Mães e avós baianas não medem esforços para vacinar suas crianças

Bahia é o único estado do Nordeste que aparece entre os três estados brasileiros que mais se destacaram nos esforços para atualização das cadernetas de vacinas

Por Liliana Peixinho | ODS 3 • Publicada em 31 de outubro de 2021 - 11:59 • Atualizada em 3 de novembro de 2021 - 08:55

Lucieide de Sá Pereira, avó de Lara, ajuda nos cuidados com a neta. A caderneta da criança está quase completa. Foto Liliana Peixinho

Lucieide de Sá Pereira, avó de Lara, ajuda nos cuidados com a neta. A caderneta da criança está quase completa. Foto Liliana Peixinho

Bahia é o único estado do Nordeste que aparece entre os três estados brasileiros que mais se destacaram nos esforços para atualização das cadernetas de vacinas

Por Liliana Peixinho | ODS 3 • Publicada em 31 de outubro de 2021 - 11:59 • Atualizada em 3 de novembro de 2021 - 08:55

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(Senhor do Bonfim, BA) – Mônica, Roberta, Lucinha, Ester, Tatiana, Jaqueline, Luana e Camila são mães e avós dedicadas, responsáveis e comprometidas com o bem-estar da família e da comunidade. Em meio às adversidades do Nordeste, Sertão adentro, Caatinga afora, Bahia no meio, Brasil à frente, essas mulheres envolvidas com a labuta diária, seja no lar, no comércio de rua ou nas casas de outras mulheres, revelam que não medem esforços para cuidar de seus filhos. Com raras exceções, as cadernetas de vacinação de crianças como Lunna, Lara, Juan, Gabriel, Sophia, Isaac e Roberto, apresentadas à reportagem do #Colabora, por suas mães e avós, estão regularizadas. Apesar dos percalços que enfrentam, elas demonstram que estão sempre atentas às campanhas, aos avisos que circulam entre si e às informações do Posto de Saúde.

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Lucieide de Sá Pereira, avó de Lara, conta que dá todo o apoio à filha, Roberta de Sá, nos cuidados com a saúde da neta. A caderneta da criança está quase completa.  Só faltou a vacina contra a febre amarela porque acabou o estoque no posto, mas ela aguarda nova remessa.

Jaqueline Vieira da Silva, 31 anos, mãe de Juan, além de dona de casa, é vendedora de sonhos. Ela se levanta às 5 horas da manhã para fazer 100 unidades de sonhos, que comercializa por um real, cada, na cidade mais próxima de onde mora, na zona rural do município de Senhor do Bonfim, na Bahia.

Mônica Celestino de Sá, mãe de Gabriel, trabalha em dois lugares mais não descuida da vacinação do filho. Foto Liliana Peixinho
Mônica Celestino de Sá, mãe de Gabriel, trabalha em dois lugares mais não descuida da vacinação do filho. Foto Liliana Peixinho

Além de pegar um ônibus, todos os dias, da zona rural para a cidade, ela caminha sob o sol forte com a cesta de sonhos sobre os ombros, para vender os doces de porta em porta. Na volta para casa, à tarde, é preciso dar continuidade às inúmeras tarefas domésticas. O filho, Juan, 8 anos, nasceu com problemas nos pés e usa cadeira de rodas. Para orgulho da mãe, a caderneta de vacina dele está em dia.

Mônica Celestino de Sá, 32 anos, mãe de Gabriel, 4 anos, trabalha em dois lugares e conta com o apoio da filha mais velha, de 16 anos, que estuda num turno e reveza horários em casa para fazer companhia ao irmão menor.

Dentre os inúmeros afazeres domésticos de Mônica, está a tarefa de carregar em baldes, a água que não cai na torneira. Ao mostrar a caderneta de vacina do filho, Gabriel, ela reconhece que estão faltando algumas vacinas porque diz ter “medo de agulha”.  “Me sinto mal e fiquei preocupada com as reações da vacina da gripe”, admite.  Ela reconhece que falhou com algumas vacinas e informa que não tomou vacina da covid-19, mas garante ter consciência sobre o valor preventivo da vacinação e adianta que está tentando vencer seus medos, com apoio de mães amigas e da família.

Já na sua rotina diária, Maria Lúcia de Sá, a Lucinha, avó de Lara, cuida dos animais, planta feijão, milho, aipim e palma, na roça, além de lavar roupas, limpar a casa e buscar lenha para cozinhar. Apesar das adversidades do seu cotidiano, quando chega o período de vacinar a neta, Lara, ela se arruma e enfrenta a caminhada no sol a pino, carregando nos braços a neta até o posto de vacinação, na zona rural de Passagem Velha.

Contextos sociais e esforços coletivos para adesão à cobertura vacinal

Redução da mobilidade, fechamento de escolas e outros estabelecimentos que funcionam como estruturas de apoio às campanhas de vacinação, riscos de circulação do coronavírus, além do papel das mães frente às adversidades cotidianas são alguns dos fatores que podem explicar a evolução na queda de atualização das cadernetas de vacinação das crianças, observada nos últimos anos, no Brasil, mesmo antes da pandemia da covid-19. Esse contexto não é diferente na Bahia.

A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) avalia que, dentre os fatores de queda da cobertura vacinal, entre 2020 e 2021, está “o fechamento das escolas e a diminuição de consultas pediátricas de rotina”.

Apesar das adversidades, a Bahia é o único estado do Nordeste que aparece entre os três estados brasileiros que mais se destacaram nos esforços coletivos para atualização das cadernetas de vacinas das crianças, ao lado de São Paulo e Minas Gerais.

Segundo informado pela Sesab, a Coordenação Estadual de Imunizações participa constantemente de reuniões com as equipes técnicas de vacinação municipais e estaduais, além do Ministério da Saúde, com o intuito de monitorar as estratégias locais de busca ativa da população para completar a carteira de vacinação das crianças. Além disso, desenvolve ações de multivacinação e participa de campanhas nacionais como as de sarampo, poliomielite, influenza e imunização de rotina. O órgão considera importante, também, manter, mesmo em contexto pandêmico, os serviços de imunização em funcionamento para assegurar o acesso da população às salas de vacina.

Desta forma, foi elaborado o Manual de Boas Práticas em Imunização no Contexto da Pandemia de COVID-19, para orientar os diversos atores institucionais e sociais sobre a adoção de medidas sanitárias para oferecer ambientes e condições seguras aos usuários e profissionais.

Com a pandemia, em muitos municípios baianos, como o de Senhor do Bonfim, as equipes de saúde da família, mesmo estando desestruturadas para dar prioridade aos pacientes com covid-19, contaram com a contribuição de agentes de saúde, como Jordiane Silva, que fizeram buscas ativas nas residências e perceberam que as crianças estavam sendo vacinadas em postos e centros de saúde.  Mas apesar de vacinas constarem nas cadernetas, foi observado que, muitos desses registros não entraram de imediato no Sistema, por problemas técnicos e de capacitação específica.

(*) Esta reportagem só foi possível graças ao projeto “Primeira Infância é Prioridade” da ANDI/Rede Nacional Primeira Infância em parceria com a Petrobras.

Liliana Peixinho

Jornalista, ativista socioambiental. Especialização em Jornalismo Científico, Meio Ambiente e Cultura. Responsabilidade Social Empresarial Sustentável. MBA em Turismo e Hotelaria Sustentável.
Fundadora/Coordenadora: Movimento AMA -Amigos do Meio Ambiente, Mídia Orgânica, Reaja- Rede Ativista de Jornalismo e Ambiente, RAMA, Cuidar do Cuidador.

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