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Copacabana em alerta

Moradores criam página em rede social para prevenir assaltos; número de furtos foi o maior do estado


No bairro mais famoso do país, há sempre turistas (Foto Phil Whitehouse)

“Galera, um homem de bicicleta acaba de meter a mão no cel da minha mãe na Rua Domingos Ferreira. Inferno chamado Copacabana”, “Tiros no escadão da Santa Clara!”, “Bala de fuzil voando agora na Tabajaras”, “Três homens magros, 2 sem camisa e 1 com, e uma bike, indo pra lá e pra cá entre a Hilário e a Figueiredo, de olho em todo mundo. Atividadeeeeee”, “Mais uma tentativa de assalto aqui na Toneleiros”, “Copa está f. mesmo. Pegaram um ladrão na Nossa Senhora com Figueiredo”, “Toque de recolher para nós moradores…chegaram os donos das ruas de Copa”…

Denúncias, alertas, relatos variados, como estes, e muitas fotos se multiplicam, diariamente, na página “Copacabana Alerta“, criada, em junho de 2015, no Facebook, por um grupo de moradores do bairro e que já rompeu a marca de 31 mil membros. Foi mais uma forma que a comunidade encontrou de trocar ideias, compartilhar indignação e, principalmente, dar informações, em tempo real, que ajudem a evitar mais episódios de violência urbana, que voltam a assustar os cerca de 180 mil habitantes desse trecho da Zona Sul.

Não que outras regiões da cidade estejam a salvo da violência. Mas Copacabana, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), registrou 5.019 ocorrências de furtos (inclui todos os tipos de furtos), entre janeiro e outubro deste ano, o maior número não apenas entre os bairros cariocas, mas de todo o estado. Em 2015, nesse mesmo período, houve 5.016 furtos em Copacabana, mas ela perdia no ranking para outras áreas, como a Praça da República, com 5.370 (em 2016 caiu para 4.659).

A situação anda tão crítica pelo bairro que moradores dizem não se sentir seguros para caminhar pelas calçadas a qualquer hora do dia. Segundo do grupo e também vítimas, os assaltos podem ocorrer à mão armada, em “botes” dados por pessoas que passam correndo ou por quem circula de bicicleta. Até ficar parado no ponto de ônibus pode ser perigoso, já que se tornou comum, de acordo com denúncias no “Copacabana Alerta”, grupos descerem de coletivos, parados no sinal fechado, e saquearem as pessoas no meio fio. Celulares e colares são os itens preferidos, mas até óculos têm sido levados.

– Minha amiga estava no ponto de ônibus quando um bando desceu de um coletivo e puxou pertences das pessoas paradas na calçada. Levaram tudo que podiam puxar. Até óculos de sol. O bairro está um horror. Eu, por exemplo, depois disso nem fico mais no meio-fio. Fico mais perto das lojas, para, num caso de emergência, entrar e me proteger – conta Lúcia Maria de Araújo, aposentada e moradora do bairro, que agora admite evitar caminhar pela Nossa Senhora de Copacabana por medo: – Mesmo que seja um percurso pequeno, eu chamo o táxi.

Reuniões com os oficiais do batalhão da área e autoridades das delegacias costumam ocorrer, mensalmente, com as associações de moradores do bairro para ajustar o patrulhamento. O presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Copacabana e Leme, Horácio Magalhães, também presidente da Sociedade de Amigos de Copacabana, diz que o bairro sofre com o crime “de varejo”. Em outras palavras, são os roubos e furtos a transeuntes, preferencialmente de celulares. De acordo com ele, os índices de crimes violentos, como latrocínio, roubos de carros, estupro e mortes violentas são baixíssimos. Sempre presente nessas reuniões, das quais participam autoridades municipais também, Horácio diz estar preocupado com a chegada do verão, período em que os crimes “de varejo” tendem a subir. Tanto que ele reivindica que a Operação Verão, realizada nos fins de semana e feriados, ocorra também nos dias úteis.

– O patrulhamento policial é planejado e executado de acordo com a mancha criminal. Por isso, é importante que essas operações ocorram durante a semana porque bandido sabe que tem movimento de público e vem com o intuito de criar pânico e assaltar – diz o presidente do Conselho Comunitário de Segurança, acrescentando que o número de ataques a pedestres é subnotificado, pois muitas vítimas acabam não indo à delegacia registrar ocorrência.

