filhos sobre o futuro de nosso planeta, qual seria?” Attenborough respondeu: “Cuidar do mundo natural do qual nos apartamos. Não desperdice as coisas. Não jogue comida fora, Não desperdice energia. Cuide do mundo animal, o que temos de mais precioso, e do qual somos parte”.

Ao ecoar a indignação mundial com as queimadas criminosas no Pantanal e na Floresta Amazônica, e a transformação dessas áreas em pastos, ele afirma: “As florestas são muito vulneráveis, e muito tentadoras para quem quiser fazer lucro porque são dinheiro fácil. Cortam árvores para vender a madeira, e depois disso plantam soja, palmeiras de dendê, que usamos no ocidente em grandes quantidades”.

“Assim, somos responsáveis pelo que compramos. É crucial lembrarmos que as florestas são o elemento mais crítico de todo o complexo do clima, chuvas e fertilidade que fazem o mundo natural existir”, acrescenta.

No momento, sir David Attenborough lidera um campanha para o investimento de U$ 500 bilhões por ano, para brecar a destruição da natureza. “Nosso mundo natural está sob pressão maior hoje do qualquer tempo na história humana, e o futuro de toda a Terra depende de cada um de nós”, enfatiza. “Ainda temos a oportunidade de reverter a catastrófica perda de biodiversidade, mas o tempo está se esgotando”.

A campanha foi lançada pelo grupo ambiental Flora & Fauna e tem a adesão de mais de 130 organizações. Seu objetivo é levar ao desinvestimento em combustíveis fósseis e outro setores poluentes da economia. “Os membros da ONU têm de liderar a luta contra a crise e financiar aqueles melhor dirigidos para a enfrentar”, disse seu principal executivo, Mark Rose.

O mundo hoje gasta cerca de U$ 90 bilhões com a conservação da natureza, mas isto é pouco perto do que é necessário para que os ecossistemas não entrem em colapso. Várias nações se encontram empenhadas em conseguir um novo pacto pela diversidade em encontro de cúpula que acontecerá na China no ano que vem. Em vídeo, o presidente chinês Xi Jinping pede aos participantes cooperação global. “Somos passageiros do mesmo barco”, disse Jinping na mensagem. “A perda de biodiversidade e a degradação de ecossistemas apresentam um risco para a sobrevivência e o desenvolvimento”, afirmou.

José Eduardo Mendonça

É jornalista, com passagens por publicações como Exame, Gazeta Mercantil, Folha de São Paulo, e criador da revista Bizz e do suplemento Folha Informática. Vem nos últimos anos se dedicando aos temas ligados à sustentabilidade e foi pioneiro ao fazer, para o Jornal da Tarde, em 1976, uma série de matérias sobre energia limpa.

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