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Cresce rede de doadores de bebida com “bactérias do bem”

Grupos de consumidores do milenar kefir se multiplicam na internet


Doação de kefir:  já são mais de 100 grupos de adeptos da bebida nas redes sociais. Foto: Flavio Emanuel/Divulgação

Cuidar da horta, fazer pão, produzir cerveja, moer os grãos do café pouco antes do preparo, assar biscoitos em vez de comprá-los no mercado, levar marmita para todos os lugares. Por motivos de economia, saúde, bem-estar ou outros, a onda do “faça você mesmo” continua ganhando espaço nos centros urbanos e, recentemente, resgatou um velho hábito: o consumo de alimentos probióticos, conhecidos por conterem “bactérias do bem”, para uma vida mais saudável.

“Mas bactérias remetem a algo ruim, contaminado”, alguns dirão. Nem todas. Muita gente deve lembrar de ter tomado, na infância, um leite bem doce, numa garrafinha. Ou dos iogurtes que mães e avós faziam em casa. Esses produtos já continham bactérias e leveduras que fermentavam o leite e chegavam vivas ao organismo, com objetivo de equilibrar a flora intestinal (ou microbiota, como dizem os especialistas) e reduzir o risco de doenças. A moda nutricional do momento, no entanto, além de mais natural, tem uma peculiaridade: é adquirida por doação ou troca colaborativa.

Flávia Arone e seu potinho de kefir: a terapeuta conseguiu uma doação através de um grupo do Facebook. Foto: Flavio Emanuel/Divulgação

Isso porque os micro-organismos usados para a produção dos probióticos caseiros se reproduzem até gerar um excedente. A pessoa – que provavelmente ganhou a colônia – , em vez de jogar a sobra fora,  a repassa para alguém. Assim, a “rede probiótica” se multiplica. Nesse embalo, já é possível encontrar no Facebook mais de cem grupos de doação de kefir – que pode ser feito da fermentação de leite ou de água com açúcar, e é o mais pop no momento –  e de kombucha, que é produzido à base de chá e requer maior tempo de fermentação.

A publicitária Marcela Arruda consome kefir (de vez em quando, também o kombucha) e leva essa tradição a sério. Já marcou encontros com desconhecidos, pela internet, no Metrô, para fazer doações. E disseminou o hábito entre a equipe de trabalho.  Agora, no departamento onde trabalha, são sete pessoas consumindo kefir cultivado no pote da publicitária. “São os amigos probióticos”, brinca. Marcela se diz “meio Bela Gil” e consome probióticos há três anos. Começar, no entanto, não foi simples. “Meu marido é da Rússia, onde o consumo de kefir parece ser comum. Então, resolvemos procurar por aqui. Tentei na internet, mas só consegui depois de um tempo, no boca-a-boca mesmo, com a mãe de um amigo, russa também”, explica. Naquela época, conta, ninguém levava fé. “Aí, começou a ficar mais famosinho… e virei a doadora oficial lá no trabalho”.

Estamos resgatando bons hábitos de nossos antepassados

Patrícia Rodrigues
Nutricionista

Estima-se que a origem do kefir remonte a mais de 2 mil anos a.C, nas montanhas do Cáucaso, Europa Oriental. Em 1908, o produto chegou a Moscou, e a partir daí difundiu-se para outras regiões. Por muitos anos, o consumo de kefir ficou restrito àqueles que tinham os grãos em suas casas e o cultivavam de maneira artesanal.

De acordo com a nutricionista Patricia Rodrigues, a principal característica do kefir é a presença de lactobacillus, lactococos, bactérias do ácido acético e leveduras. A bebida, que é azeda e parece um iogurte, pode ser produzida a partir de grãos imersos em leite (de vaca, cabra, ovelha, búfala) ou água – ideal para vegetarianos e veganos, como é o caso da terapeuta Flávia Arone. Ela conseguiu o kefir de água, ou tibico, após fazer o pedido em um grupo do Facebook. Encontrou uma doadora próxima de sua casa e marcou um encontro na portaria do prédio dela, onde recebeu orientações. “Hoje, é comum também as pessoas fazerem o que chamam de troca colaborativa. E existem sites que vendem kefir, kombucha e outros. Como recebi o meu gratuitamente, faço questão de perpetuar essa prática”, diz a terapeuta, que deixou de tomar as caras pílulas de probióticos. Ao trocá-las pela bebida, além da economia, notou melhorias no funcionamento do sistema digestivo.

