Compartilhar, , Google Plus, Linkedin, Whatsapp,

Imprimir

Publicado em

Compras sustentáveis

Manual da Rio 2016 pode ajudar empresas a otimizar relação com fornecedores


Uma das arenas de Deodoro, na Zona Oeste, onde foram disputadas as provas de slalom. Foto de Yasuyoshi Chiba/AFP
Uma das arenas de Deodoro, na Zona Oeste, onde foram disputadas as provas de slalom. Foto de Yasuyoshi Chiba/AFP

O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) desenvolveu, com o apoio da Consultoria EY, antiga Ernest Young, um Manual de Compras Sustentáveis. A organização dos Jogos Olímpicos Rio 2016 manifestou, desde os processos iniciais de elaboração do manual, o interesse em adotar sua linha de propostas, ciente da imensa mobilização de recursos que estaria envolvida na realização do megaevento.

Menor preço e qualidade não são abandonados como elementos norteadores da eficiência empresarial, mas passam a ser permeados por princípios de sustentabilidade que permitam maior controle sobre toda a cadeia de fornecedores, reforçando a ideia de responsabilidade compartilhada.

Como resultado, a parceria entre CEBDS e Rio 2016 originou 16 manuais adaptados, contendo 98 descrições e requerimentos para produtos e serviços, desenvolvendo uma metodologia de sustentabilidade para a enorme cadeia de fornecedores dos Jogos.

É um conjunto de procedimentos que visa orientar os profissionais dos departamentos de compras das empresas sobre métodos de como conectar os tradicionais mecanismos de seleção de fornecedores com novos critérios articulados com os preceitos da sustentabilidade.

Menor preço e qualidade não são abandonados como elementos norteadores da eficiência empresarial, mas passam a ser permeados por princípios de sustentabilidade que permitam maior controle sobre toda a cadeia de fornecedores, reforçando a ideia de responsabilidade compartilhada por todos os seus elos. Os negócios se articulam em forma de teia, as responsabilidades também devem se espraiar com essa mesma abrangência.

Como sabemos, as Olimpíadas são um evento grandioso em todos os sentidos imagináveis. São mais de 15 mil atletas, quase 30 mil jornalistas, veículos de mídia de todo o planeta. É um momento em que, estima-se, 3 bilhões de pessoas deixam seus afazeres cotidianos e se mobilizam em torno das televisões, computadores e demais equipamentos de mídia, atentos aos feitos de seus heróis nos mais variados esportes. Mas é, também, um momento único de exposição de imagem da cidade sede, de seu povo, de sua capacidade organizacional, de suas características culturais.

Por meio da celebração olímpica sonhamos todos com um planeta capaz de uma governança global conectada a princípios universais de justiça, harmonia e equidade entre os povos. Um planeta de responsabilidades compartilhadas. Na Olimpíada somos iguais em nossas diferenças e seu processo de realização deve privilegiar essa ideia.

A logística envolvida em um evento dessa magnitude é extraordinária. Tudo ganha proporções gigantescas e exige uma mobilização sem precedentes. As cidades sedes têm uma oportunidade única de reorganização de seus espaços urbanos. O Rio de Janeiro, em especial, busca rediscutir-se como projeto de cidade, reorganizar seu plano de mobilidade, redirecionar a relação das áreas melhor aquinhoadas com equipamentos urbanos com aquelas tradicionalmente excluídas, como Deodoro e, mesmo, Jacarepaguá.

Tudo isso tem a ver com sustentabilidade em seus três pilares ou dimensões: a ambiental, a social e a econômica. Mais especificamente, é uma oportunidade de colocar em prática a noção de que uma cadeia de compras sustentável traz diminuição de riscos e maior eficiência operacional. Sustentabilidade nas compras de volume gigantesco, é isso que o manual oferece para as empresas. É, antes de tudo, uma exigência da eficiência dos processos operacionais. Os benefícios de imagem vêm como decorrência dos ganhos alcançados nesse processo.

O manual é um guia, aponta uma direção, mas também mostra como fazer. Ele traz um plano de ação com práticas capazes de conectar, coerentemente, um modus operandi que reorganiza os processos operacionais das companhias por meio da incorporação dos valores da sustentabilidade. A seleção dos fornecedores passa a seguir critérios que dimensionem mais amplamente a compreensão do papel social e ambiental das empresas, seus impactos em seu entorno e seus papéis nas cadeias de suprimento.

Evidentemente, uma metodologia geral que se pretenda realmente abrangente deve compreender as enormes diferenças entre os diversos setores em que se distribuem as cadeias de fornecedores. Isso não impede, contudo, que seus princípios norteadores sejam capazes de orientar a todos uma vez que estão focados nos próprios processos produtivos.

Selecionar fornecedores com base em uma avaliação focada na sustentabilidade é dos mais poderosos indutores de uma revolução conceitual no modo como as empresas veem a si e a sua inserção no cenário global.


Escrito por Marina Grossi

Marina Grossi é economista, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) desde 2010. Foi negociadora do Brasil na Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima entre 1997 a 2001 e coordenadora do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas entre 2001 e 2003. Participou das negociações do Protocolo de Kyoto.

16 posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *