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Como é bom poder tocar um instrumento

Fundação Amazônica de Música desafia a exclusão para reverter a biografia da pobreza na região


Por ano, 250 crianças e jovens são beneficiados pelo projeto. A idade de partida é sete anos e a iniciação acontece pelo canto-coral. Foto Custódio Coimbra
Por ano, 250 crianças e jovens são beneficiados pelo projeto. A idade de partida é sete anos e a iniciação acontece pelo canto-coral. (Foto Custódio Coimbra)

São 15 anos ensinando música para crianças e jovens pobres da Amazônia. Todos estudantes regiamente matriculados na rede pública, moradores da periferia de Belém, no Pará. Num país que a cada quatro anos descontinua iniciativas sociais, em geral ao sabor dos ventos da política, trata-se, sem dúvida, de um projeto longevo, o que, por si só, já é um feito extraordinário. Com a marca de mais de mil alunos formados, a Fundação Amazônica de Música (FAM) desafia a exclusão para reverter a biografia da pobreza.

Nem todos vão se profissionalizar, admite Gloria Caputo, presidente da FAM e diretora do projeto Vale Música, que nestes 15 anos vem sendo mantido pela Fundação Vale, com o incentivo da Lei Rouanet, uma forma de contrapartida social aos negócios da mineradora na região. Mas a professora que toca o cotidiano de sua orquestra com disciplina e empatia, não hesita em afirmar: a música salva. Atualmente, cerca de 30 alunos e ex-alunos da FAM integram a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, mais de cem ingressaram em faculdades de música e há dez deles estudando com bolsas fora do Brasil.

Por ano, 250 crianças e jovens são beneficiados pelo projeto. A idade de partida é sete anos e a iniciação acontece pelo canto-coral, uma estratégia para despertar a musicalização de cada um. Na proporção em que vão se aprimorando, vão sendo deslocados para outras formações musicais, como bandas, grupos de percussão, orquestra de violinos, orquestra infanto-juvenil até chegarem à Orquestra Jovem Vale Música, última etapa da formação. Os instrumentos ficam com os alunos, em regime de comodato, e o projeto oferece a cada um uma bolsa de R$ 450,00. Um dinheiro que ajuda a convencer os pais a não tirarem seus filhos da escola para entrarem precocemente no mundo do trabalho. E que serve para ir, vir, e, não raro, botar comida dentro de casa.

Os instrumentos ficam com os alunos, em regime de comodato, e o projeto oferece a cada um uma bolsa de R$ 450,00. Foto Custódio Coimbra
Os instrumentos ficam com os alunos, em regime de comodato, e o projeto oferece a cada um uma bolsa de R$ 450,00. Foto Custódio Coimbra

Escrito por Cristina Chacel

Jornalista e escritora, atuou nos principais jornais do Rio de Janeiro. Há 20 anos trabalha como freelancer, com criação de textos jornalísticos e institucionais e projetos sociais e solidários. É autora de dezenas de livros, entre eles Rio de Cantos Mil, com fotos de Custodio Coimbra.

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