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Alimentos orgânicos a baixo custo

Projeto de extensão da UFABC visita agricultores, organiza mutirões de plantio e planeja escoamento da produção


Mutirão une alunos de projeto de extensão da UFABC e agricultores: alimentos orgânicos a preços mais baixos (Foto: Divulgação/UFABC)
Mutirão une alunos de projeto de extensão da UFABC e agricultores: alimentos orgânicos a preços mais baixos (Foto: Divulgação/UFABC)

Uma cesta com oito tipos de alimentos, todos livres de agrotóxicos, incluindo itens como palmito, mandioca, banana e couve, pode ser comprada por apenas R$ 35 reais. Há opções com menos produtos que saem ainda mais em conta, como a cesta universitária por R$ 15 reais. Os valores custam cerca de 40% a menos do que os encontrados nos mercados convencionais.

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A cada 15 dias, toda a comunidade pode participar da compra coletiva de alimentos orgânicos e agroecológicos por preços como estes. Há três opções de cestas que são entregues em dois campi da Universidade Federal do ABC (UFABC), em Santo André ou São Bernardo do Campo, no ABC. A venda é resultado de um projeto de extensão do Coletivo de Consumo Rural Urbano da universidade.

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São 13 itens à disposição que incluem legumes, verduras, frutas, temperos, além de alimentos que compõem a cesta básica como feijão e farinha. Os alimentos, entretanto, podem variar de acordo com safra e período de cultivo.

Este é um movimento social pela agroecologia, não é só um projeto de extensão. Por conta dele, fazemos debates na universidade, contrapondo o agronegócio. Em muitos lugares, a extensão é deixada de lado. E ela traz um retorno importante para a comunidade

Renata Silva
Técnica da UDABC e coordenadora do projeto

Eles são fornecidos por agricultores do ABC, Região Metropolitana de São Paulo e Vale do Ribeira que produzem alimentos orgânicos ou agroecológicos, estes cultivados “no meio da mata, só com o que a natureza fornece.” O coletivo trabalha com cooperativas e grupos de agricultores, que atuam inclusive em áreas quilombolas.

“Este é um movimento social pela agroecologia, não é só um projeto de extensão. Por conta dele, fazemos debates na universidade, contrapondo o agronegócio. Queremos combater esse paradigma do capitalismo agrário”, diz Renata Silva, técnica administrativa da UFABC e coordenadora do projeto de extensão.

Para Renata, muitas universidades investem em pesquisa e ensino, mas pecam nos projetos de extensão que integram o tripé da missão das instituições públicas. “Em muitos lugares, a extensão é deixada de lado. E ela traz um retorno importante para a comunidade.”

O atual governo, em menos de um ano, liberou o uso de mais de novos 200 agrotóxicos nas lavouras brasileiras. Fato que inclusive, segundo destacou Renata, ajudou a aumentar a procura pelas cestas de alimentos da UFABC.

Mutirões de plantio

Além de intermediar a venda dos alimentos, são comercializadas cerca de 120 cestas todos os meses, a UFABC também faz um trabalho diretamente com os agricultores. Uma equipe de voluntários participar de mutirões de plantio e ajuda a planejar as produções para otimizar o escoamento dos alimentos.

Cesta com oito tipos de alimentos, todos livres de agrotóxicos, por R$ 35: preço 40% mais barato que nos mercados convencionais (Foto: Divulgação/UFABC)
Cesta com oito tipos de alimentos, todos livres de agrotóxicos, por R$ 35: preço 40% mais barato que nos mercados convencionais (Foto: Divulgação/UFABC)

“O coletivo trabalha a alimentação como um ato político: vamos até os produtores entendemos sobre a produção, sobre a atuação deles, muitos são do MST [Movimento dos Sem Terra], quilombolas. Dialogamos com os produtores e tentamos colaborar com mutirões”, explica Renata, ao lembrar que às vezes há troca de alimentos entre os próprios agricultores.

Ela conta que os integrantes do coletivo visitam as “roças”, aplicam pequenos questionários sobre as produções agrícolas que são disponibilizados aos consumidores finais. Atualmente o coletivo está ajudando a desenvolver uma horta mandala em um assentamento do MST em Perus, município de São Paulo.

Renata conta que os produtores rurais mais ensinam os integrantes do coletivo do que aprendem com eles. Ainda assim os agricultores se sentem muito agradecidos porque ao contrário das lojas convencionais, eles podem vender os alimentos sem uma exigência de padrão e o coletivo aceita substituições em caso de intercorrências que afetam o plantio, como chuva ou geada.

“Não há atravessadores explorando o trabalho deles. No mercado, os alimentos que não vendidos, são devolvidos”, afirma Renata, ao reforçar que os produtores rurais recebem 75% dos lucros das vendas, o restante é destinado para cobrir os custos de logística, visitas e material de divulgação. Ela lembra que muitas lojas de orgânicos compram os alimentos a baixo custo, mas embutem lucros abusivos deixando os valores impraticáveis para grande parte do público.

Encomendas

Qualquer pessoa pode adquirir as cestas da UFABC. Elas podem ser encomendadas pelo site https://ccrusolo.wixsite.com/coletivocrusolo. Há opções de R$ 15, R$ 23 e R$ 35 reais. É possível pagar por meio de cartão de crédito ou depósito bancário. As entregas são feitas quinzenalmente nos campi de Santo André e São Bernardo do Campo da UFABC.

95/100 A série #100diasdebalbúrdiafederal pretende mostrar, durante esse período, a importância  das instituições federais e de sua produção acadêmica para o desenvolvimento do Brasil


Escrito por Vanessa Fajardo

Jornalista, trabalha com temas principalmente ligados à educação. Já passou pelas redações do G1, Portal de Notícias da TV Globo, e dos jornais Agora SP e Diário do Grande ABC. Atua como colaboradora da BBC Brasil, Folha de SP, Porvir, Universa e Revista da Gol.

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