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Esportes, educação e inclusão social

ACM-RJ / YMCA - Associação Cristã de Moços do Rio de Janeiro


Aula de esporte para crianças na ACM
A ACM atendeu 47.880 jovens, entre meninos e meninas carentes em 2015. O esporte é o carro-chefe da entidade

Entre a criançada que agita as quadras de basquete, futsal ou vôlei, não há barreiras como classe social, religião ou nível cultural. As divisões também são deixadas do lado de fora do prédio número 86 da Rua da Lapa, Centro do Rio, pelos adultos que frequentam a academia de musculação e os idosos que praticam hidroginástica. Na Associação Cristã de Moços (ACM), pessoas dos seis aos mais de 90 anos têm acesso a esportes e cursos variados. Quem não pode pagar, entra de graça. Quem pode, contribui com mensalidades que cabem no bolso e ajudam a manter as vagas para os colegas menos favorecidos.

“Fica todo mundo junto e misturado! Reunimos, nos mesmos espaços, pessoas em vulnerabilidade social e os associados, que têm poder aquisitivo melhor”, explica Juliana Peniche, secretária executiva de Desenvolvimento Social da ACM Rio de Janeiro. A sede, com 122 anos de existência perto dos Arcos da Lapa, já teve duas ‘filhas’: as unidades da Ilha do Governador e do Engenho de Dentro, abertas em 1973 e 1983, respectivamente. Juntas, as três têm 187 funcionários e nada menos do que 600 voluntários.

Somente em 2015, as ACMs do Rio fizeram 47.880 atendimentos a 798 meninos e meninas carentes no Programa Criança no Esporte. A garotada não só corre atrás da bola, como também pode optar por natação e ginástica olímpica, entre outras atividades que desenvolvem saúde física e mental, disciplina e cidadania. Há, ainda, acompanhamento social e psicológico, além da constante checagem sobre a presença dos pequenos na escola.

Já o Programa Feliz Idade, voltado para pessoas a partir dos 60 anos em situação de risco social, realizou 12.480 atendimentos ao longo do ano passado a 208 idosos. “Além das aulas de hidro, musculação ou alongamento, há a questão social. Os idosos muitas vezes são esquecidos pela própria família. Então queremos trazê-los para o convívio com os outros, na ACM. Eles também fazem Informática, pois cada vez mais cresce a curiosidade deste público pelo mundo virtual”, conta Juliana, ressaltando ainda a realização de passeios, festas e confraternizações.

Sala de aula para jovens na ACM
O Programa Nosso Futuro Aprendiz prepara jovens para disputar uma vaga no mercado de trabalho

A cereja no bolo da ACM é o Programa Nosso Futuro Aprendiz, que prepara para o mercado de trabalho rapazes e moças de baixa renda, dos 14 aos 24 anos, em convênio com 44 empresas que irão empregá-los. “É um programa de empoderamento juvenil, em que os jovens aprendem a trabalhar, a ser cidadãos e a acreditar mais neles próprios”, orgulha-se Juliana. Em 2015, 632 usuários estiveram em 30.336 aulas, palestras ou outras atividades educativas.

Entre os ofícios ensinados nos cursos, que têm chancela do Ministério do Trabalho e Emprego, estão os de operador de telemarketing, auxiliar administrativo e aprendiz de desporto (que trabalha em clubes e academias), entre outros. “Há uma parte básica, comum a todos os alunos, que inclui disciplinas como Língua Portuguesa. Depois, o jovem é encaminhado para um aprendizado específico, de acordo com a necessidade de mão de obra da empresa em que for trabalhar”, detalha a executiva da ACM.

Como apenas sonhar não leva a lugar nenhum, Júlia de Lima Ribeiro, 15 anos, e Talita Geovana, 18, decidiram entrar para o programa. Moradora da comunidade Baixa do Sapateiro, no Complexo da Maré, Júlia passa as manhãs numa escola estadual na Ilha do Governador e as tardes na ACM da Lapa. “A gente aprende um monte de coisa: cidadania, conhecimentos gerais… Estou gostando muito das aulas de Português, porque quero aperfeiçoar minha redação. Meu sonho é fazer concurso para a PM”, revela a menina, que faz o curso de aprendiz de desporto, convênio entre ACM e Vila Olímpica da Maré. Talita, que mora em Pedra de Guaratiba e concluiu o Ensino Médio, frequenta na ACM as aulas de operação de telemarketing, vinculada à empresa Central 24 Horas, na Barra. “Temos poucas oportunidades. Com este trabalho, ganho mais independência e ainda tenho acesso aos debates sobre política, racismo e outras questões, que a ACM promove”, afirma.

Colaboração, a alma do negócio

Com um orçamento de R$ 13,4 milhões, o financiamento das atividades da ACM é bastante pulverizado. Além das contribuições dos sócios, há ainda os convênios com diversas empresas privadas e públicas. As que participam do Nosso Futuro Aprendiz, por exemplo, ‘bancam’ o material dos alunos e a capacitação dos instrutores. Estão na lista, entre várias outras, Prezunic, Fundação Itaú Social e Instituto Iamar. Outra fonte de renda é a locação de espaços. No prédio da Lapa, de 11 andares, os cinco últimos são alugados de forma permanente à Universidade do Grande Rio (Unigranrio). Além disso, a ACM também aluga quadras, salões e seu teatro para eventos.

“Também recebemos doações. Um grupo de jornaleiros, por exemplo, nos envia livros e revistas sem uso. Recentemente, o Tribunal de Contas do Estado fechou parceria para nos doar mobiliário de escritório, assim como cadernos, lápis e canetas. Estamos estudando a criação de um canal para que o público possa fazer doações, se desejar”, avisa Juliana.

Considerada de utilidade pública municipal, estadual e federal, a ACM é isenta de pagar vários impostos. Seu relatório anual de atividades, assim como balanço financeiro e estatuto são divulgados no site da instituição e também enviados para órgãos privados e públicos interessados.

História longeva

Uma das maiores ONGs do mundo, a ACM está em 125 países dos cinco continentes, com 11.220 sedes e 35 milhões de membros. No Brasil, também tem filiais em São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

A história da YMCA (Young Man Christian Association) começou em Londres, em 1844, época da Revolução Industrial, por iniciativa de um jovem de 23 anos chamado George Williams. Os trabalhadores eram submetidos a mais de 16 horas diárias de expediente nas fábricas, além de morarem em alojamentos precários e insalubres. “As pessoas bebiam e brigavam muito, e Williams começou a pensar no que poderia ser feito para proporcionar algum conforto àquela gente nas horas vagas”, conta Juliana. Presbiteriano, de início ele criou grupos de leitura da Bíblia. Com o passar do tempo e a chegada de cada vez mais interessados, foram sendo desenvolvidas atividades esportivas para garantir saúde física e mental a todos.

Prédio da sede da ACM, na Lapa
Prédio da sede da ACM, na Lapa

Em 1855, houve a fundação da Aliança Mundial das ACMs, consequência da expansão pelo mundo do movimento ecumênico acemista, que já tinha como premissa beneficiar crianças e adultos, sem distinção de classe social, raça e sexo. Na América Latina, a primeira ACM foi a da Lapa, fundada em 4 de julho 1893.

Durante sua trajetória, a ACM deu várias contribuições para a humanidade. Em 1946, por exemplo, o acemista norte americano John Raleigh Mott ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Em sua biografia, destacam-se os trabalhos de auxílio humanitário a prisioneiros durante a 1ª Guerra Mundial e a presidência da Aliança Mundial das ACMs, entre 1926 e 1937.

Outro marco nesta história foi a criação de três modalidades esportivas durante atividades da ACM – duas delas nos anos 1890, nos Estados Unidos, e uma no Uruguai, em 1930: justamente o basquete, o vôlei e o futebol de salão, praticados com tanto entusiasmo pela criançada, hoje, na Lapa e no mundo.

Ficha

Área de atuação Esportes

Nº de funcionários com carteira assinada ou autônomos 300

Orçamento anual R$ 13.440.000,00

Percentual doado pelo maior patrocinador 0%

Existe formalmente há mais de 5 anos? Sim

Possui alguma atuação que busque influenciar as políticas públicas? Não

Publica prestação de contas periodicamente no site? Sim

Site www.acmrio.org.br

Fonte: INSTITUTO PHI

* Este material foi criado automaticamente através da ferramenta Banco de Organizações do Instituto Phi e é exclusivamente baseado nas informações enviadas pela organização cadastrada. O Instituto Phi não provê, através da criação deste material, nenhum tipo de certificação ou recomendação da organização cadastrada, nem mesmo da veracidade das informações aqui dispostas.


Escrito por Fernanda Portugal

Fernanda Portugal

Fernanda Portugal é carioca, formada em Jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ. Já foi editora de Saúde, Mundo, Meio Ambiente e Cidade do jornal 'O Dia'. Como repórter, no mesmo jornal, fazia matérias com temas ligados aos Direitos Humanos e ganhou o Prêmio SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) três vezes.

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