De curas caseiras à estratégia política: as fake news da pandemia

Pesquisadoras da Fiocruz fazem estudo sobre notícias falsas com base em denúncias feitas através de aplicativo da Escola Nacional de Saúde Pública

Por Agência Fiocruz de Notícias | ods3ods4 • Publicada em 22 de maio de 2020 - 08:34 • Atualizada em 22 de maio de 2020 - 09:06

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Material de combate às notícias falsas produzido pela Fiocruz: pesquisadoras identificam fake news disseminadas na pandemia (Reprodução)

Conduzido pelas pesquisadoras da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) Claudia Galhardi e Maria Cecília de Souza Minayo, um recente estudo identificou as principais fake news relacionadas à Covid-19, recebidas pelo aplicativo Eu Fiscalizo, entre março e maio no país: métodos caseiros de prevenção e cura, a covid-19 como estratégia política e ataques ao isolamento social e ao uso de máscaras fazem parte do repertório de informações mentirosas disseminadas, principalmente, pelas redes sociais.

A primeira etapa da pesquisa, que fez um balanço das denúncias de notícias falsas recebidas entre 17 de março e 10 de abril, revela que 65% delas ensinam métodos caseiros para prevenir o contágio da Covid-19, 20% mostram métodos caseiros para curar a doença, 5,7% se referem a golpes bancários, 5% fazem menção a golpes sobre arrecadações para instituição de pesquisa e 4,3% se referem ao novo coronavírus como estratégia política.

A segunda fase do estudo, realizada entre 11 de abril e 13 de maio, aponta que, entre as fake news notificadas pelo app, 24,6% afirmam ser a doença uma estratégia política, 10,1% ensinam métodos caseiros para prevenir o contágio do novo coronavírus, 10,1% defendem o uso da cloroquina e hidroxicloroquina sem comprovação de eficácia científica e 7,2% são contra o distanciamento social.

Os resultados referentes ao intervalo entre abril e maio também mostram que 5,8% das notícias falsas ensinam métodos caseiros para curar a Covid-19, 5,8% afirmam que o novo coronavírus foi criado em laboratório, 4,3% declaram o uso de ivermectina como cura para a doença, 4,3% são contra o uso de máscaras e 2,9% difamam os profissionais de saúde.

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Ainda entre os meses de abril e maio, foi constatado que, entre as fake news denunciadas, 2,9% são contra o uso de álcool em gel, 2,9% declaram o novo coronavírus como teoria conspiratória, 1,4% são relacionadas à difamação de políticos, 1,4% declaram ter a causa do óbito de parentes alterada para Covid-19 e 0,4% consistem em charlatanismo religioso, com tentativa de venda de artefatos para a cura da doença. O estudo também aponta que 15,9% das fake news se referem à covid-19 como uma farsa, durante todo o período analisado, entre 17 de março e 13 de maio.

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Segundo a pesquisadora Claudia Galhardi, além de colocar vidas em risco, a disseminação de notícias falsas relacionadas ao novo coronavírus contribui para o descrédito da ciência e das instituições globais de saúde pública, bem como enfraquece as medidas adotadas pelos governos no combate à doença. Por isso a importância da realização de estudos sobre a temática. “Precisamos redobrar a atenção ao receber informações nas redes sociais que não apresentem a fonte oficial e fazer uma leitura crítica antes de compartilhar qualquer conteúdo”, alerta a pesquisadora.

Material produzido pela Fiocruz contra notícias falsas na pandemia: receitas caseiras para prevenir ou curar covid-19 estão entre as mais disseminadas (Reprodução)
Material produzido pela Fiocruz contra notícias falsas na pandemia: receitas caseiras para prevenir ou curar covid-19 estão entre as mais disseminadas (Reprodução)

O aplicativo Eu Fiscalizo foi criado para permitir que usuários avaliem conteúdos veiculados nos meios de comunicação e entretenimento. A ideia é que a sociedade possa notificar conteúdos impróprios nas TVs, cinema, publicidade, jogos eletrônicas e mídias sociais. Com o avanço da pandemia, a covid-19 tornou-se o principal tema das notificações recebidas pelo app.

Mídias sociais para disseminação

Em abril, as pesquisadoras da Ensp/Fiocruz realizaram estudo que identificou as mídias sociais mais utilizadas para a propagação de fake news relacionadas à Covid-19 notificadas pelo aplicativo. A pesquisa, que analisou denúncias e notícias falsas recebidas pelo aplicativo Eu Fiscalizo entre 17 de março e 10 de abril, mostra que as mídias sociais mais utilizadas para disseminação de fake news sobre o novo coronavírus foram Whatsapp, Facebook e Instagram.

Os dados revelam que 10,5% das notícias falsas foram publicadas no instagram, 15,8% no Facebook e 73,7% circuladas pelo WhatsApp. Os resultados também apontam que 26,6% dasfake news publicadas no Facebook atribuem a Fiocruz como orientadora no que diz respeito à proteção contra o novo coronavírus.

O estudo ainda revela que 71,4% das mensagens falsas circuladas pelo WhatsApp citam a Fundação como fonte de textos sobre a Covid-19 e com medidas de proteção e combate à doença. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), juntas, somam 2% das instituições citadas como fonte de informações sobre cuidados e medidas contra o novo coronavírus em mensagens de WhatsApp.

Saiba mais sobre o Eu Fiscalizo.

A série #100diasdebalbúrdiafederal terminou, mas o #Colabora vai continuar publicando reportagens para deixar sempre bem claro que pesquisa não é balbúrdia.

Agência Fiocruz de Notícias

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