O fato é que no bairro carioca mais famoso internacionalmente, os moradores, assustados, vêm criando novas estratégias para escapar de ataques de rua. A produtora editorial Carina Vasconcelos é uma das moradoras que aboliram as caminhadas pela avenida Nossa Senhora de Copacabana, o que ela fazia com frequência, entre a estação de metrô Siqueira Campos e o prédio onde mora, na rua Pompeu Loureiro.

– Eu costumava andar por quatro quadras para chegar em casa até que um dia me vi no meio de um arrastão, em plena luz do dia. Tive que me abrigar dentro de uma loja. Desde então, aboli as caminhadas. Aquele dia foi traumático. Até chegar ao meu prédio no dia do arrastão, eu fui entrando de loja em loja, com medo. Agora, chego de táxi ou salto na estação Cantagalo, que é colada no meu prédio – conta ela.

Há até moradores que, como estratégia, andam substituindo as bolsas a tiracolo por sacolas de supermercado para carregar os pertences. Assim, acreditam eles, chamam menos a atenção dos assaltantes. Celulares passaram a ficar escondidos em cós das calças ou das saias.

– Minha antiga manicure fazia isso direto, toda vez que saía do salão para chegar em casa, aqui mesmo no bairro. Um dia, ela teve a bolsa arrancada e, então, passou a usar sacola de supermercado para que achassem que carregava apenas compras – revela a designer de joias Daniela Matos, que decidiu ingressar no grupo “Copacabana Alerta” e, assim, estar sempre informada sobre a “temperatura” do bairro em tempo real.

Diante da sensação de insegurança tão latente, a página do Facebook “Copacabana Alerta” tem grande repercussão entre os moradores, a julgar pela quantidade de comentários que cada postagem provoca. Nos últimos dias, com a chegada do verão escaldante, os relatos de moradores dão conta de inúmeras ocorrências de arrastões.  De acordo com os administradores (seis no total) do conteúdo, a página foi “criada com o único objetivo: a melhoria do bairro.”

De acordo com o advogado Jhonatan Cirino, um dos administradores do Copacabana Alerta, esse canal de comunicação é fundamental para a segurança do bairro.

– O Copacabana Alerta utiliza a “mão de obra” mais rápida: o próprio morador, que está nas ruas e posta o que viu, em tempo real. Isso ajuda outros moradores na prevenção e os policiais militares a elaborar um patrulhamento mais direcionado; além da Polícia Civil, nas investigações – explica ele, acrescentando que os moradores não se veem mais sem essa ferramenta – Nunca houve no bairro esse tipo de interação, que faz moradores e frequentadores se sentiram mais seguros.

O administrador da página destaca que o trabalho do grupo é em prol dos moradores do bairro.

– Inclusive, as autoridades nos procuram com frequência para realizar trabalhos em conjunto, de apoio e integração – conclui Jhonatan.

Recentemente, o autor de novelas Aguinaldo Silva se tornou umas das vítimas dos crimes “de varejo” no bairro. Ele teve o cordão arrancado por um grudo de dez ladrões e usou uma rede social para fazer um relato indignado. “Acabei de ser assaltado na Sá Ferreira, entrada da Favela do Cantagalo. Como diriam os amigos de esquerda: é a justiça das ruas. Chegou num ponto onde há que se agradecer por ser apenas roubado e não coisa pior. No máximo vão vender o meu cordão de ouro vagabundo por 50 reais”.

Para o presidente do Conselho Comunitário de Segurança, a decisão judicial que passou a impedir a Polícia Militar interceptar ônibus e abordar passageiros, em geral grupos de jovens, que chegam ao bairro, teoricamente para ir à praia, foi mais um ponto prejudicial à segurança no bairro.