O ator Diego Fonseca consome kefir para manter a boa forma: resgate de hábito da infância. Foto: Flavio Emanuel/Divulgação

A nutricionista Patrícia Rodrigues ressalva que o consumo de probióticos caseiros, como o kefir, traz benefícios para a saúde desde que seja incorporado à rotina alimentar diária. Diferentemente dos probióticos em cápsulas (suplementos nutricionais), que devem sempre ser utilizados com prescrição médica ou de nutricionistas, o kefir pode ser consumido sem orientação profissional. Entre os possíveis benefícios estão o fortalecimento do sistema imune, a prevenção de doenças metabólicas, a diminuição nos níveis de colesterol e o auxílio na recomposição da flora intestinal.

Existe aí um exercício do cuidado e da responsabilidade com a saúde, a sua e a do outro

Flávia Arone
Terapeuta

Será apenas mais uma moda nutricional passageira? “Atualmente, muito se fala e se discute sobre alimentação natural. As pessoas têm buscado informações em sites sobre saúde e, por isso, a cada momento surgem novos alimentos ‘queridinhos’. Mas, na verdade, a cultura de bactérias em leite já era utilizada antigamente. Estamos resgatando bons hábitos de nossos antepassados”, diz Patrícia.

Para o ator Diego Fonseca, o consumo de kefir representa exatamente esse resgate da memória afetiva, aliado a um objetivo bem prático: manter a boa forma. Sua mãe lhe dava kefir quando criança, e agora, aos 32 anos, ele voltou a consumir a bebida com a meta de perder peso, já que, segundo o ator, ela gera sensação de saciedade. Diego conseguiu o produto pelas redes sociais. “Fiz um post e em menos de meia hora já havia recebido cerca de dez respostas”, conta. “A questão do kefir é cultural, é quase um ritual. Quando eu era criança já funcionava assim. Infelizmente, muitos hábitos positivos como este se perderam com o tempo. Que bom que agora estão voltando”.

Para Flávia, é nesse ritual que está a maior graça: “Existe aí um exercício do cuidado e da responsabilidade com a saúde, a sua e a do outro. É muito legal apresentar a outra pessoa algo acessível, que pode contribuir para a saúde, mas que exige algum nível de tempo e atenção, diariamente”.

Grãos de kefir. Foto: Flavio Emanuel/Divulgação

Recebeu uma doação de kefir? Saiba como cultivar:

  • Kefir de leite: em média, uma colher de sopa de grãos de kefir deve ser adicionada a meio litro de leite. Coloque em um recipiente de vidro limpo, tampe com um pano e guarde em um local escuro, como um armário, entre 12 e 24 horas. No dia seguinte, coe o líquido (que fica parecido com um iogurte) para ser ingerido. Higienize o recipiente de vidro antes de retornar os grãos ao pote e adicionar leite. Importante: utilize coador e colher de plástico.
  • Kefir de água: uma colher de sopa de grãos e uma colher de açúcar demerara ou mascavo para meio litro de água filtrada. O processo de fermentação é o mesmo do kefir de leite. Também devem ser usados coador e colher de plástico.

Escrito por Ana Morett

Ana Morett

Ana Carolina Morett é jornalista, formada pela PUC-Rio, com MBA em Marketing Digital pela FGV. Com passagens pela Rede Globo e jornal O Globo, onde cobriu de política e futebol a vida de artistas, há cinco anos trabalha com conteúdo de marca. Acredita na força da internet para potencializar boas causas e histórias. Para ela, redes sociais não são só bla, bla, bla.

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6 Comentários

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  1. Olá amigos, vou dar uma dica aqui de onde encontrar Kefir de Leite, Kefir de Água, Kombucha e Iogurtes Infinitos, nesse site:

    http://kefirdeleite.com

    Eles enviam para Qualquer Cidade do Brasil pelos Correios e você só paga o custo do envio dos Correios e recebe no seu endereço.

    Fica aí uma dica muito boa para quem não encontrar na sua Cidade.

  2. Gostaria receber doações kefir leite por que tenho fibromialgia sofro muito ouvir falar muito bom, se alguém puder me ajudar agradeço desde já

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