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O dilema das embalagens

Elas são práticas, mas insustentáveis. As de plástico já somam 280 milhões de toneladas ano e apenas 10% são recicladas


Apenas nos Estados Unidos, o consumo de garrafas plásticas é de 2,5 milhões a cada trinta minutos
Apenas nos Estados Unidos, o consumo de garrafas plásticas é de 2,5 milhões a cada trinta minutos

Até os anos 1950, na feira, tudo era embalado com jornal. No comércio, de maneira geral, usava-se um papel cor-de-rosa grosseiro. Refrigerantes e cervejas eram vendidos em vidro, em garrafas retornáveis. O surgimento do plástico e sua disseminação, a partir daí, veio primeiro como um visível benefício. É leve, durável e custa muito pouco, e isto explica porque é hoje parte integral de muitas soluções de embalagem. Muitas variedades dele podem ser moldadas, extrudadas e transformadas em diversos formatos, películas ou espumas. Assim, é capaz de fazer o consumidor levar mais produtos para casa com menos embalagem, se comparado a materiais alternativos. O problema é que, com o aparecimento de novos polímeros, aumenta sua demanda, e com ela os esforços de recuperação e reciclagem.

A cada ano são produzidas mundialmente 280 milhões de toneladas de plástico. De acordo com estimativas do Plasticy Forum, uma colaboração das iniciativas Ocean Recovery Alliande e Republic of Everyone, apenas 10 por cento disso é reciclado. Estas e outras entidades discutem novas formas de aproveitar este material, tanto no uso pré como pós-consumidor. Não tem sido fácil. Com uma frequência cada vez maior, embalagens de plásticos vão parar na rua, em oceanos e aterros. Economias em desenvolvimento, com florescentes classes médias, criam mais renda discricionária, o que significa mais lixo.

Em média, qualquer cidadão vivendo na Europa ou na América do Norte consome 100 quilos de plástico anualmente, e maior parte disso com embalagens. Na Ásia, o volume médio é de apenas 20 quilos, mas também lá o crescimento é vertiginoso. E é exatamente para a Ásia ou para países com fracas regulações ambientais que o plástico vai parar na hora da reciclagem. A solução é ineficiente e perigosa, porque queimar este material exige controle de emissões e produz poluição muito tóxica.  Cerca de 56% deste lixo acaba na China, onde é reciclado ou incinerado, diz o Worldwatch Institute.

Em média, qualquer cidadão vivendo na Europa ou na América do Norte consome 100 quilos de plástico anualmente, e maior parte disso com embalagens

Os oceanos recebem entre 10 milhões a 20 milhões de toneladas de plástico por ano. Flutuam neles 5.2 trilhões de partículas pesando um total de 268 milhões de toneladas, com as consequências já conhecidas. Na economia, isto representa bilhões de dólares por ano em perdas com danos a ecossistemas marinhos e prejuízos à pesca e ao turismo. Alguns dados mostram a extensão do problema. Apenas nos Estados Unidos, 2,5 milhões de garrafas plásticas são consumidas a cada trinta minutos.  O de papel e papelão, 300 quilos por ano per capita, e globalmente o consumo de latas de alumínio é de 80 bilhões delas anualmente. Há poucos programas de economia de materiais em grandes corporações, e elas incluem Starbucks, McDonalds, Coca-Cola, PepsiCo e Nestlé Waters, além da gigante Unilever, de acordo com o National Resources Defense Council.

Em nosso país, quase todas as latinhas descartáveis e garrafas PET são recicladas. Entretanto, plásticos, latas de aço, vidro, dentre outros materiais, são pouco considerados neste processo, reforçando as estatísticas que apontam que somente 11% de tudo o que se joga na lata de lixo, em nosso país é, de fato, reciclado.”No caso do Brasil, entrou em vigor recentemente o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, como uma forma de incentivar a reciclagem de todo tipo de lixo. O de casa, das ruas, da indústria e do comércio, mas oito em cada dez municípios brasileiros ainda não tem programa de coleta seletiva e os que têm, poderiam reciclar muito mais do que fazem hoje”, afirma O Globo.

Em São Paulo, por enquanto, apenas 3% dos resíduos são reciclados, de um total de 12 mil toneladas de lixo domiciliar que são recolhidas diariamente.  Em dez anos, o número de municípios que implantaram programas de reciclagem aumentou de 81 para mais de 900. Mas isso não representa nem 20% das cidades.


Escrito por José Eduardo Mendonça

É jornalista, com passagens por publicações como Exame, Gazeta Mercantil, Folha de São Paulo, e criador da revista Bizz e do suplemento Folha Informática. Vem nos últimos anos se dedicando aos temas ligados à sustentabilidade e foi pioneiro ao fazer, para o Jornal da Tarde, em 1976, uma série de matérias sobre energia limpa.

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