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Com mudança na vegetação, Mata Atlântica tem estabilidade florestal enganosa

Reserva Ecológica de Guapiaçu, em Cachoeiras de Macacu (RJ): restauração da Mata Atlântica. Foto Tatiana Horta

Bioma tem um quarto da sua cobertura preservada, mas perde vegetação primária no entorno de rios e nascentes o que impacta na crise hídrica

Por Liana Melo | ODS 13 • Publicada em 15 de setembro de 2021 - 10:00 • Atualizada em 16 de setembro de 2021 - 09:34

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Reserva Ecológica de Guapiaçu, em Cachoeiras de Macacu (RJ): restauração da Mata Atlântica. Foto Tatiana Horta

Ao contrário de outros biomas brasileiros, com altíssimo grau de destruição, a Mata Atlântica preserva um quarto da sua cobertura florestal. Ao analisar o mapeamento de imagens de satélite durante um período de 35 anos, de 1985 a 2020, o MapBiomas constatou que os outros 25% do bioma estão ocupados por um mosaico de agricultura e pastagens (16,5%), agricultura (15%) e savana (10,5%). A mata remanescente foi encontrada em uma área de 465.711 km2 e está espalhada por 17 estados, dos quais 15 deles ainda foi possível detectar áreas contínuas. A cobertura florestal passou de 27,1% em 1985 para 25,8% em 2020.

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A aparente estabilidade da cobertura florestal da Mata Atlântica é enganosa porque existe uma diferença de qualidade entre uma mata madura, rica em biodiversidade e com carbono estocado, de uma área em recuperação

Marcos Rosa
coordenador técnico do MapBiomas

“A aparente estabilidade da cobertura florestal da Mata Atlântica é enganosa porque existe uma diferença de qualidade entre uma mata madura, rica em biodiversidade e com carbono estocado, de uma área em recuperação”, alerta Marcos Rosa, coordenador técnico do MapBiomas. A perda de vegetação primária foi de 10 milhões de hectares,  enquanto a vegetação secundária ganhou nove milhões de hectares no período.

Essa substituição de florestas maduras por matas jovens ocorreu nas florestas de araucárias do Paraná e ao norte de Minas Gerais, na fronteira com a Bahia, assim como em áreas de campos naturais, como na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Entre 1985 e 2020, a perda de formações campestres foi de 28%.

Precisamos interromper essa tendência de destruição de florestas maduras e fomentar a manutenção das matas recuperadas para garantir os serviços ambientais prestados pelo bioma

Luís Fernando Guedes
coordenador da equipe Mata Atlântica e Pantanal do MapBiomas

“Precisamos interromper essa tendência de destruição de florestas maduras e fomentar a manutenção das matas recuperadas para garantir os serviços ambientais prestados pelo bioma”, defende Luís Fernando Guedes, coordenador da equipe Mata Atlântica e Pantanal do MapBiomas. Ainda que uma área abandonada por quatro ou cinco anos já comece a ter uma floresta em estágio inicial, um novo desmatamento acaba inviabilizando que a floresta se recupere.

De 1985 a 2020, 12 estados perderam vegetação nativa. A Bahia foi o campeão em perda (com 9.642 km2), seguido pelo Rio Grande do Sul (6.899 km2), Santa Catarina (6.359 km2) e Paraná (com 3.744 km2). A década de maior recuperação de áreas florestais ocorreu entre 2000 e 2010, quando a Mata Atlântica ganhou 5.754 km2 de florestas. Por duas décadas, desde 2000, o estado de São Paulo manteve o crescimento da área de florestas, constatou o estudo.

O desmatamento na Mata Atlântica impacta a vida de 70% dos brasileiros, que dependem dos serviços ambientais prestados pelo bioma. A crise hídrica que se avizinha, por exemplo, é fruto dessa realidade. Ou seja, florestas desmatadas no entorno de rios e áreas de nascentes aumentam o risco hídrico para essa população.

“Como metade da vegetação nativa da Mata Atlântica está em áreas privadas, políticas como a de Pagamento por Serviços Ambientais e criação de corredores assume papel estratégico para a recuperação e conservação do bioma”, conclui Rosa, defendendo que “o planejamento da recuperação florestal da Mata Atlântica de acordo com as bacias hidrográficas é uma enorme oportunidade para gestores públicos”. O  levantamento do MapBiomas mostrou que bacias hidrográficas da região têm cobertura florestal baixa, ao redor de apenas 20%. E ainda ameaças mais recentes ao bioma: a expansão imobiliária, que vem avançando sobre áreas preservadas, inclusive em mananciais.

 

 

Liana Melo

Formada em Jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ. Especializada em Economia e Meio Ambiente, trabalhou nos jornais “Folha de S.Paulo”, “O Globo”, “Jornal do Brasil”, “O Dia” e na revista “IstoÉ”. Ganhou o 5º Prêmio Imprensa Embratel com a série de reportagens “Máfia dos fiscais”, publicada pela “IstoÉ”. Tem MBA em Responsabilidade Social e Terceiro Setor pela Faculdade de Economia da UFRJ. Foi editora do “Blog Verde”, sobre notícias ambientais no jornal “O Globo”, e da revista “Amanhã”, no mesmo jornal – uma publicação semanal sobre sustentabilidade. Atualmente é repórter e editora do Projeto #Colabora.

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