Agência Lupa sofre campanha de desinformação e homofobia

Veículo de mídia independente especializado em checagem vem sofrendo um ataque coordenado nas redes sociais com falsas acusações de censura

Por #Colabora | ODS 16 • Publicada em 22 de agosto de 2020 - 12:01 • Atualizada em 24 de agosto de 2020 - 10:26

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(Este texto foi publicado originalmente no site da Abraji)

A Agência Lupa vem sofrendo uma campanha coordenada de desinformação com viés homofóbico nas redes sociais. Em um post que circulou no dia 20.ago.2020, Gilberto Scofield Jr., diretor de Estratégias e Negócios da Lupa desde maio de 2019, e seu marido, Rodrigo de Mello, corretor de imóveis, foram falsamente apontados como fundadores da agência de checagem, chamados de militantes de esquerda e ativistas LGBT e acusados de censura.

“Fomos alertados por outras plataformas de checagem sobre publicações que circulam no Facebook, no Twitter e no WhatsApp com informações falsas sobre a nossa empresa, nossa fundação e nosso funcionamento”, diz a Lupa, em comunicado, esclarecendo que Scofield Jr. e Mello não são fundadores da agência, e sim a jornalista Cristina Tardáguila, que criou a Lupa em 2015 e está licenciada do cargo desde maio de 2019, quando assumiu o cargo de diretora-adjunta da IFCN (International Fact-Checking Network), a associação internacional que reúne as agências de checagem.

A Agência Lupa não censura posts no Facebook ou em qualquer outro meio digital. O que acontece a partir do envio do link que contém a checagem é de responsabilidade exclusiva do Facebook

Comunicado Agência Lupa

Segundo Scofield Jr., a postagem é desinformativa e manipuladora, pois dá a entender que ele, como “fundador da Lupa” teria uma agenda progressista e antibolsonarista. Quanto à falsa acusação de censura, o post faz referência ao programa Third Party Fact Checking (Programa de Verificação de Notícias, em tradução livre), do Facebook. No Brasil, fazem parte do programa Lupa, Aos Fatos, Estadão Verifica e a France Presse.

As agências parceiras em cada país têm acesso a um dashboard pelo qual recebem denúncias de postagens feitas pelos usuários do Facebook. As agências podem então checar os posts e adicionar a eles a URL da checagem. A partir daí, o Facebook toma algumas atitudes de forma totalmente independente dos checadores. A plataforma avisa o dono do post sobre a checagem; quem compartilhou também recebe uma mensagem; o post aparece com a URL da checagem; e o Facebook reduz em até 80% a distribuição do post.

“A Agência Lupa não censura posts no Facebook ou em qualquer outro meio digital. O que acontece a partir do envio do link que contém a checagem é de responsabilidade exclusiva do Facebook”, afirma o comunicado da agência de checagem.

Tardáguila, que fica na IFCN pelo menos até abril de 2021, diz que ataques a checadores e verificadores costumam aumentar em anos eleitorais – o Brasil terá eleições municipais em novembro próximo. Desde julho, o especialista em investimentos Leandro Ruschel, que se define como conservador, vem fazendo vídeos “revisando” as checagens da Lupa. “Trata-se de ataques coordenados para tirar a credibilidade do trabalho dos checadores”, afirma ela, que aponta uma diferença fundamental em relação às eleições de 2018. “Hoje temos mais plataformas e mais bem estruturadas. Formamos alianças importantes, como a com o TSE, para lutar contra a desinformação.”

O presidente da Abraji, Marcelo Träsel, lamenta as tentativas de deslegitimar o trabalho dos checadores e da imprensa. “A liberdade de expressão é um direito constitucional, mas não se sobrepõe a outros direitos quando se trata de mentir, ofender e caluniar alguém, ainda mais baseado em sua orientação sexual – o que configura preconceito inaceitável”. A Abraji coordena o Projeto Comprova, voltado para verificação de boatos sobre a pandemia de covid-19, políticas públicas federais e eleições.

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