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O caminho da inclusão é para todos

Concurso premia experiências pedagógicas inclusivas em escolas públicas e particulares


Até 31 de janeiro, professores de todo Brasil podem inscrever sua experiência pedagógica referente aos anos letivos de 2016 e 2017. Foto Divulgação
Até 31 de janeiro, professores de todo Brasil podem inscrever sua experiência pedagógica referente aos anos letivos de 2016 e 2017. Foto Divulgação

Inclusão é um caminho sem volta. Não é mais opção da escola ou um encantamento pessoal com a causa. É uma questão de mercado, de formação, de adaptação às novas demandas. Tem dúvida ainda? Repare nos comerciais de fim de ano. Nunca tantas pessoas com deficiência apareceram, sem olhar de vítima ou piedade, nos anúncios de grandes empresas e também nas campanhas publicitárias do governo. Anitta – musa da nossa era – é outra que inclui a diversidade no seu rebolado. Jornais criam seções e blogs que tratam de inclusão. E quem torce o nariz para a realidade é alvo fácil das mídias sociais ou dos desabafos das famílias. Como um dos mais recentes em que o músico Tico Santa Cruz denunciou uma escola que, segundo ele, não aceitou a matrícula de sua filha, diagnosticada com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Fiel aos fatos ou não, o desabafo provocou mais de 2.400 compartilhamentos e arranhou a imagem do colégio.

É, novos tempos.

Novos tempos que começam dentro das escolas. Melhor dizer: dentro das salas. Afinal, foi-se o tempo em que os filhos com algum tipo de deficiência ficavam nos porões de casa: as portas foram abertas e, querendo ou não, esses alunos estão nas instituições de ensino regulares. Discursos como “não estou preparado”, “não há cursos disponíveis no mercado”, “eu não sei como lidar com esse tipo de aluno” já não colam mais. E resistir às mudanças é fincar o pé na lama. Abraçar a causa da inclusão não é, portanto, apenas para os nobres de coração – ainda que tenha muito a ver com isso. É uma questão prática de empregabilidade, de sobrevivência profissional mesmo, de imagem no mercado. É claro que ainda há muitas escolas que são exclusivas para aqueles considerados indivíduos padrão, com destaque aqui para os colégios religiosos que vivem num verdadeiro dilema ético e moral. Mas, mesmo nesses colégios, será preciso se adaptar em algum momento aos novos tempos, se não quiserem ver suas marcas julgadas nos rígidos tribunais do Facebook.

Sabemos, porém, que de nada adiantam leis ou diretrizes, se os profissionais de ensino não tomarem para si o desenvolvimento de todos os seus alunos. Pensando nisso, o projeto Paratodos, com patrocínio da LECCA Investimentos e apoio dos Institutos Alana, Mara Gabrilli e Rodrigo Mendes, promove o Prêmio Paratodos de Inclusão Escolar 2017, que visa a premiar experiências pedagógicas inclusivas que foram desenvolvidas por professores de instituições de ensino regular. O objetivo do prêmio é reconhecer, mas também estimular e disseminar, ações inclusivas em todos os segmentos da educação. Nesta segunda edição, podem participar professores da rede pública e da rede particular da Educação Infantil ao Ensino Superior. No ano anterior, os trabalhos aceitos ficavam restritos à educação infantil e ao ensino médio.

A camiseta do Prêmio Paratodos de Inclusão Escolar. Divulgação
A camiseta do Prêmio Paratodos de Inclusão Escolar. Divulgação

Até 31 de janeiro, professores de todo Brasil podem inscrever sua experiência pedagógica referente aos anos letivos de 2016 e 2017. Juntamente com os relatos, os professores podem anexar vídeos, aplicativos, projetos pedagógicos ou fotografias.  Além do vencedor do Prêmio Paratodos de Inclusão Escolar, que receberá um tablet, os melhores relatos serão divulgados no Diversa – plataforma, do Instituto Rodrigo Mendes, de troca de experiências e construção de conhecimento sobre educação inclusiva. As escolas nas quais foram desenvolvidas as experiências selecionadas como finalistas serão premiadas com placas comemorativas. A divulgação oficial do resultado, com data ainda a ser definida, acontecerá em maio de 2016.

E qual o caminho para incluir? Existe receita? Manuais específicos? Não, nada disso. O desafio é justamente esse. Fácil, portanto, não é. Mas, numa sala de aula inclusiva, todos aprendem. Todos – e não apenas alguns.


Escrito por Fabiana Ribeiro

Fabiana Ribeiro

É Jornalista. Trabalhou no Globo. Deixou a redação para fazer mestrado em Ciências Sociais na PUC Rio e, no meio do caminho, se encantou pela inclusão. É uma das fundadoras do movimento Paratodos. É mãe de Pedro e Vítor, motivos mais do que suficientes para querer um mundo melhor.

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