Cidade do futuro aos pés do Monte Fuji

Toyota planeja empreendimento como laboratório para carros autônomos, casas inteligentes e outras tecnologias urbanas

Por José Eduardo Mendonça | ods11 • Publicada em 2 de março de 2020 - 11:15 • Atualizada em 10 de março de 2020 - 19:02

Projeto de cidade do futuro apresentado pela Toyota: carros laboratório para carros autônomos, casas inteligentes e outras tecnologias (Foto: Reprodução)

O Monte Fuji pode ser a maior referência gráfica do Japão, retratado em uma série de 42 gravuras  pelo mestre Hokishika Hokusai, e datadas de 1832. Agora, uma montadora de automóveis vai construir em seu sopé uma cidade do futuro, movida a células de hidrogênio, como laboratório para carros autônomos, casas inteligentes, inteligência artificial e outras tecnologias.

A Toyota revelou seu plano , chamado de “Cidade Tecida”, uma referência à sua origem como fabricante de teares, em evento agora em janeiro, o Consumer Eletronic Show, em Las Vegas. “É difícil aprender algo sobre uma cidade inteligente com a construção de apenas um quarteirão”, disse James Kuffner, principal executivo do Instituto de Pesquisas Avançadas da empresa.  Segundo Kuffner, a Cidade Tecida vai surgir depois de um ano de discussões, destinadas a criar cidades mais seguras, limpas e positivas e ao aprendizado de lições que podem ser aplicadas pelo mundo todo.

Com pessoas, edifícios e veículos todos conectados e se comunicando uns aos outros com dados e sensores, poderemos testar a tecnologia conectada de inteligência artificial, tanto nos planos virtuais quanto físicos, maximizando seu potencial

Akyo Toyoda
Presidente da Toyota

Não há nada de novo no fato de montadoras usarem grandes terrenos para criar cidades como locais de teste para novos veículos. Mas a proposta da Toyota encara a ideia como uma dramática escala nova do conceito.O projeto, no local de uma fábrica da Toyota que será fechada no final de 2020, começará com dois mil habitantes nos próximos anos e também servirá como lar para pesquisadores. O plano para a cidade futurista ocupará 71 hectares, e é um grande passo adiante de seus rivais. Executivos das grandes montadoras têm mencionado que tais iniciativas visam a cortar emissões de gases que mudam o clima, reduzir congestionamentos e aplicar tecnologia no cotidiano.  Um braço da corporação, a Toyota Housing, construiu mais de de 100 mil casas no Japão em 37 anos. 

Para tocar o empreendimento foi contratado o arquiteto dinamarquês Bjark Ingles, que projetou escritórios do Google no Vale do Silício e em Londres. Ele também é parceiro na construção de cidades flutuantes.

Akio Toyoda, presidente da Toyota, na apresentação da Cidade do Futuro: aposta na inteligência artificial (Shodai Niki /The Yomiuri Shimbun/AFP)
Akio Toyoda, presidente da Toyota, na apresentação da Cidade do Futuro: aposta na inteligência artificial (Shodai Niki /The Yomiuri Shimbun/AFP)

“Com pessoas, edifícios e veículos todos conectados e se comunicando uns aos outros com dados e sensores, poderemos testar a tecnologia conectada de inteligência artificial, tanto nos planos virtuais quanto físicos, maximizando seu potencial”, disse Akio Toyoda, presidente da Toyota. “Soluções  conectadas, autônomas, sem emissões e com mobilidade partilhada deverão apontar um mundo de oportunidades para novas formas de vida urbana”, afirma Ingels.

Com a sua replicação, a Cidade Tecida pode servir tanto como um protótipo para cidades futuras, como uma reconstrução de cidades existentes. Simplesmente ao reprogramar ruas, podemos começar a restabelecer o equilíbrio entre pessoas, mobilidade e natureza em locais tão diversos quanto Tóquio, Nova York, Copenhague ou Barcelona

Bjark Ingels
Arquiteto dinamarquês

A Cidade Tecida será construída com uma rede de suas com três velocidades diferentes de transporte. As principais serão usadas para veículos autônomos, as menores para outros modos de transporte pessoal, como bicicletas e scooters, e o terceiro tipo será apenas a pedestres. As casas serão feitas de madeira, com painéis solares nos tetos. Serão arranjadas em torno de praças centrais, que serão conectadas umas Às outras. “O padrão resultante cria diversos econichos para a vida social, a cultura e o comércio”, diz Ingels.

Dentro delas, a robótica proverá necessidades básicas. “Em uma idade na qual a tecnologia substitui e elimina nossos tradicionais locais de encontro, estamos cada vez mais isolados”, prossegue o arquiteto dinamarquês. “A cidade permitirá que a tecnologia reforce o domínio público como local de encontro, usando a conectividade para fortalecer a conectividade humana”.

Para Bjark Ingels, o projeto da Toyota pode servir como modelo. “Com a sua replicação, a Cidade Tecida pode servir tanto como um protótipo para cidades futuras, como uma reconstrução de cidades existentes. Simplesmente ao reprogramar ruas, podemos começar a restabelecer o equilíbrio entre pessoas, mobilidade e natureza em locais tão diversos quanto Tóquio, Nova York, Copenhague ou Barcelona”.

Compartilhe

José Eduardo Mendonça

É jornalista, com passagens por publicações como Exame, Gazeta Mercantil, Folha de São Paulo, e criador da revista Bizz e do suplemento Folha Informática. Vem nos últimos anos se dedicando aos temas ligados à sustentabilidade e foi pioneiro ao fazer, para o Jornal da Tarde, em 1976, uma série de matérias sobre energia limpa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *