Viradouro é campeã com enredo homenageando seu mestre de bateria, as escolas e o samba

Às vésperas de completar 70 anos, Mestre Ciça recebe consagração com a conquista de mais um título do Carnaval do Rio de Janeiro

Por #Colabora | ODS 11
Publicada em 18 de fevereiro de 2026 - 18:30  -  Atualizada em 18 de fevereiro de 2026 - 19:23
Tempo de leitura: 9 min

Ciça com sua bateria e a rainha Juliana Paes em cima de um carro alegórico: Viradouro foi campeã do Carnaval do Rio com enredo em homenagem ao mestre de bateria, ao samba e às escolas (Foto: Alexandre Macieira / Riotur)

A Unidos do Viradouro conquistou o título de campeã do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro de 2026, com o enredo – “Para cima, Ciça” – que homenageava Mestre Cica, seu próprio mestre de bateria, as escolas de samba e o samba em geral. A escola de samba atravessou a Passarela do Samba da Marquês de Sapucaí na segunda noite de desfiles, deixando o público de pé e gritando “é campeã” com sua performance marcante, num desfile dominado por enredos biográficos. Este é o quarto título da Viradouro, escola de Niterói que também foi campeã do Carnaval em 1997, 2020 e 2024.

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Ciça – Moacyr da Silva Pinto no registro civil – vai completar 70 anos em julho e é o mais longevo mestre de bateria em atividade. “Eu sou um enredo vivo. É uma honra ter sidoo homenageado e estar ao mesmo tempo sendo julgado no desfile. Uma coisa inédita em vida:estou vivendo um momento único. É tudo muito emocionante”, disse Mestre Ciça logo após a conquista do título. “Esse é o carnaval do sambista. Ganhou o samba, ganhou o sambista”, acrescentou o homenageado.

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Além da Viradouro, Ciça já regeu as baterias da Unidos da Tijuca, Grande Rio, União da Ilha e Estácio de Sá, onde começou em 1988 – toda a sua trajetória foi lembrada no desfile campeão da Viradouro, que homenageou também as outras escolas de samba. Reconhecido pelas bem ensaiadas paradinhas das baterias, o mestre liderou a percussão em dois dos três carnavais vencidos pela Viradouro (2020 e 2024) e em um desfile ganho pela Estácio de Sá (1992).

A trajetória de Mestre Ciça foi desenvolvida pelo enredo em 23 alas pelos cerca de 3,5 mil componentes da Viradouro que cantaram com força o refrão do samba-enredo. “Se eu for morrer de amor, que seja no samba/ Sou Viradouro, onde a arte o consagrou/ Não esperamos a saudade pra cantar/ Do mestre dos mestres, herdei o tambor”. O samba-enredo “Pra cima, Ciça!” foi assinado por 12 compositores.

A Viradouro gabaritou todos os quesitos e fechou a apuração com 270 pontos nas notas válidas — a escola levou um 9,9 em Fantasias e um 9,9 em Samba-enredo, ambos descartados. O desfile foi cheio de surpresas, emocionando o público e sobretudo os componentes — muitos ritmistas cruzaram a Passarela do Samba às lágrimas.

Mestre Ciça nos braços da Comissão de Frente da Viradouro: desfile cheio de surpresas (Foto: Tata Barreto / Riotur)
Mestre Ciça nos braços da Comissão de Frente da Viradouro: desfile cheio de surpresas (Foto: Tata Barreto / Riotur)

Surpresas da Viradouro com Mestre Ciça

O inesperado veio já na comissão de frente, quando o próprio Ciça surgiu na encenação para contar como o pequeno Moacyr — vivido pelo menino Vitor Gabriel — entrou para o samba. O ato começa com o garoto rodeado por malandros e recebendo a visita de um leão, representando a Estácio de Sá, primeira escola por onde passou Mestre Ciça, que começou como passista. No meio dessa apresentação, por trás do tripé, uma se misturou ao corpo de baile e, por trás da roupa igual às dos dançarinos, estava Ciça.

O mestre, na sequência, subiu o tripé da comissão de frente, um grande apito estilizado que se transformou nos arcos da Apoteose. Quando a comissão de frente chegou ao fim da pista, uma equipe aguardava o homenageado com uma cadeira de rodas, que o levou para fora do Sambódromo, onde uma moto, cercada de batedores, estava pronto para conduzi-lo à concentração para assumir seu posto à frente da bateria da Viradouro.

Na avenida, uma alegoria reuniu integrantes de outras escolas, incluindo vários mestres de bateria do Grupo Especial e da Série Ouro e o casal de mestre-sala e porta-bandeira Claudinho e Selminha — que haviam acabado de sair pela Beija-Flor. Outro destaque foi o carnavalesco Paulo Barros, que cruzou a Sapucaí aos prantos.

O desfile também contou com o retorno da atriz Juliana Paes como rainha de bateria, após 18 anos de sua última participação, conduzindo os ritmistas da Vermelha e Branca. A outra surpresa foi uma referência ao desfile de 2007, quando a bateria subiu em um carro alegórico. Os ritmistas recriaram a imagem histórica: de novo, a bateria da Viradouro encerrou o desfile como alegoria com Mestre Ciça à frente e Juliana a seu lado. A Viradouro também ganhou o Estandarte de Ouro, tradicional prêmio organizado pelo jornal O Globo desde a década de 1970, de Melhor Escola de Samba do Grupo Especial

Após a apuração, a Beija-Flor de Nilópolis ficou com o vice-campeonato, com 269,9 pontos, a 0,1 ponto da Viradouro. A Vila Isabel também somou 269,9 pontos, mas terminou em 3º no critério de desempate, o quesito Harmonia. Também voltam no Sábado das Campeãs (21) o Salgueiro (4ª, com 269,7), a Imperatriz (5ª, com 269,4) e a Mangueira (6ª, com 269,2). Última colocada, a Acadêmicos de Niterói (264,6), que homenageou o presidente Lula no enredo, foi rebaixada para a Série Ouro.

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