O que é a COP 15 das Espécies Migratórias que acontece pela primeira vez no Brasil

Encontro sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres acontecerá em março no Pantanal

Por Micael Olegário | ODS 15
Publicada em 4 de março de 2026 - 08:59  -  Atualizada em 4 de março de 2026 - 09:44
Tempo de leitura: 5 min

Flamingos são exemplo de espécie migratória das Américas; conferência discutirá conectividade ecológica (Foto: Heron Gris/Pxhere)

Pela primeira vez, o Brasil sediará a Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Selvagens (COP15). O encontro será realizado em Campo Grande (MS), entre os dias 23 e 29 de março, tendo como tema central “Conectando a natureza para sustentar a vida”.

O objetivo principal da COP15 de Espécies Migratórias é discutir estratégias de conservação para animais silvestres que cruzam fronteiras internacionais terrestres, marinhas e aéreas. A escolha de Mato Grosso do Sul, estado que abriga três quartos do bioma Pantanal, está ligada ao fato do bioma ser chave para rotas migratórias nas Américas.

A proposta da reunião é semelhante ao que ocorreu na COP30 (Conferência das Partes sobre Mudança do Clima) realizada em Belém (PA), em novembro de 2025. Governos, cientistas, povos indígenas, comunidades tradicionais e sociedade civil discutem diferentes aspectos sobre a importância de defender a biodiversidade.

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“As espécies migratórias de animais silvestres desempenham um papel fundamental na conservação da biodiversidade, gerando benefícios ambientais e econômicos, como o fortalecimento do turismo sustentável e do setor de serviços”, afirma João Paulo Capobianco, presidente da COP15 e secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

A edição anterior da Conferência de Espécies Migratórias (CMS, na sigla em inglês) foi realizada no Uzbequistão. O Brasil é protagonista nas discussões, como o país mais biodiverso no mundo. Além disso, os biomas brasileiros são lar para várias espécies migratórias, como tubarões, arraias, morcegos, baleias e outros mamíferos marinhos.

Foto colorida de reunião sobre a COP15 de Espécies Migratórias em auditório do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul)
Reunião no auditório do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) serviu para discutir detalhes da COP15 no Pantanal (Foto: Mairinco de Pauda / Semadesc-MS)

Temas e funcionamento da COP15

Um dos temas chaves da COP15 no Brasil é a chamada conectividade ecológica, termo que faz referência às relações e ao movimento entre espécies de animais e plantas. A diversidade genética e a adaptação às mudanças climáticas dependem dessas relações entre as diferentes espécies.

De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), preservar a conectividade ecológica é essencial para salvaguarda e gestão de habitats e biodiversidade. O tema também possui ligação com funções ecossistêmicas, como migração, hidrologia, ciclagem de nutrientes, polinização, dispersão de sementes, segurança alimentar, resiliência climática e resistência a doenças.

Dados de relatório Estado das Espécies Migratórias do Mundo aponta que uma em cada cinco espécies migratórias de animais silvestres está ameaçada de extinção e 44% estão sofrendo reduções populacionais. A situação é especialmente preocupante no caso dos peixes, isso porque, quase todas (97%) as espécies incluídas na lista da CMS correm risco de extinção.

Assim como a Conferência do Clima prevê a definição das NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) por cada país, a COP15 da CMS conta com instrumentos de implementação. Neste caso, esses documentos são nomeados como NBASPs (Estratégias e Planos de Ação Nacionais para a Biodiversidade).

 

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Micael Olegário

Jornalista formado pela Universidade Federal do Pampa (Unipampa). Gaúcho de Caibaté, no interior do Rio Grande do Sul. Mestrando em Comunicação na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Escreve sobre temas ligados a questões socioambientais, educação e acessibilidade.

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