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Lazer nos trilhos do metrô, da Barra à Pavuna

Um guia para curtir, de metrô, a gastronomia popular do Rio nos finais de semana, sem poluir e gastando pouco


Os chopes bem tirados e os garçons injustiçados do Bar Lagoa. Foto Berg Silva
Os chopes bem tirados e os garçons injustiçados do Bar Lagoa. Foto Berg Silva

No papel, o projeto de transporte público do Rio de Janeiro é uma beleza, e não é de hoje. Linhas integradas de metrô unindo Centro, Zona Sul, Zona Oeste e Zona Norte, alimentadas pelos trens suburbanos, estão nos planos dos engenheiros de transporte da cidade há mais de 50 anos. Na realidade, porém, essa integração sempre foi muito precária. Mas a recente inauguração da Linha 4, mesmo polêmica e incompleta, já está provocando uma revolução na mobilidade urbana carioca.

Pela primeira vez, é possível atravessar o Rio da Zona Norte à Zona Oeste, cruzando a Zona Sul, em menos de uma hora via transporte público. Morar na Barra e trabalhar no Centro já não é mais um suplício: bastam 35 minutos de metrô entre a Cinelândia e a estação Jardim Oceânico. E agora, com a recentíssima ampliação dos horários de funcionamento da Linha 4 para o fim de semana, o Metrô amplia para os cariocas o horizonte do lazer. Desde o final de outubro, é possível ao morador da Pavuna ir à praia do Leblon ou da Barra sem carro ou ônibus. E também ao bar, ao restaurante, ao sambinha de raiz. Toda uma agenda boêmia, antes pouco acessível, agora se revela pelos trilhos do metrô.

metro-3/Arte Fernando Alvarus

Na condição de pesquisador e contumaz flanador pela gastronomia popular carioca, fui convidado pelo Projeto #Colabora a propor pequenos roteiros etílico-gastronômicos em função desse novo cenário. Programas baratos para se fazer em curtas caminhadas a partir das principais estações das linhas 1, 2 e 4 do Metrô. Comida, bebida e diversão da Barra à Pavuna, sem tirar o carro da garagem, caro leitor:  agora dá.

Estações:

JARDIM OCEÂNICO (LINHA 4)

A primeira e única estação do Metrô na Barra da Tijuca fica bem próxima do coração boêmio do bairro. A poucos quarteirões dali, na direção da Praia do Pepê, o Polo Gastronômico Jardim Oceânico tem mais de 20 opções de bares e restaurantes para quase  todos os gostos. Mas é para os lados da Lagoa de Marapendi que estão alguns dos encantos mais escondidos do bairro (e de todo o Rio de Janeiro) que o Metrô ajuda a revelar.

A apenas cinco minutos de caminhada da estação, atrás do shopping Barra Point, está o cais onde se pode embarcar numa das lanchas que fazem o transporte até a Ilha da Gigóia e sua vizinha bem menos famosa, a Ilha Primeira (a viagem dura cinco minutos e a passagem custa R$ 5). Lá, bem ao lado do cais de desembarque, o Bar do Cícero o espera. No botequim com mesas na beira d’água e telhado de sapê, tomar uma caipirinha de lima da pérsia ladeada por cestinhas de pasteis de siri e camarão é o que há. Para um almoço mais consistente, o arroz de lula é a prata da casa. É programa para uma tarde inteira, que pode se completar com uma caminhada pelas ruelas da Ilha da Gigóia, com direito a um copo da cerveja de fabricação própria no O Poderoso Buteco, um dos mais simpáticos botequins da ilha. É só um minuto e mais R$ 1 de barco até lá.

Na volta, antes de retornar ao metrô, não perca a chance de conhecer a empada de queijo coalho com alecrim da Academia da Cachaça, já eleita uma vez o melhor petisco de boteco da cidade. E se você aprecia a “marvada” (e quem não?), experimente uma dose de Weber Haus e descubra porque as cachaças gaúchas estão desbancando as mineiras no posto de melhores pingas do país. E volte para casa feliz, sem se preocupar com flanelinha, engarrafamento nem Lei Seca.


SÃO CONRADO

A nova estação de São Conrado deveria se chamar Rocinha. Seria mais justo. Afinal, uma das saídas do metrô fica a 100 metros da Via Ápia, o centro comercial da maior favela do Rio. Aos domingos, é ali também que fica o Caminho dos Boiadeiros, há mais de 40 anos a feira livre permanente da Rocinha. Da entrada da favela até o Largo dos Boiadeiros, mais acima, as barracas oferecem de tudo: dos panos bordados pelos artesãos da comunidade a hortaliças frescas (tradição na Rocinha, que já foi uma grande fazenda produtora) e guaiamuns vivos, trazidos por pescadores antes do raiar do dia. Boa pedida é escolher um bem robusto e pedir para cozinhá-lo na panela de um dos inúmeros botequins das redondezas. O preço pelo serviço é consumir, de preferência em grandes quantidades, as cervejas, o pastel e o caldo-de-cana da casa. Se sobrar coragem, contrate um moto-táxi e suba até o mirante Laboriaux, no alto da favela, e descortine toda a Zona Sul. Não precisa nem dizer como a vista é impressionante.


ANTERO DE QUENTAL

É o portal de acesso às tentações do Baixo Leblon, terra de boemia e alta gastronomia. A quatro quadras da estação, a Rua Dias Ferreira oferece mais de 20 opções de restaurantes e bares de todos os estilos gastronômicos e para todos os bolsos. Mas nem só de casa chique vive o Leblon. Apesar de estar sendo varrido sem dó pelo raio gourmetizador que assola a cidade, o bairro ainda é uma referência em termos de botequins populares. Uma caminhada de menos de um quilômetros em torno da estação Antero de Quental é um bom pretexto para se conhecer alguns dos chopes mais bem tirados da cidade. E de quebra saborear petiscos sem igual. Sempre acompanhado de uma caldereta na pressão, comece pelos pasteis de camarão e pela carne seca com aipim do Jobi, o mais famoso e tradicional do bairro, e por isso mesmo imperdível. De lá, caminhe até a Rua Dias Ferreira e retorne por ela até dar com os costados no Chico & Alaíde. Peça o “choquinho de camarão” e seja feliz. Se não for suficiente, escolha um croquete de carne assada. Para mim, o melhor do Rio. Dali, siga caminhando até dobrar na Rua José Linhares e alcançar o Bracarense, onde não pedir um bolinho de camarão com catupiry é como ir à Roma e não ver o Papa. Tome mais um chope, complemente a fome com um sanduíche de pernil e retorne à estação, que estará a apenas três quadras dali.


NOSSA SENHORA DA PAZ

A estação do centro de Ipanema não está cercada apenas de sofisticação por todos os lados. Ali também tem tradição e gastronomia popular. No quarteirão ao lado, na rua Vinícius de Moraes, está o Bar Garota de Ipanema, o antigo Veloso, onde o poetinha e Tom Jobim compuseram sua música mais famosa. Mas ali fique só no chope e no clima nostálgico. Para começar a comer, caminhe até a praia e, pé na areia mesmo, peça um sanduíche de linguiça e uma cerveja Pilsen de 900ml na Barraca do Uruguay, bem ao lado do Posto 9. Uma refeição com legítimo sabor cisplatino.

Já se você preferir seguir para o lado oposto da estação – na direção da Lagoa Rodrigo de Freitas – um destino é certo: o varandão do Bar Lagoa, o restaurante alemão mais carioca do planeta. Não se deixe abalar pela cara feia dos garçons e peça, junto com o chope schnit perfeitamente bem tirado, uma porção de steak tartar feito na hora, ao lado da mesa. Para acompanhar, salada de batata ou chucrute. Na volta à estação, mostre que você é dos fortes e encoste o cotovelo para um último chope no balcão engordurado do Popeye, o único botequim de Ipanema que ainda serve sardinha empanada do jeito tradicional, na forma de “frango marítimo”.

A porção de "besteiras" e um dos ótimos drinks do Astor. Foto Berg Silva
A porção de “besteiras” e um dos ótimos drinks do Astor. Foto Berg Silva


GENERAL OSÓRIO (LINHA 1)

A estação dá acesso direto à Lagoa Rodrigo de Freitas, bem próximo ao Parque da Catacumba e a poucos metros do Palaphita Kitch, quiosque chique especializado em comida amazônica e drinques de frutas exóticas, servidos ao ar livre e com uma vista espetacular. Mas é um lugar caro… Para experiências mais pé no chão, sugiro uma volta pelas cercanias da Praça General Osório mesmo, onde está, por exemplo, o simpático botequim Canastra, um pé-sujo de inspiração francesa e alma carioca que serve vinhos, espumantes e queijos no meio da rua, num clima de bar de faculdade. Na própria praça, o Zig Zag sustenta com louvor o posto de boteco mais antigo do bairro. Tem 64 anos de idade. Sua principal munição, um bolinho de bacalhau feito com massa de coxinha, gostoso e original. Mas se você quiser andar da estação até os lados da praia, considere visitar a varanda do Astor, na Avenida Vieira Souto. Neste pé-limpo de origem paulista que soube captar como ninguém o espírito carioca, as porções de “besteira”, feita de bife a milanesa com queijo, e os croquetes de mortadela são as mais saborosas. Mas não exagere, porque o lugar também não é barato. Na volta à estação, a sobremesa pode ser um sorvete sem conservantes no Felice Café, já a poucos metros da praça. É o melhor sorvete de pistache do Rio.


CANTAGALO

É o acesso mais rápido às delícias do Posto 6, na Praia de Copacabana. Mas, entre a estação e a praia, uma parada obrigatória: a Adega do Cesare, na Rua Joaquim Nabuco, tem a melhor empadinha de camarão da Zona Sul. Melhor ainda se for saboreada não no salão do restaurante, mas no bar anexo, sentado num dos barris de chope que fazem as vezes de mesa na calçada. Ao chegar na areia da praia, outro segredo carioca: na peixaria Z13, da colônia de pescadores do Posto 6, é possível comprar ostras fresquíssimas todo o sábado de manhã, preparadas em porções individuais para comer ali mesmo, bem temperadinhas com limão, ladeadas por cerveja gelada que os próprios pescadores também vendem, em grandes isopores. O Forte de Copacabana, ali ao lado, oferece uma opção mais chique mas nem por isso menos carioca: o café da manhã servido à sombra das amendoeiras pelas garçonetes do Café 18 do Forte, filial da Confeitaria Colombo, é uma experiência inesquecível. Já para os apetites musicais, o caminho é direto para o Bip Bip,  botequim das famosas rodas de samba e choro que fica a menos de 500 metros da estação.

Os petiscos imperdíveis da Adega Pérola. Foto Berg Silva
Os petiscos imperdíveis da Adega Pérola. Foto Berg Silva


SIQUEIRA CAMPOS

A estação Siqueira Campos está a uma curtíssima distância de dois dos melhores botequins do Brasil. Um deles é o premiado Adega Pérola, que fica bem em frente. De inspiração ibérica, o bar fundado em 1957 tem um balcão com mais de 40 petiscos do mar e da terra, sempre frescos. Meu preferido é o polvo ao vinagrete, mas as linguiças ao vinho, a salada “pérolas do mar”, feita à base de alho, e o inusitado “rolmops”, um enrolado de peixe cru muito comum na Europa e raríssimo por aqui, merecem uma chance também.

O outro bar que exige uma visita nesse percurso a partir da Siqueira Campos é o Pavão Azul. Fica a duas quadras da estação, na rua Hilário de Gouveia. É a casa das famosas pataniscas de bacalhau. Essa versão lisboeta dos bolinhos não leva batata, só ovo, e aqui no Rio dificilmente é encontrada em outros botequins. O Pavão Azul, outrora um discreto pé-sujo, hoje é uma referência no bairro e vive lotado, principalmente aos sábados e domingos à tarde. Mas nada que não possa ser arranjado com a ajuda das simpáticas donas Beth e Vera. Ali, nenhuma bunda fica de fora.


CARDEAL ARCOVERDE

A Cardeal Arcoverde, por si só, é uma atração. A mais profunda das estações do Metrô carioca exibe, em suas paredes, tetos e chão de pedra, uma variedade de mais de 20 tipos diferentes de rochas brasileiras. Ela também fica ao lado da entrada para o Parque Estadual da Chacrinha, um dos últimos redutos de Mata Atlântica na Zona Sul da cidade. Já nas suas cercanias, os redutos são boêmios mesmo. Uma breve caminhada à direita, pela Rua Barata Ribeiro, leva até o Real Chopp, botequim português cheio em petiscos deliciosos. São mais de 30 opções no cardápio. Algumas inusitadas, como o quibe de bacalhau, e algo que pouco se vê hoje nos botequins da Zona Sul: jiló.

Caminhando para a esquerda está o Galeto Sat’s, eleito o melhor galeto do Rio e dono de uma excelente carta de cachaças. Se você não conhece os galetos tradicionais da casa, como molhos de limão, alho, laranja ou uma sensacional mistura dos três, ataque-os. Se não for o caso mais, experimente então a porção de sobrecoxa no molho de cachaça. Um portento grelheiro. Entre as mais de 200 opções de cachaça, peça uma dose da rara Âmbar, a preferida dos donos Sérgio e Elaine. Se tiver a chance, entabule uma conversa e pergunte-os por quê. Ao sair, você dará graças a Deus de não estar dirigindo.


BOTAFOGO

Quem chega à Estação Botafogo com fome de cultura está no lugar certo. Num raio de poucos metros dali há seis salas de cinema e três livrarias. Coisa raríssima no Rio. Mas quem chega ali com fome de comida mesmo, ou com aquela vontade de beber, também não tem do que reclamar. A saída principal da estação está a nada menos que 30 metros de uma das mais conceituadas choperias da cidade, a Colarinho, e de mais uma pá de outros bares e restaurantes que se espalham pela rua Nelson Mandela, onde praticamente todos os endereços são gastronômicos. Meu preferido é Galeto Liceu, filial do tradicionalíssimo restaurante popular que existe há mais de 70 anos no Largo da Carioca. No quesito tradição, a outra saída da estação – que dá para a Rua São Clemente – também não fica atrás: logo em frente está o bom e velho Restaurante Bismarque. Lá, a feijoada de sábado e o cozido de domingo (especialidade da casa) servem até três pessoas, por meros R$ 40. Para paladares mais juvenis, a 50 metros dali está o melhor hambúrguer da cidade na opinião deste repórter: o Hell’s Burguer, feito com um blend de filé de costela e bacon. E nos sábados à noite, é a própria praça da estação que vira uma movimentada feira de rua, com barracas de comidas para todos os gostos.


FLAMENGO

Uma estação que fica na rua do restaurante mais antigo da cidade merece reverência. É o que acontece aqui. No Flamengo, o metrô é quase vizinho do Lamas, um dos templos da boemia nacional. Hoje, além dos tradicionais pratos que já foram mais bem servidos, mais ainda são fartos (a língua e o filé à milanesa encabeçam as minhas preferências), e do chope excepcional servido por exímios garçons, há ainda o café da manhã, oferecido em mesinhas na calçada. Um achado para as manhãs de sábado e domingo.

O Lamas por si só já valeria uma parada nessa estação, mas há mais, há mais, caro leitor. A uns 50 metros dali, na Rua Barão do Flamengo, também seria imperdoável a quem flana pelo Flamengo não conhecer o Tacacá do Norte, uma das poucas lanchonetes da cidade especializada em petiscos amazônicos. Além do próprio tacacá – um caldo de tucupi, goma de mandioca, jambu e camarão, servido numa cuia – prove também as unhas de caranguejo. Mas não se esqueça de pedir junto uma long neck de Cerpa, a genuína cerveja paraense. Ou uma bela taça de açaí.

