Compartilhar, , Google Plus, Linkedin, Whatsapp,

Imprimir

Publicado em

Ameaça ambiental até no saquinho de chá

Estudo de universidade canadense mostra que uma xícara da bebida pode conter mais de 11 bilhões de partículas de plástico


Saquinhos nas xícaras de chá: estudo de universidade do Canadá aponta que cada xícara pode ter mais de 11 bilhões de partículas de plástico (Foto: Chad Springer/Image Source/AFP)
Saquinhos nas xícaras de chá: estudo de universidade do Canadá aponta que cada xícara pode ter mais de 11 bilhões de partículas de plástico (Foto: Chad Springer/Image Source/AFP)

Ao respirar, ou tomar água, você já está absorvendo alguma quantidade de microplástico. Agora, insere-se neste grupo o aparentemente inócuo chá, caso seja consumido em embalagem triangular de nylon, como nas marcas mais caras. De acordo com um  novo estudo, cada xícara de chá pode conter mais de 11 bilhões de partículas de plástico.

LEIA MAIS: Microplásticos ameaçam saúde da humanidade

LEIA MAIS: Proibição de canudos plásticos inspira soluções sustentáveis

Não há uma definição universal, mas os pesquisadores usam o termo em geral como pedaços de plástico menos que cinco micrometros – ou cinco milionésimos de metro. Segundo a medida mais utilizada, microplásticos têm entre um e mil micrometros.  Outra medida, que começa a ser investigada, é a de nanoplásticos, muito pequenos para serem visto a olho nu, mensurados em nanometros, e há mil nanometros em um micrometro. 

(E os pedaços maiores de plástico que ameaçam a vida selvagem e terminam no estômago de animais podem em muitos casos serem os microplásticos do futuro.)

O sal de mesa, que tem um índice relativamente alto de conteúdo microplástico, registrou aproximadamente 0.005 microgramas plástica por grama de sal. Uma xícara de chá contém uma massa de plástica, milhares de vezes maior: 16 microgramas por xícara

Nathalie Tufenkji
Pesquisadora da Universidade McGill

Este novo estudo – conduzido por cientistas da Universidade McGill, do Canadá – colocou em água fervente apenas um saquinho de chá e mostrou substâncias perigosas em sua composição. Os níveis de nylon e ftalato de polietileno eram muitas ordens de magnitude mais altos que plásticos encontrados em outros alimentos. Os ftalatos causam uma série de problemas adversos à saúde, com danos ao fígado, rins e pulmão, além de anormalidades no sistema reprodutivo.

Os 11,6 bilhões encontrados em uma xícara de chá espantaram os pesquisadores. “Nós achamos que isso é realmente muito quando comprado com outros alimentos que contêm microplásticos. O sal de mesa, que tem um índice relativamente alto de conteúdo microplástico, registrou aproximadamente 0.005 microgramas plástica por grama de sal. Uma xícara de chá contém uma massa de plástica, milhares de vezes maior: 16 microgramas por xícara”, afirma Nathalie Tufenkji, pesquisadora da Universidade McGill

O que os microplásticos estão fazendo com nossa saúde? Não existe ainda ciência para isso. Mas há evidência que nanopartículas, não necessariamente de plástico, podem causar nosso sistema imunológico a reagir em nível celular.  E elas podem passar pela parede do estômago.

Saquinho de chá: novo vilão ambiental (Foto: Foodcollection GesmbH)
Saquinho de chá: novo vilão ambiental (Foto: Foodcollection GesmbH)

Como surgiram os saquinhos de chá?

Essas embalagens foram inventadas por acidente por Thomas Sullivan, comerciante americano, há um século. Ele decidiu enviar a seus potenciais clientes chá embrulhado em pequenas embalagens de seda. Confusos, eles acreditaram que a intenção era mergulhá-los na água quente, como se faz com os tradicionais infusores de metal. É possível que a indústria do chá, bebido em grande quantidade no Reino Unido, segundo maior mercado do mundo, não tivesse sobrevivido sem a invenção – sem ela, não haveria capacidade de distribuição em massa. 

A escala do problema é enorme. Os saquinhos respondem hoje por 96% das 165 milhões de xícaras consumidas apenas no Reino Unido, de acordo com a Associação de Chá e Infusões do país. Um movimento crescente pede que eles sejam substituídos por chá a granel, ou vendidos em opções mais verdes, como as pirâmides japonesas, feitas de milho e totalmente compostáveis. Mas a opção é mais cara na produção em massa.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) diz que as partículas na água não parecem causar um risco, mas que suas descobertas foram baseadas em informação limitada e pedem mais pesquisas sobre a questão. 

Mas ainda que maioria das embalagens fossem apenas de papel, elas passam por um processo de branqueamento, feito para torná-lo mais claro.  O composto químico é una substância potencialmente cangerígena, a epicloforina.  Em alguns casos, dá para se sentir um gosto no chá associado à qualidade da água, sendo que a causa verdadeira é a embalagem. 

A opção é parece ser voltar ao passado e usar os infusores de metais, totalmente seguros.


Escrito por José Eduardo Mendonça

É jornalista, com passagens por publicações como Exame, Gazeta Mercantil, Folha de São Paulo, e criador da revista Bizz e do suplemento Folha Informática. Vem nos últimos anos se dedicando aos temas ligados à sustentabilidade e foi pioneiro ao fazer, para o Jornal da Tarde, em 1976, uma série de matérias sobre energia limpa.

75 posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *