Manter meninas na escola pode aumentar o PIB de países pobres

Escola para meninas na Índia: pesquisa aponta que, se todas as adolescentes completarem o ensino médio, PIB de países pobres e emergentes podem subir 10% (Foto: Imtiyaz Khan / Anadolu Agency/AFP)

Estudo aponta para crescimento médio de 10% caso todas as adolescentes, mais afetadas pela evasão escolar, concluíssem o ensino médio

Por José Eduardo Mendonça | ODS 1ODS 5 • Publicada em 2 de novembro de 2020 - 09:25 • Atualizada em 5 de novembro de 2020 - 12:33

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Escola para meninas na Índia: pesquisa aponta que, se todas as adolescentes completarem o ensino médio, PIB de países pobres e emergentes podem subir 10% (Foto: Imtiyaz Khan / Anadolu Agency/AFP)

Manter meninas na escola até completarem o ensino secundário pode ajudar as economias de países pobres. Isto faria o PIB destas nações crescer dez por cento na média na próxima década. Os dados são de um estudo conjunto da organização Plan International e da empresa de serviços financeiros Citi´s Global Insight.

Cada dólar gasto com direitos e educação das garotas resultaria em 2,8 dólares, o equivalente a bilhões extras em PIBs. “O plano de recuperação da COVID-19 que priorize o investimento em educação e bem-estar das jovens irá ajudar as economias em um quadro geral de depressão”, diz Anne-Birgitte Albrectsen, principal executiva do Plan International.

Cerca de 130 milhões de jovens em todo o mundo já estavam fora da escola antes da chegada da pandemia, de acordo com a Unesco, braço para a educação das Nações Unidas, segundo a qual outras onze milhões podem não retornar às aulas depois da pandemia. Garotas provavelmente são mais propensas a abandonar o ensino, com famílias investindo mais nos homens do que nelas. Violência, pobreza e casamentos prematuros também impactam o acesso a escolas.

O novo relatório, baseado em um estudo de oito países pobres e em mercados emergentes como Egito, Uganda, Bolívia e Laos pede uma abordagem “holística” com medidas que reforcem educação, saúde e a prevenção da violência. Alguns países de baixa renda têm condições de lutar para assegurar que todas as garotas completem sua educação dentro da próxima década, afirma o estudo.

O trabalho nota que o objetivo está incluído em metas ambiciosas de desenvolvimento aprovadas por líderes mundiais em 2015, e que incentivar a inclusão feminina pode aumentar o bem-estar e a prosperidade em toda a sociedade. “A erradicação das barreiras para a educação e o desenvolvimento  das jovens é uma chave para se alcançar muitas das Metas de Sustentabilidade da ONU”, diz Andrew Pitt, chefe de pesquisa global do Citi´s.

Meninas fazem fila para entrar em escola na Nigéria: evasão escolar é maior entre as estudantes do sexo feminino (Foto: Olukayode Jaiyeola / NurPhoto / AFP
Meninas fazem fila para entrar em escola na Nigéria: evasão escolar é maior entre as estudantes do sexo feminino (Foto: Olukayode Jaiyeola / NurPhoto / AFP)

O estudo foi bem recebido pelo grupo de igualdade das mulheres Equality Now, segundo o qual são necessárias mais ações para enfrentar barreiras à educação. “A obtenção de educação formal completa é crítica para o sucesso econômico, social e político dos adultos”, diz Alexandra Ptasalides, líder do grupo. “Quando as jovens perdem estas oportunidades, isso leva a uma geração de mulheres impactadas negativamente”.

No longo prazo, as medidas favoráveis têm repercussões muito mais amplas devido a um efeito cascata em famílias e comunidades locais. O Citi’s decobriu que o investimento de U$ 1.53  por dia para cada jovem pode fazer diferença significativa.

Os benefícios da maior igualdade para as mulheres são bem conhecidos, mas o papel das adolescentes é muitas vezes subestimado. Parte disso se deve ao precário levantamento de dados, e quando são coletados, dizem respeito a um setor específico, como os impactos do investimento apenas em educação, ou apenas em saúde.

O Citi´s acredita que vários fatores estão interconectados e não podem ser enfrentados um separado dos outros. Há necessidade de cooperação entre governos, ONGs, setor privado e instituições filantrópicas.

“Se os envolvidos operam em casulos, a mudança vai acontecer – mas um custo maior, com menor impacto e a um prazo mais longo. Não há tempo a perder”, afirma a organização. “O investimento nas jovens deveria ser priorizado em todas as economias, não só porque é a única coisa a fazer, mas também porque traz retornos sem paralelos na sociedade por gerações”.

“Os benefícios econômicos não podem ser obtidos por um gesto de mágica. Leva tempo para se conseguir que muitas jovens educadas saiam das escolas e ingressem na força de trabalho. Isto significa intervenções sustentadas e investimentos necessários agora”.

José Eduardo Mendonça

É jornalista, com passagens por publicações como Exame, Gazeta Mercantil, Folha de São Paulo, e criador da revista Bizz e do suplemento Folha Informática. Vem nos últimos anos se dedicando aos temas ligados à sustentabilidade e foi pioneiro ao fazer, para o Jornal da Tarde, em 1976, uma série de matérias sobre energia limpa.

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