– Muitos chegam a Copacabana para o lazer, mas outra parte está mal-intencionada. Então, esse trabalho preventivo da PM era importante. Os ônibus eram interceptados e os policiais verificavam as pessoas que estavam sem dinheiro da passagem de volta, menores sem responsáveis e outras situações. Mas isto está proibido. E o que a PM pode fazer agora diante de arrastões? Correr atrás de mais de cem pessoas ao mesmo tempo e que se espalham para todos os lados? O trabalho preventivo é essencial – reclama Horácio, acrescentado que, diariamente, o bairro conta com cerca de 40 PMs no policiamento ostensivo. Durante as ações da Operação Verão, o efetivo do 19º BPM recebe reforços de outros batalhões.


Escrito por Laura Antunes

Laura Antunes

Depois de duas décadas dedicadas à cobertura da vida cotidiana do Rio de Janeiro, a jornalista Laura Antunes não esconde sua preferência pelos temas de comportamento e mobilidade urbana. Ela circula pela cidade sempre com o olhar atento em busca de curiosidades, novas tendências e personagens interessantes. Laura é formada pela UFRJ.

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4 Comentários

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  1. Estava num grupo no face de mesmo nome, e fui banido expulso seja o que for, e ate agora nao sei o porque… infelizmente as pessoas se acham, principalmente da zona sul, inventam que o outro disse isso ou aquilo, e um terceiro ja chega ofendendo sem na verdade, nada saber. Vide caso da senhor confundida com uma sequestradora de crianca, que foi linchada ate a morte.
    No meu caso, gracas que nem chegou perto, mas me deixou muito indignado, ate porque gostava bastante do grupo.
    Eu simplesmente postei uma foto da praia as 6 da manha dizendo, Bom dia, olhadinha na janela antes de ira fazer minha caminhada, ou quase isso, nao lembro as palavras exatas, mas era isso, uma foto de parte da praia as 6h da manha. os dizeres Bom dia…
    Como na foto tinham pessoas ja na areia, uma senhora fez um comentario sobre a fotos, dizendo que essas pessoas vem de fora…
    ai outra ja ficou revoltada, nao entendi tambem o porque e disse ahhh entao eles nao podem vir para o seu bairro mas vc pode ir para o bairro deles… e a coisa foi pegando foga, Gente era um bom dia com foto da praia….
    ai uma outra senhora disse que eu apenas queria dizer que ja tinha pessoas na praia as 6h da manha e que a praia ia ficar cheia, e que nao tinha o porque do comentario…ai uma senhora disse que o comentario dela estava ok, eu, e ai eu fui incluido, que nao tinha o porque de postar a foto, ja que todos sabem que sabado de sol a praia fica cheia, nao tem sentido…
    Repito, tirei uma foto da praia, coloquei Bom dia, olhada rapida pra ver como esta a praia antes de ira caminhar… so isso, nao falei nada. Colocaram palavras na minha boca, fui desrespeitado, tratado como um moleque… e gracas que nao sou vingativo pois trabalho num hospital do bairro e um dia ou outro essa pessoa ou parente vai chegar nas minhas maos, e, tera o melhor de mim, tenham certeza, mas eu fiquei muito muito decepcionado com tal atitude, nem pude dizer nada, eu ja estava ate para tirar a foto do ar……
    Impressionante como as pessoas interpretam como querem, mesmo recebendo a explicacao de que nao era nada daquilo, e comprovar todas as informacoes, nao aceita seu equivoco, persistem no engano prejulgam o outro e maldizem…. mas amor gente paz no coracao.
    Desculpe aproveitar esse espaco mas quando vi o mesmo nome, achei que seria parto do grupo

    Em tempo, precisando de uma forca para fazer essas coletas pela praia, ou o que seja para melhorar nosso bairro e vizinhos, so dar um alo.

  2. Amigos, a pivetada esta solta !!!! Aqui em Copa, Rua Santa Clara esquina de Avenida Copacabana fazendo cerco para roubar !!! Grupo de uns dez, todos menores e olheiros de bicicleta !!!

    Porrada neles, sem pena !!!
    Quem estiver com pena deles, leva para casa !!!

  3. Boa tarde, moro no Bairro Peixoto e fico indignado porque todas as manhãs na Pça Edmundo Bitencourt, pessoas invadem com seus respectivos cães a quadra de esportes, na partir de 6:30h. Essa quadra tem 2 placas de proibição de entrada de animais, já fui inúmeras vezes pedir para sair e também já levei a polícia. Quadra que recebes crianças que fazem atividade física. Moradores sem lei…

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