O tradicional sanduíche de milanesa com queijo do Bar Madrid. Foto Berg Silva
O tradicional sanduíche de milanesa com queijo do Bar Madrid. Foto Berg Silva


LARGO DO MACHADO

Muitos turistas que saltam no Largo do Machado para se deslocar até o Cristo Redentor nem desconfiam que, ali do lado, há um símbolo árabe da melhor qualidade no Rio de Janeiro: as esfihas de queijo e de carne da Rotisseria Sírio e Libanesa, são, por Alá, as melhores da cidade. Fica na Galeria Condor, ao lado da estação. Também próximo dali, a não mais que 300 metros, no começo da Rua das Laranjeiras, está o centenário e simpático Mercadinho São José das Artes. Que abriga, entre outros, o Bar Botero, um botequim simples mas com um cardápio que cria tanto gordices simples e calóricas quanto inspirações de alta cozinha. Lá, é possível começar a tarde com canapés de tomate confit com ovo de codorna e terminar com um sanduíche de roupa velha com queijo. Para beber, cerveja artesanal de primeira ou Brahma mesmo. Você escolhe.


CATETE

Sem esquecer que a estação fica em frente ao Museu da República – um dos símbolos da história recente do Brasil e que portanto merece uma visita também – o circuito etílico-gastronômico do metrô do Catete pode começar por outro símbolo de um Rio que não existe mais. O Britain Bar, mais conhecido como Bar do Zé, na ladeira da rua Barão de Guaratiba, parece até cenográfico. Cercado pelo casario também antigo, o calçamento de pedra de uma ladeira que parece esquecida na história, o bar é uma pérola dos tempos em que os botequins também eram mercearias. Passar algumas horas preguiçosas ali, ao lado de amigos e cervejas geladas, é um programa por demais carioca. O que comer? Não importa. O que se alimenta aqui é o espírito. O bar fica oficialmente na Glória, mas o acesso pelo metrô do Catete é muito mais rápido.

E se você gostar demais da dica e ficar no Bar do Zé até de noite, que tal caminhar um pouco para dentro do bairro e conhecer uma outra ladeira? Desta vez, a da rua Tavares Bastos, na comunidade simples mas absolutamente segura que abriga o bar e albergue The Maze, especializado em apresentações noturnas de jazz. Os shows na laje da casa, com vista para o Centro da cidade, são muito concorridos. É um lugar adorado por turistas estrangeiros, mas nem por isso menos interessante para os cariocas. A meio caminho entre as duas ladeiras está uma das pizzarias mais originais do Rio atualmente. A Ferro e Farinha, de inspiração nova-iorquina, oferece receitas inusitadas, que deixam o pequeno restaurante lotado praticamente todas as noites. Se for sua primeira vez lá, ataque sem dó a pizza de quatro queijos, feita com ricota, mussarela fior di late, gorgonzola e grana padano. Tudo com um toque de mel picante. Inesquecível.


GLÓRIA

Aos sábados de manhã, a estação da Glória coloca o passageiro que ali desembarca no meio de programa delicioso: a feira orgânica do bairro, um dos poucos locais do Rio onde se pode encontrar produtos sem agrotóxicos a preços razoáveis. Já aos domingos, a feira livre tradicional do bairro ocorre quase no mesmo local e conta com uma atração a mais: uma maratona de rodas de samba de primeira e carrocinhas de comidas de rua, que transformam a Rua Augusto Severo, ao lado da estação do metrô, numa festa semanal. Programa para quem é bom de boca e de pé. Se bater uma fome mais forte, uma boa ideia é subir a ladeira Santa Cristina até a Pizzaria do Chico, um lugar com jeito de botequim, preço de botequim e cardápio de pizzaria italiana. Pizzas deliciosas (como a Genovese, de atum com abobrinha e gengibre) são servidas em forma de alumínio, para comer com as mãos. E sair lambendo os beiços.


CINELÂNDIA

As opções gastronômicas na Cinelândia nos finais de semana não são numerosas. Mas uma delas é imperdível: é aos domingos, na feijoada musical do Teatro Rival, com direito a roda de choro e comida  a cargo das chefs Kátia e Bianca Barbosa, do Aconchego Carioca. Começa ao meio-dia e vai até as 18h, ainda a tempo de visitar a belíssima Livraria Cultura, instalada no prédio art-decó de quatro andares do antigo Cine Vitória, na Rua Senador Dantas. Além de ser a mais bonita da cidade, funciona como um centro cultural e tem até um espaço para eventos gastronômicos, jantares e degustações. Funciona sábado o dia inteiro, mas não abre aos domingos.


CARIOCA

Esta é a estação mais próxima do Boulevard Olímpico. Em 15 minutos de caminhada, chega-se à Praça Quinze, de onde se pode andar – em meio a um sem número de food trucks – até a Orla Conde e de lá até a Praça Mauá. A Praça Quinze, porém, guarda dois dos únicos restaurantes do Centro que permanecem abertos durante todo o fim de semana: o Ancoramar (antigo Albamar) e o Bistrô do Paço. Tradicional, o Ancoramar aposta em frutos do mar, com uma levada turística por conta da vista que oferece para a Baía de Guanabara. O Bistrô, dentro do Paço Imperial, tem um dos mais concorridos picadinhos do Centro.

Mas se você for caminhar até a Praça Mauá, não perca a chance de subir o Morro da Conceição pela Ladeira João Homem. Lá, sente-se na varanda do Bar Imaculada, um mix de botequim com galeria de arte que oferece um petisco quase sagrado no Rio: o “Santíssima trindade”, uma porção de fígado, moela e coração de galinha, acepipes tradicionais dos subúrbios mas cada vez mais raros nos bares do centro e da Zona Sul. Aos domingos, o Imaculada serve um excelente cozido. Só tome cuidado porque aos domingos o bar fecha às 17h. Hora ideal, porém, para se descer o morro, desta vez pela rua do Jogo da Bola, e seguir até o Largo de São Francisco da Prainha. Lá, prove o tradicional sarapatel do Angu do Gomes. Se a fome não for para tanto, a punheta de bacalhau do Vovô Basílio satisfaz.


URUGUAIANA

Para muita gente, a Uruguaiana é a estação das compras. Saara e o Camelódromo estão bem ali do lado. Mas para o explorador das delícias gastronômicas do Rio, é a Casa Paladino que atrai. Basta seguir pela Rua Uruguaiana e atravessar a Avenida Presidente Vargas para chegar até a centenária casa das fritadas de bacalhau, sardinha e camarão. Os imensos sanduíches trios, com três recheios à escolha, também são uma marca registrada. O ambiente ali dentro é uma viagem no tempo, com as paredes e o relógio de madeira sobre o salão com cristaleiras, onde as mesas ainda dividem espaço com as prateleiras de produtos e o imenso balcão de secos e molhados. Mas lembre-se: a casa fecha aos domingos e nos sábados só abre de manhã. Nesse caso, pode-se caminhar facilmente da Uruguaiana até outra lenda do centro da cidade, a Confeitaria Colombo, que também fecha aos domingos mas funciona sábado o dia inteiro. Se você por acaso nunca comeu a coxa-creme da Colombo, trate de resolver esse problema o quanto antes…


PRESIDENTE VARGAS

Se você quer evitar ou já conhece o Boulevard Olímpico, um ótimo atalho para se chegar ao Largo de São Francisco da Prainha e a Pedra do Sal, o local onde o samba nasceu, é a estação Presidente Vargas. Dela, segue-se pelas ruas Alexandre Makenzie e Camerino até chegar na rua Sacadura Cabral, onde está a Pedra do Sal e outras casas de samba famosas, como o Trapiche Gamboa. No caminho, o casario do centro antigo revela um Rio de Janeiro do tempo dos escravos (como a Praça dos Estivadores e o Jardim Suspenso do Valongo) e também o bom e velho Sentaí, restaurante de frutos do mar especializado em lagostas, cabritos, empadas de camarão e docinhos portugueses. Mas não pense muito: peça a lagosta no molho branco com catupiry, que dá para até três pessoas. Os pastéis de lagosta também são imperdíveis, assim como uma boa conversa com o dono, seu Rodrigues, um português duro na queda que conseguiu manter o negócio de pé mesmo passando seis anos com o restaurante praticamente inacessível, por causa das obras de revitalização do centro.


CENTRAL DO BRASIL

O metrô da Central do Brasil é a única estação da Linha 1 que conversa com os ramais de trem do subúrbio. Quem vem de Saracuruna, Santa Cruz ou Deodoro desembarca aqui para seguir viagem de metrô até a Zona Sul e a Barra. E o que há para fazer próximo da Central do Brasil? Muita coisa, caro leitor. À noite, encarar a Gafieira Elite logo ali em frente, a segunda mais antiga do Rio, é uma aventura para audazes. De dia, é preciso caminhar um pouco mais pelo centro velho para deparar-se com outro medalhão da boemia popular carioca: o restaurante Vieira Souto, na Praça da Cruz Vermelha. Apesar do nome nobre, a casa é simples e farta: seu filé com fritas é de guardar na memória. Uma caminhada mais longa, quase até os confins da Lapa, descortina outro tesouro: o Armazém Senado abriga rodas de samba e jazz todo sábado à tarde. A música, que já é boa por si só, fica ainda mais fascinante na soma com o cenário: uma mercearia de secos e molhados inaugurada em 1906 e praticamente sem alterações desde então. Daquelas que só serve tremoço e salaminho, e até hoje preserva o gato da família andando pelo salão. Belíssimo.


ESTÁCIO

Nos finais de semana e feriados, a estação do Estácio é fundamental no trajeto entre a Pavuna e a Barra. Nesses dias, é apenas por ali que se consegue fazer a transferência entre as linhas 1 e 2. O que não chega a ser um problema para quem está em busca de lazer barato, ainda mais gastronômico. A cerca de 600 metros da estação, na Rua Laura de Araújo, o Baródromo é um espécie de “bar temático” do carnaval da Marquês de Sapucaí. Todo sábado, o bar serve uma excelente feijoada, sempre regada a samba-enredo ao vivo, num ambiente que traz relíquias musicais e visuais da avenida. São antigas fantasias, pedaços de carros alegóricos e centenas de fotos espalhados pelos dois andares da casa. Agora, se você procura algo ainda mais enraizado na cultura carioca, experimente a costela na brasa com batatas bravas do Bar do Fernandão, na rua Sampaio Ferraz. É pé-sujo e tanto, uma aventura para os fortes. Mas é tão concorrido que é preciso passar lá antes e fazer reserva.

 AFONSO PENA

As opções são infindáveis para um passeio – gastronômico, boêmio ou ambos – nas imediações da Afonso Pena. Tudo questão de gosto e temperamento. Ansioso que sou, minha primeira sugestão é ir direto ao jovem Bar Madrid, a menos de 400 metros da estação, na rua Almirante Gavião, e traçar sem dó o obrigatório sanduíche de filé à milanesa com queijo. Se estiver com tempo, antes peça um jiló gratinado com camarão, ou os croquetes. Para beber, nestes tempos de calor, o vinho de verão, drinque refrescante tipicamente espanhol, é uma ótima alternativa às cervejas de sempre.

Num passo mais curto, tradicional e tranquilo, caminhar pela Rua Afonso Pena até as empadas do Salete, velhas de guerra e de massa sempre leve, é um programa de respeito. Especialmente se, entre uma empada de camarão, frango ou palmito, você reparar no salão bem preservado dos anos 50, com chão em xadrez alvinegro e azulejos azuis e brancos. Na volta à estação, o Bar do Chico não tem nada de tradicional, mas é brasileiro até a alma. Nordestino, para ser mais exato. A carne de sol impera, e não há escolha melhor. A não ser aos domingos, dia de feijoada, que merece ser introduzida pedindo-se um copo com o caldinho dela, para ser saboreado ao lado das cervejas sempre geladíssimas, estilo canela de pedreiro, que moram nas geladeiras da casa.

Vale lembrar também, andarilho leitor, que a Afonso Pena é a opção na Linha 1 para se caminhar até os bares e restaurantes do pólo gastronômico da Rua Barão de Iguatemi (mais detalhes no texto sobre a estação São Cristóvão).

SÃO FRANCISO XAVIER

Atrás da igreja que domina a saída da estação São Francisco Xavier, esconde-se o simpático restaurante japonês Mitsuba, uma casa oriental com espírito carioca, e dona do melhor Hot Filadelfia da cidade. O Mitsuba fica a não mais que 300 metros da estação, na direção do estádio do Maracanã. Quase ao lado, dobrando a esquina da Rua Mariz e Barros, está o restaurante Otto, outro símbolo gastronômico da Tijuca, um dos mais tradicionais do bairro. No inverno, seus fondues são famosos. Para estes tempos quentes de verão, recomendo o palmito grelhado, acompanhando qualquer uma das opções de carne do cardápio em estilo suíço-alemão da casa, que tem até a piano no salão. Na volta para a estação, note o trailer que vara as madrugadas vendendo cachorro-quente, bem ao lado da igreja de São Francisco Xavier. É o melhor “podrão” da Tijuca.

SAENS PEÑA

Bem em frente à saída principal do Metrô da praça mais importante da Tijuca, está um monumento aos tempos em que a Saens Peña era o principal centro de lazer da Zona Norte, salpicado de cinemas, bares e restaurantes. Hoje, ao lado dos cinemas que viraram igreja, ainda resiste bravamente a tradicional Cafeteria Palheta. Não é mais a loja imensa de outrora, mas ainda vale a experiência de encostar no balcão para um café. E já que os tempos são outros, que tal seguir 100 metros pela Rua Major Ávila e conhecer o hambúrguer artesanal do Bucaneiros? Sem dúvida o melhor do bairro, e um dos melhores da cidade. E ainda serve um cachorro-quente de linguiça que é especial… Do lado oposto da praça (mas também a não mais que 100 metros da estação) está um segredo tijucano: os quibes, esfihas e kaftas do Camelos, uma lojinha porreta de culinária árabe. Disputadíssima.

O campeão de audiência do Bar do Momo, na Tijuca. Foto Berg Silva
O campeão de audiência do Bar do Momo, na Tijuca. Foto Berg Silva
URUGUAI

A impressão que dá é que o Metrô só abriu a estação da Rua Uruguai, 30 anos atrás, para que os cariocas hoje pudessem conhecer duas das maiores maravilhas da gastronomia popular de Rua e do Brasil. A 200 metros da estação está o Bar do Momo, responsável por elevar a comida de botequim a um patamar de excelência, sem deixar de ser simples. Seu “farol de milha”, um prato com carne assada mergulhada em molho com um ovo estalado boiando por cima, está entre as referências dessa casa sempre lotada, que nos dias mais quentes vende mais de 1500 “bolinhos carnavalescos”, feitos de arroz com queijo e linguiça. E tem muito mais. Só indo lá para ver. Um pouquinho mais distante – a cerca de um quilômetro dali – e bem mais jovem, o Bar da Gema segue a mesma tendência. Sua lasanha de jiló já é um clássico. O pastel de feijão gordo, meu petisco preferido. Mas é a coxinha da casa, considerada a melhor do Brasil, que anda fazendo história. Só que atenção: só é servida às terças-feiras. Nos finais de semana, há que se contentar “apenas” com todo o resto de gostosuras que a casa tem para oferecer, ao lado de cervejas sempre geladas. Retornando à estação, mesmo que o bucho já esteja cheio, vale fazer um pequeno desvio até a Praça Comandante Xavier de Brito (a Praça dos Cavalinhos) só para conhecer o Bar do Pavão, dono da feijoada mais variada do Rio. Servida a quilo, oferece mais de 20 tipos diferentes de carnes e linguiças.

SÃO CRISTÓVÃO (LINHA 2)

Passando ao largo do Zoológico, do Museu Nacional e de outras atrações da vizinha Quinta da Boa Vista, o passeio a partir da estação de São Cristóvão nos leva a um botequim que chama a atenção primeiro pelos azulejos diferentes, com desenhos de frutas. Depois, pela empada que oferece. O Jardim da Quinta faz, há mais de 50 anos, uma empada de massa podre rara de se encontrar por aí. Mas é um bar simples e pequeno. Apenas um aperitivo para, caminhando-se um pouco mais pela mesma Rua São Cristóvão, chegar-se à Casa do Sardo, especializada em comida siciliana, que já se firmou como uma das melhores cantinas italianas da cidade. O restaurante fica quase em frente à pequena vila operária Bairro Santa Genoveva, uma joia arquitetônica conhecida como a “Montmartre carioca”, e que fará um século de vida no ano que vem.

Caminhando para o lado oposto da estação, na direção da Praça da Bandeira, chega-se ao pólo gastronômico da rua Barão de Iguatemi e adjacências. Ali está, por exemplo, o Aconchego Carioca, o ex-botequim da consagrada chef de cozinha Kátia Barbosa, que hoje é um dos mais conceituados restaurantes de comida brasileira da cidade, criador dos celebrados bolinhos de feijoada. Em frente, outro ícone: o Bar da Frente, que com seus petiscos criativos já foi premiado mais de uma vez como o melhor botequim do Rio. Experimente o harumaki suíno da casa, batizado de “porquinho de quimono”, e o fondue de coxinha, que dispensa explicações.

E não é só: ao longo da Barão de Iguatemi, multiplicam-se as opções. Da Noo Cachaçaria à excelente cervejaria do Botto, passando pelo novo Bar da Dida, especializado em comida afro-brasileiro, tem para todos os gostos e bolsos.

MARACANÃ

Mesmo em dias sem jogo, descer nesta estação para visitar o maior estádio do mundo é um ótimo programa. O Museu do Futebol está aberto todos os dias, inclusive domingos e feriados. Além da exposição permanente do museu, é possível agendar visitas guiadas que vasculham as entranhas do templo do futebol, com direito a conhecer até o gramado e os vestiários. Mas esqueçamos futebol. Uma vez fora do Maraca, caminhar pelas calçadas musicais do Boulevard 28 de Setembro – que começam com a famosa escultura de Noel Rosa e seu garçom, recentemente restaurada e reinstalada – descortina muito da boemia da Vila Isabel. O Petisco da Vila é um ponto tradicional, mas em decadência. Segredo melhor e mais bem guardado é o Gato de Botas. O bar do Seu Agostinho, figura lendária no universo boêmio da Vila, oferece um dos melhores balcões de petiscos do Rio e, sem dúvida, o melhor bolinho de vagem da cidade. O Boulevard 28 de Setembro é o caminho também até a quadra da Unidos de Vila Isabel e, mais adiante, o Clube Renascença, já quase no Andaraí, cuja programação a preços populares dos finais de semana culmina sempre com o consagrado Samba do Trabalhador, de Moacyr Luz, às segundas-feiras.

TRIAGEM

Não chega a ser assim do ladinho, mas é plenamente possível chegar a pé, a partir da estação de Triagem, em dois ícones da gastronomia popular carioca que ficam no bairro vizinho de Benfica: o Bar Adonis e o Zinho Bier. Tombado como Patrimônio Cultural Imaterial do Rio, o Adonis é uma atração turística da cultura portuguesa no subúrbio. Seu chope, várias vezes premiado, compõe perfeitamente com os bolinhos de bacalhau, para muitos o melhor da cidade, e outros pratos à base do popular Gadus morhua. A dois quarteirões do Adonis, na mesma rua São Luiz Gonzaga, o Zinho Bier oferece uma rara costela no bafo que chega à mesa cercada de acompanhamentos, que dão para alimentar um batalhão. Dizem que só perde para a costela no bafo do bar Cachambeer, no Cachambi, próximo da estação de Del Castilho.

A estação de Triagem também está relativamente próxima do Cadeg, o Centro de Abastecimento do Estado da Guanabara, que nos últimos anos transformou-se num concorrido centro gastronômico. A caçarola de coelho do restaurante Barsa, servido numa travessa para até seis pessoas, é um épico.

MARIA DA GRAÇA

Maria da Graça há muitos anos é referência na gastronomia popular da cidade graças a seu mais ilustre representante nessa área: o Bar Amendoeira, reduto da boemia suburbana e mais um dos bares tombados como Patrimônio Cultural Imaterial do Rio. Quando César Resende, o fundador do bar, era vivo, o Amendoeira era bem mais cultuado. Mas ainda hoje, sob o comando de sua filha, o bar preserva o melhor de sua tradição. Especialmente com o chope bem tirado e os bolinhos de abóbora com carne-seca. O bar fica a cerca de 600 metros da estação de Maria da Graça.

NOVA AMÉRICA / DEL CASTILHO

A estação fica praticamente dentro de um dos maiores templos de consumo e entretenimento da cidade. O Shopping Nova América tem cerca de 300 lojas, mais de 20 bares e restaurantes, e cinema com sala 3D. Na Rua do Rio, que concentra as atrações gastronômicas do shopping, um dos destaques é a filial do Petisco da Vila. O bar mantém ali ao lado, na Cachaçaria do Petisco, um alambique onde fabrica a sua própria cachaça, de alta qualidade. Vale experimentar.

Um pouco mais distante, uma caminhada de cerca de 600 metros pela Avenida Dom Helder Câmara não te leva ao paraíso mas chega perto: o Cachambeer, bar preferido do prefeito Eduardo Paes e de milhares de cariocas que nos últimos anos viraram fãs da gigantesca costela no bafo da casa, assadas na calçada. O Cachambeer também se gaba, sem exageros,  de ter o mais abundante pastel de camarão do Rio, e um dos pratos mais icônicos da malandragem carioca: o “infarto completo”, que leva linguiça, torresmo, aipim, carne de sol, farofa e coração de galinha em mais de 3 quilos de petiscos e 5 mil calorias. Um fenômeno.

VICENTE DE CARVALHO

A estação de Vicente de Carvalho fica bem no meio de um dos trechos mais áridos em termos opção de lazer da cidade. Aqui, porém, o Parque Natural Municipal do Jardim do Carmo, a 500 metros da estação, é um oásis de natureza e lazer nessa região normalmente esquecida pelo poder público. O Shopping Carioca, também bem próximo, é outra opção de lazer variado. Mas é praticamente na frente da estação que está uma das atrações mais procuradas em Vicente de Carvalho: a Adega D’Ouro, um dos mais tradicionais botequins portugueses do Rio de Janeiro e dono de um imperdível bolinho de bacalhau. A varanda do bar do seu Manuel Gonçalves, com vista para a Avenida Automóvel Clube, vive lotada no finais de semana. Na Páscoa e no Natal, a massa do bolinho, que também é vendida congelada, provoca longas filas na porta.

IRAJÁ

A não ser que você esteja interessado em subir as escadarias celestiais do Monte Escada de Jacó, bem em frente ao Metrô, a estação de Irajá exige pernas poderosas para quem quer dela partir para conhecer as delícias da região. Elas são poucas, mas existem. O Balle Pub, a cerca de um quilômetro da estação, talvez seja o único pub londrino do subúrbio, com direito a pista de dardos, cervejas europeias e shows de rock. Já o Graça da Vila, já na Vila da Penha mas também a menos de um quilômetro da estação, é considerado o melhor restaurante a quilo da região. A área abriga também a filial de um dos melhores bares de toda a cidade, o Original do Brás, bi-campeão do Concurso Comida di Buteco. Um de seus maiores trunfos atende pelo nome de “doce refúgio”: um lombinho folheado com molho de tamarindo. A cerveja é sempre estupidamente gelada, mas o lugar merece que se peça também uma cachaça, em homenagem a memória de Luis Carlos da Vila, patrono do lugar. Nesse caso, vá de “Volúpia”, uma paraibana que é a preferida do dono, o Zé Carlos, outra lenda do subúrbio carioca.

ACARI/FAZENDA BOTAFOGO

É uma aventura e tanto. Mas descer na estação de Acari num domingo de manhã e dar de cara com a famosa Feira de Acari – que já foi conhecida como “Robauto”, tamanha era a quantidade de produtos de procedência duvidosa que ali se vendia – pode ser uma experiência bem legal. Esquecendo-se os celulares e peças de automóveis claramente roubados que até hoje se espalham pelas barraquinhas e lonas espalhadas no chão todo final de semana, a feira é um produtivo garimpo para quem procura temperos e folhas do Norte e do Nordeste, objetos antigos, eletrodomésticos usados e quinquilharias em geral.

PAVUNA

“A Dona Cebola que estava invocada/Ela deu uma tapa no Seu Pimentão”. Os versos são do clássico samba “Feirinha da Pavuna”, que Jovelina Pérola Negra compôs lá mesmo, quando testemunhou uma briga enquanto comprava legumes. Hoje com mais de 40 anos de atividade ininterrupta, a feirinha que fica ao lado do Metrô é considerada um xodó do bairro, e há dois anos chegou a ser cotada para virar patrimônio imaterial da cidade. Na gastronomia, o bairro só tem duas referências: o restaurante D’gust Carioca, de comida variada e o Bar Lampião, a poucos metros da divisa com o município de São João de Meriti. A casa é especializada em comida nordestina, e serve um jabá com jerimum que vale a viagem até a última estação da Linha 2.


Escrito por Juarez Becoza

É colunista de botequim, pesquisador e guia de turismo etílico-gastronômico no Rio de Janeiro. Há 15 anos explora os segredos da gastronomia popular carioca para a sua coluna Pé-Sujo, no jornal O Globo, e para o quadro Beco do Becoza, na Rádio Globo. Também é curador de bares do Guia Boni & Amaral de Gastronomia. Aos sábados, leva turistas do mundo inteiro para explorar in loco a culinária carioca, do subúrbio à Zona Sul, no Bonde do Becoza.

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