Das janelas do trem parador, a poesia do subúrbio

Uma cidade sem praia, sem turistas e sem fotos nas revistas, mas sempre maravilhosa

Por Custodio Coimbra | ODS 11 • Publicada em 23 de fevereiro de 2021 - 09:01 • Atualizada em 24 de fevereiro de 2021 - 08:28

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“Lá não tem frescura nem atrevimento

Lá não figura no mapa

No avesso da montanha, é labirinto

É contra-senha, é cara a tapa”

Na canção “Subúrbio”, Chico Buarque fala em casas sem cor, ruas de pó, sem vaidade. No subúrbio do poeta Custódio Coimbra, as ruas que esbanjam cor, rimam com o Parador, misturam os trilhos da Central com os brilhos dos luminosos. O ritmo é outro, na vida dos moradores, nas quadras das escolas de samba ou na feira de São Cristóvão. Uma cultura musical e malandra que transforma o cidadão suburbano no mais típico dos cariocas.

Nas lentes do fotógrafo, um passeio por alguns dos monumentais símbolos da cidade, conjuntos habitacionais históricos e a tradicional mistura de estilos na construção das casas. Começando pela Central do Brasil, passando pelo Sambódromo, a Quinta da Boa Vista e as ruínas do Museu Nacional. Do Maracanã e da UERJ até o Mercadão de Madureira, um desfile de cores, sons e gente. Esse sim, o ingrediente que faz do subúrbio espaço privilegiado do Rio. Uma cidade sem praia, sem turistas e sem fotos nas revistas, mas sempre maravilhosa.

Custodio Coimbra

Fotógrafo de imprensa há 36 anos, Custodio Coimbra, 61 anos, passou pelos principais jornais do Rio e há 25 anos trabalha no jornal O Globo. Nascido no Rio de Janeiro, é hoje um artista requisitado entre colecionadores do mercado de fotografia de arte. Além de fotos divulgadas em jornais e revistas mundo afora, participou de dezenas de mostras coletivas no Brasil e no exterior. Tem sua obra identificada com a história e a paisagem do Rio de Janeiro.

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