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Pesquisa flagra pesca ilegal de tubarões

Projeto da Universidade Federal do Maranhão revela comércio de espécies do litoral da Amazônia ameaçadas de extinção


Tubarões recolhidos em mercado: pescado e comércio ilegais flagrados por projeto de pesquisa (Foto: Divulgação/UFMA)
Tubarões recolhidos em mercado: pescado e comércio ilegais flagrados por projeto de pesquisa ((Foto: Arquivo Pessoal Jorge Nunes)

A ideia inicial era saber quais espécies de tubarão estavam sendo capturadas para venda nos mercados públicos do Maranhão, Amapá e Pará. Ao fazer o estudo, porém, os pesquisadores do Departamento de Biologia, de Oceanografia e Limnologia, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) concluíram que alguns tipos de tubarões estavam sendo comercializados de forma ilegal. “Foi uma grande surpresa verificar que os resultados das amostras estudadas correspondiam às espécies protegidas por lei. Nosso foco não era escrever sobre comércio ilegal”, disse o professor de Oceanografia Jorge Nunes, um dos líderes do estudo.

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Os cientistas não mencionam os nomes dos mercados que visitaram para evitar conflitos. “Assim, estimulamos os órgãos públicos a terem proatividade na fiscalização. Além disso, o objetivo é trabalhar na prevenção com a educação ambiental”, explica Nunes.

O projeto científico começou em 2017 e contou com 15 pesquisadores pertencentes a 11 centros de pesquisas localizados nos três estados e também na Austrália. O financiamento para o estudo veio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema).

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Muitas espécies de tubarões são protegidas por leis federais que proíbem sua pesca. São animais que estão a um grau de comprometimento e são ameaçados de extinção.  “Chegam no mercado público já filetados, ou seja, sem partes do corpo. Isso dificulta a identificação por meio das suas características morfológicas”, afirmou Nunes. “Identificamos os tubarões usando o processo de análise de DNA”.

Muitas pessoas não conhecem as leis ambientais que protegem algumas espécies, como é o caso das relacionadas aos tubarões. Esse desconhecimento é causado pela falta de campanhas de educação ambiental. As leis são criadas, mas as pessoas ligadas diretamente ao extrativismo não as conhecem

Jorge Nunes
Pesquisador e professor de Oceanografia da UFMA

Esse método começa com a coleta de um tecido do organismo alvo da análise. Os pesquisadores usam o tecido muscular (carne vendida nos mercados), que é conservado em solução de álcool até à fase da extração do DNA. “Por fim, as sequências são comparadas com outras de espécies já identificadas de um banco genético, para verificação das coincidências e finalizar a análise com a definição da espécie a qual o fragmento analisado pertence”, detalha o pesquisador.

A Lei nº10.683, de 28 de maio de 2003, assinada pela então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reconheceu uma lista com mais de 400 tipos de peixes em extinção, classificando como ilegal a pesca das espécies em perigo. Alguns tubarões que estão na lista de ameaçados são os Cação-quati, Trisqueira, Tubarão de Pala, Peixe Martelo, Tubarão Mrtelo-Panã, entre outros.  “O comércio utiliza muitas espécies protegidas por lei. A gente ampliou nossas amostras e nossa conclusão foi configurada em um trabalho de investigação”, acrescentou o Nunes.

Barbatanas dos tubarões retiradas para comercialização: venda ilegal (Foto: Arquivo Pessoal Jorge NUnes)
Barbatanas dos tubarões retiradas para comercialização: venda ilegal (Foto: Arquivo Pessoal Jorge NUnes)

O professor ressaltou a importância da sociedade no processo de extinção dos animais. “Na minha opinião, muitas pessoas não conhecem as leis ambientais que protegem algumas espécies, como é o caso das relacionadas aos tubarões. Esse desconhecimento é causado pela falta de campanhas de educação ambiental”, declarou. “As leis são criadas, mas as pessoas ligadas diretamente ao extrativismo não as conhecem”.

73/100 A série #100diasdebalbúrdiafederal pretende mostrar, durante esse período, a importância  das instituições federais e de sua produção acadêmica para o desenvolvimento do Brasil

 

 


Escrito por Carolina Moura

Jornalista com interesse em Direitos Humanos, Segurança Pública e Cultura. Já passou pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Jornal O DIA e TV Bandeirantes. Como freelancer já colaborou com reportagens para Folha de São Paulo, Al Jazeera, Ponte Jornalismo, Agência Pública e The Intercept Brasil.

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