Compartilhar, , Google Plus, Linkedin, Whatsapp,

Imprimir

Publicado em

Sou homofóbico? Quais as causas da homofobia? Especialistas respondem

E mais: o que é homofobia institucional? E preconceito homofóbico? Advogado e psicóloga esclarecem principais duvidas dos brasileiros sobre o tema.


Sou homofóbico? Quais as causas da homofobia? Especialistas respondem
“O homofóbico tem origem no medo da sua própria homossexualidade”, afirma psicóloga. (Foto: Christian Sterk/Unsplash)

O Brasil é o país que mais busca por homofobia no mundo. Estamos realmente preocupados em correr atrás de mais informações e conteúdos sobre o assunto. Quem garante isso é o próprio Google, que fez recentemente um levantamento sobre as pesquisas relacionadas ao universo LGBT. Entre as boas notícias está a de que, desde 2015, o interesse de busca por direitos LGBT+ é superior ao por termos relacionados a retórica anti-LGBT. Temas como políticas públicas, educação, violência e empregabilidade se destacam entre as curiosidades mais usuais dos brasileiros. E, claro, tem também muitas perguntas. Afinal, a maior visibilidade das questões que envolvem sexualidade e gênero acarreta uma série de novos significados, termos e contextualizações que precisam ser descobertos.

LEIA MAIS: 10 relatos que mostram a importância de criminalizar a LGBTfobia

O #Colabora procurou dois especialistas para responder as principais dúvidas envolvendo homofobia que fazem os internautas brasileiros correr para o Google. São eles: Henrique Rabello, advogado, professor da UFRJ e presidente da Comissão de Diversidade Sexual e Gênero da OAB/RJ; e a psicóloga Elisângela Pereira, especialista em sexualidade humana e psicoterapia comportamental, vertente que tem a fobia entre seus objetos de estudo.

Perguntas sobre homofobia
Perguntas mais comuns entre os internautas brasileiros quando o assunto é homofobia, segundo levantamento do Google (Montagem: Fernando Alvarus)

O que é ser homofóbico?

Elisângela Pereira: Ser homofóbico significa ter preconceito, raiva, ódio ou uma aversão total e repugnância contra pessoas homoafetivas.

Henrique Rabello: É justamente perceber todas as identidades de gênero e orientações sexuais diversas do padrão heteronormativo como anormais, inferiores e patológicas. Isso se reflete por meio de agressões físicas e psicológicas praticadas por pessoas em caráter particular ou institucional.
* Padrão heteronormativo é ideia que traz a heterossexualidade como padrão de normalidade, na qual espera-se que todos sejam heterossexuais e, portanto, a existência de outros tipos de sexualidade é discriminada.

O que é preconceito homofóbico?

A partir do momento em que a pessoa afirma com tanta veemência esse ódio, ela está o tempo todo tentando exaltar a sua heterossexualidade. Então, a gente pode dizer que o homofóbico teria origem no medo da sua própria homossexualidade

Elisângela Pereira
Psicóloga

Henrique Rabello: O preconceito homofóbico se estabelece nas bases citadas acima, a partir de práticas e comportamentos em que todas as dissidências do padrão heteronormativo são rejeitadas e reprimidas. O preconceito homofóbico atinge inclusive pessoas heterossexuais que podem ser violentadas, em diversos níveis, se confundidas com pessoas LGBT+.

Sou homofóbico? Quais as causas da homofobia? O que é homofobia institucional? E preconceito homofóbico?
Desde 2015, o interesse de busca por direitos LGBT+ é superior ao por termos relacionados a retórica anti-LGBT (Foto: Mads Claus Rasmussen / Ritzau Scanpix / Ritzau Scanpix/AFP)

De que maneira a homofobia e a transfobia se materializam?

Elisângela Pereira: A materialização começa por pequenos atos, como a verbalização de intolerância por meio de xingamentos. Isso pode aumentar para a violência física, e, nos casos mais extremos, agressão seguida de morte. São atos de total intolerância e falta de respeito com a individualidade do outro.

Henrique Rabello: Desde ataques verbais a agressões físicas, seja na escola, no ambiente de trabalho ou em família. A homofobia e a transfobia se materializam por meio de práticas cotidianas de repulsa e não reconhecimento, que se manifestam de diversas formas: das mais sutis, naturalizadas no dia a dia, até a violência que pode levar à morte.

LEIA MAIS: Por que as siglas LGBT+ importam?

Quais as causas da homofobia?

Henrique Rabello: A homofobia está relacionada diretamente ao estabelecimento de um padrão heteronormativo hegemônico que orienta a relação entre as pessoas. Dessa forma, todos os corpos dissidentes desse padrão não são reconhecidos e, portanto, sujeitos à violências físicas e psicológicas.

O preconceito homofóbico é justamente perceber todas as identidades de gênero e orientações sexuais diversas do padrão heteronormativo como anormais, inferiores e patológicas

Henrique Rabello
Advogado e professor

Elisângela Pereira: Freud, criador da psicanálise, defendia a teoria em que todos nós nascemos bissexuais, só que, ao longo do nosso desenvolvimento, fazemos uma força gigantesca para reprimir a atração por pessoas do mesmo sexo. A maioria dos homofóbicos, segundo a psicologia, tem origem exatamente no medo. Medo de se demonstrar ou de parecer homossexual. Porque a partir do momento em que a pessoa afirma com tanta veemência esse ódio, ela está o tempo todo tentando exaltar a sua heterossexualidade. Então, a gente pode dizer que o homofóbico teria origem no medo da sua própria homossexualidade.

O que é homofobia institucional?

Elisângela Pereira: É o tipo de discriminação homofóbica que pode ser percebida dentro das instituições, nas escolas e em cargos públicos, por exemplo. Em qualquer tipo de instituição onde é percebido, de forma explícita ou sutil, que houve um preconceito ou uma discriminação em decorrência da orientação sexual. Isso pode se dar durante o acesso a uma determinada vaga, em um concurso público, em um cargo dentro da empresa privada.

Também tem dúvida? Clique aqui e fique por dentro das siglas e significados da comunidade LGBT+


Escrito por Yuri Fernandes

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora, é mineiro de Ipatinga. Sempre sonhou em morar no Rio de Janeiro e realizou seu desejo em 2014 ao passar para o programa de estágio da TV Globo. Trabalhou nas redações do "Bom Dia Brasil", do "Jornal Nacional" e do "EGO". Tem grande interesse em pautas de inclusão social e diversidade de gênero. Acredita que o jornalismo pode e deve ser usado como forma de combater a opressão a minorias. Cresceu vendo novelas e sempre manteve essa paixão viva.

30 posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *