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Crivella e a esperança para os autistas

Prefeito do Rio promete melhorar processo de inclusão nas escolas públicas


Autismo. Foto de Carol e Mike Werner/ CMW/ Science Photo Library/ AFP
Novo prefeito do Rio promete contratar mediadores para as escolas públicas, com o objetivo de incluir crianças autistas. Foto de Carol e Mike Werner/ CMW/ Science Photo Library/ AFP

A Gávea Pequena mudou. A residência oficial do prefeito da cidade do Rio de Janeiro durante o primeiro compromisso de Marcelo Crivella já não era a mesma. Em vez de samba, sempre presente nos eventos criados na Era Eduardo Paes, música instrumental. No lugar da cervejinha tradicional, refrigerante e água. Muita gente de terno e salto alto, em pleno final de tarde daquele domingo ensolarado, dia 1 de janeiro. O clima mais formal marcou a inusitada e importante primeira agenda: uma reunião com pais e militantes de organizações que lutam pelos direitos dos portadores do Transtorno do Espectro Autista.

O novo prefeito do Rio disse que a ideia do encontro partiu dele, que dada a seriedade e importância do tema, queria ouvir as partes envolvidas “para tomar decisões que sejam realmente importantes”.  Sem a presença de imprensa, que creditou a doação de sangue na segunda-feira o status de primeira agenda oficial, o encontro reuniu pais e representantes de entidades, em torno de 50 pessoas, além políticos que são notadamente militantes da causa. Nada mais.

A ansiedade era grande. Ninguém sabia ao certo como seria o tom da reunião. E logo na primeira noite de mandato. O prefeito, ao chegar visivelmente cansado da maratona da posse, fez questão de explicar a escolha, dizendo que o assunto era prioridade e que aquela seria a primeira de muitas reuniões. O público já gostou e viu ali a esperada chance de estar perto do poder público e cobrar políticas mais profundas de inclusão social e melhoria da qualidade de vida dos deficientes. Um anúncio também agradou a todos. Crivella destacou que entre as dezenas de medidas anunciadas em Diário Oficial no domingo, dia da sua posse, estava o decreto 42.758, que estipulou em 30 dias a apresentação de um cronograma de contratação dos Agentes de Apoio à Educação, aprovados em concurso realizado em 2014.

Sem intermediário

Crivella em reuniao com entidades autistas. Foto de Edvaldo Reis/ Divulgacao Prefeitura do Rio
Crivella e militantes de organizações que lutam em defesa dos direitos dos autistas. Foto de Edvaldo Reis/ Divulgação

Mais motivo de alívio para muitos pais que esperam a chance de matricular seus filhos na rede municipal de ensino, mas esperam a contratação de auxiliares, fundamentais para a inclusão e apoio aos deficientes em sala de aula. Crivella não confirmou se irá convocar todos os 3.150 aprovados, explicando ainda que serão chamados pela ordem de aprovação, dentro da disponibilidade de orçamento.

Crivella se mostrou mesmo disposto a conquistar a simpatia e apoio de todos. O novo prefeito explicou que o recém-criado conselho para discutir políticas públicas para portadores do espectro autista será ligado diretamente ao seu gabinete, sem intermediário. Ele acredita que assim, o deputado federal Otávio Leite (PSDB) e o estadual Márcio Pacheco (PSC), líderes do conselho, conseguirão resultados mais rápidos e práticos. O prefeito também garantiu que o grupo de trabalho estará de portas abertas para as organizações e pais de autistas.

Pedido de desculpas

Mesmo com o tempo apertado, pais e representantes de entidades tentaram ao máximo relatar questões importantes. Foram assuntos que reuniam desde as dificuldades de professores da rede pública de conseguirem tempo e apoio para os cursos de especialização, a problemas como falta de medicamentos, atrasos em benefícios e
falta de locais para tratamento em diferentes pontos da cidade, principalmente na Zona Oeste. No final, após pouco mais de uma hora de encontro, Crivella lembrou seu lado pastor e chamou a todos para um “Pai-Nosso” coletivo. O convite foi aceito.

Ao término da reunião, os convidados buscaram mostrar otimismo e a ressaltar o fato de, pela primeira vez, o poder público ter aberto as portas dessa forma para a causa. Ninguém conseguiu chegar a uma conclusão sobre o fato que motivou Crivella a tratar o autismo como prioridade. Uma das hipóteses é a influência de Paulo Messina, líder do governo na Câmara dos Vereadores e pai de gêmeos autistas, além de conhecido militante da causa. Outra, seria uma tentativa de se redimir da gafe cometida durante sabatina na rádio CBN, no período eleitoral, quando disse que não faria um governo autista. Na época, Crivella prontamente se desculpou e prometeu abraçar o tema. E cumpriu.

Mesmo com um tom de desconfiança de alguns, que lembravam históricos de promessas não cumpridas por outros governantes e políticos, as famílias, em sua maioria, deram um voto de confiança ao prefeito e ao membros do Conselho. Mas uma coisa é certa: a porta foi aberta e a briga vai ser grande para que ela não se feche!

Escrito por Claudia Silva Jacobs

Claudia Silva Jacobs

Carioca, formada em Jornalismo pela PUC- RJ. Trabalhou no Jornal Dos Sports, na Última Hora e no Globo. Mudou-se para a Europa onde estudou Relacões Políticas e Internacionais no Ceris (Bruxelas) e Gerenciamento de Novas Mídias (Birkbeek College). Foi produtora do Serviço Brasileiro da BBC, em Londres, onde participou de diversas coberturas e ganhou o prêmio Ayrton Senna de reportagem de rádio com a série Trabalho Infantil no Brasil. Foi diretora de comunicação da Riotur por seis anos e agora é freelancer e editora do site CarnavaleSamba.Rio. Está em fase de conclusão do portal cidadaoautista.rio.

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