Mundo tem o 2º mês de julho mais quente da história

Em Bagdá, no Iraque, homens se refrescam em chuveiro instalado na rua para enfrentar temperatura que passou dos 50 graus em julho: segunda maior temperatura no mês de julho na história (Foto: Ahmad Al-Rubaye/AFP)

Semestre de extremos teve seca no Paraná, degelo no Ártico e incêndios na Argentina; temporada de furacões no Atlântico começa batendo recordes

Por Observatório do Clima | ODS 13ODS 15 • Publicada em 14 de agosto de 2020 - 21:13 • Atualizada em 19 de agosto de 2020 - 08:53

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Em Bagdá, no Iraque, homens se refrescam em chuveiro instalado na rua para enfrentar temperatura que passou dos 50 graus em julho: segunda maior temperatura no mês de julho na história (Foto: Ahmad Al-Rubaye/AFP)

O mês de julho de 2020 foi o segundo julho mais quente da história, no segundo período de sete meses mais quente da história, após a década mais quente da história. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (14) pela Noaa (Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA) para mostrar a todos os viajantes espaciais que tenham descido agora na Terra que a mudança climática segue impassível. Segundo o boletim mensal da Noaa, o mês de julho teve temperatura 0,92 graus Celsius mais alta do que a média do século 20. Ficou atrás apenas de julho de 2019, e mesmo assim por pouco: 0,01ºC a menos. No Hemisfério Norte, foi o julho mais quente de todos os tempos, com temperaturas 1,18ºC mais altas que a média do século 20.

Este é o 44º mês de julho e o 427º mês seguido desde o início dos registros, em 1800, com temperaturas maiores que a média do século. Em 2020, até aqui (janeiro a julho), segundo a Noaa, as temperaturas no globo ficaram 1,05º Celsius acima da média do século 20, perdendo apenas para 2016, e também por pouco: 0,04ºC. A permanecer a tendência, 2020 será o segundo ano mais quente de todos os tempos.Nos próximos dias, a Nasa também informará os dados de julho. Como a agência espacial considera o Ártico em suas medições, algo que a Noaa não faz, é possível que o resultado seja ainda mais expressivo, já que a zona polar é a região que aquece mais rápido no mundo.

O ano até aqui tem registrado tantos extremos climáticos que alguns até escapam da memória. A Noaa postou em seu boletim uma foto das Cataratas do Iguaçu, que neste ano ficaram quase sem água após uma estiagem recorde no Paraná; para ficar só na região do Prata, as temperaturas ali ficaram acima da média e a Argentina, o Rio Grande do Sul, o Uruguai e Santa Catarina tiveram uma alta expressiva no número de queimadas.

O gelo marinho no Ártico atingiu sua menor extensão para julho desde que começaram as medições com satélites, em 1979: – 23% abaixo da média 1991-2010; corais sofreram epidemias de branqueamento na Austrália e no Nordeste do Brasil; e partes da Austrália tiveram o maior déficit de chuvas da história. E vem mais por aí: na semana passada, a mesma Noaa afirmou que a temporada de furacões do Atlântico, que está começando, deve ser “extremamente ativa”. Até o começo de agosto, nove tempestades tropicais foram fortes o bastante para receber nome próprio. A média para o período é de duas tempestades batizadas até a primeira semana de agosto. A previsão é que haja, até novembro, de 7 a 11 furacões – de três a seis podem ser grandes furacões, com ventos acima de 178 km/h.

Névoa de água para refrescar pedestres em Tóquio: capital japonesa sofre com onda de calor e temperaturas perto dos 40 graus (Foto: Mitsuru Tamura/The Yomiuri Shimbun/AFP)
Névoa de água para refrescar pedestres em Tóquio: capital japonesa sofre com onda de calor e temperaturas perto dos 40 graus (Foto: Mitsuru Tamura/The Yomiuri Shimbun/AFP)

Calor extremo por toda parte

As altas de temperatura mais impressionais – de pelo menos + 2,0° C) foram registradas em todo o Oceano Pacífico Norte, no sudoeste e nordeste dos EUA, no leste do Canadá e em partes do oeste da Ásia e leste da Antártica. As temperaturas altas recordes de julho se espalharam pelo Oceano Índico Norte, sudeste da Ásia e oeste do Oceano Pacífico. Outras áreas com temperaturas altas recordes em julho foram registradas em partes do Mar do Caribe, norte da América do Sul, América do Norte e Norte do Oceano Pacífico. As temperaturas mais frias que a média em julho foram limitadas a pequenas porções do norte da América do Norte, norte do Oceano Atlântico, Escandinávia, leste da China, sul da América do Sul e leste do Oceano Pacífico tropical. No entanto, nenhuma área terrestre ou oceânica teve uma temperatura recorde de frio em julho.

A extensão do gelo do mar Ártico para julho de 2020 foi a menor extensão de julho no registro de 42 anos: 846 mil milhas quadradas, 23,1% abaixo da média de 1981-2010, de acordo com a análise do National Snow and Ice Data Center (NSIDC) usando dados da NOAA e NASA. A extensão do gelo marinho ártico de julho de 2020 foi menor do que o recorde anterior estabelecido em 2019 em 120 mil milhas quadradas, o que é equivalente ao tamanho do Vietnã. As 10 menores extensões de gelo marinho do Ártico em julho ocorreram desde 2007. A extensão do gelo marinho da Antártica durante julho de 2020 foi de 120 mil milhas quadradas, ou 1,9%, abaixo da média de 1981-2010 e a extensão de julho a nona menor já registrada. Julho de 2020 marcou o quarto julho consecutivo com extensão do gelo marinho da Antártica abaixo da média.

Os dados da NOAA para os primeiros sete meses de 2020 também mostram temperaturas recordes. A temperatura global na parte terrestre e também na superfície dos oceanos, de janeiro a julho, foi mais alta do que a média em grande parte do globo. As variações mais notáveis de temperatura quente de janeiro a julho foram observadas em grande parte do norte da Ásia, onde as temperaturas estavam 2,0° C acima da média ou mais. Enquanto isso, as variações mais notáveis de temperaturas baixas – de -1,0° C – ou mais baixas ocorreram no Alasca, em partes do oeste do Canadá e no norte da Índia.

A agência dos Estados Unidos aponta ainda que temperaturas quentes recordes, de janeiro a julho, foram registradas em grande parte do norte da Ásia, bem como em partes da Europa, China, México, norte da América do Sul e no Atlântico, norte da Índia e oceanos Pacífico. Nenhuma área terrestre ou oceânica registrou temperaturas mais frias – abaixo da média – de janeiro a julho. Europa, Ásia, Golfo do México e região do Caribe tiveram, em 2020, sua variação de temperatura mais quente de janeiro a julho, enquanto a América do Sul e a África tiveram uma temperatura no período que ficou entre as quatro mais quentes já registradas.

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