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O Uber dos serviços financeiros

Bancos virtuais, baratos e ágeis chacoalham a vida dos concorrentes tradicionais


Seminário sobre inovações tecnológicas financeiras, as fintechs, em Casán, na Rússia, em 2015
Seminário sobre inovações tecnológicas financeiras, as fintechs, em Casán, na Rússia, em 2015

Mais cedo ou mais tarde os serviços financeiros seriam chacoalhados, a exemplo dos táxis com o Uber e das redes hoteleiras com o Airbnb. O caráter disruptivo da inovação tecnológica vem tirando o sono de indústrias tradicionais e criando desafios extras para diversos setores da economia. Com balanços financeiros muitas vezes imunes às crises, os bancos, as seguradoras e seus ganhos financeiros auferidos na forma de juros, dívidas e títulos, vêm sendo desafiados por uma garotada à frente das chamadas fintechs – startups, dirigidas por jovens empreendedores, que unem serviços financeiros, tecnologia inovadora, estrutura enxuta e, o mais importante, serviços mais baratos.

As pequenas novatas, segundo estudo do Goldman Sachs publicado na revista inglesa The Economist, negociaram US$ 12 bilhões em 2014 – o triplo do ano anterior –, e a previsão para 2015 é captarem US$ 20 bilhões. Por trás dessas instituições estão pessoas comuns, como você e eu, que não abrem mão dos serviços financeiros, mas acreditam que eles não precisam ser feitos exclusivamente pelos bancos. O alvo é a chamada geração millennial, jovens de 18 a 34 anos antenados com as novas tecnologias.

Operações simples, como movimentação bancária, emissão de cartões de crédito ou de débito, empréstimos e seguros, estão paulatinamente mudando de mãos e indo parar nas fintechs, que não têm endereço físico e só são encontradas na web. Elas têm potencial para abocanhar 32% das receitas do sistema financeiro, calcula a consultoria Accenture.

Intrusas no radar

A invasão das fintechs já entrou no radar do Banco Central e o consultor do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro da instituição, Mardilson Fernandes Queiroz, não esconde sua preocupação: “As fintechs têm o potencial de mudar o modelo industrial da cadeia e podem impactar o sistema com inovações disruptivas. Se alcançarem um volume expressivo, o risco se estabelece. Por isso têm de ser avaliadas, não para interromper a inovação, mas para achar um modelo sustentável. Esse é o desafio atual dos reguladores”.

As fintechs têm o potencial de mudar o modelo industrial da cadeia e podem impactar o sistema com inovações disruptivas. Se alcançarem um volume expressivo, o risco se estabelece. Por isso têm de ser avaliadas, não para interromper a inovação, mas para achar um modelo sustentável. Esse é o desafio atual dos reguladores

Mardilson Queiroz
consultor do Banco Central

Ainda que não queira inibi-las, o governo já levantou barreiras. Proibiu o empréstimo pessoa a pessoa, exigindo a garantia de uma instituição financeira, e está obrigando as vedetes deste novo mercado a ter registro no BC. É o que está ocorrendo com a Nubank – a estrela do segmento que oferece cartão de crédito sem anuidade e com taxa de 7% ante os 15% do mercado. A empresa nasceu em setembro de 2014 e, de lá para cá, cerca de 1,6 milhão de pessoas já solicitaram o cartão de crédito Nubank, que é gerido 100% por um smartphone. A vantagem são as taxas e tarifas 50% mais baixas. O cartão não cobra anuidade, a habilitação é pelo celular e a taxa de juros é 7%, metade dos 15% cobrados por bancos, como o Itaú.

No Brasil, estima-se que as fintechs já representem um universo de mais de 400 empresas e a agência de inovação Clay Innovation criou o Radar FintechLab que monitora, diretamente, cerca de 150 startups financeiras. Magnetics (advisor), Intoo e Lendico (empréstimos), respectivamente são os espelhos das norte-americanas  Betterment e da Lending Club.


Escrito por Carmen Nery

Formada em jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro com pós-graduação em Comunicação Corporativa pela Cândido Mendes e MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC. Especializada na cobertura dos segmentos de tecnologia da informação, telecomunicações e inovação. Jornalista free lancer atualmente cobre diversos setores econômicos como infraestrutura, energia, portos e navios, mineração, siderurgia, construção, finanças e seguros.

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