Com pandemia, fome no mundo aumenta em 40% e atinge mais de 800 milhões

Criança, no colo da mãe, examinada por desnutrição em hospital do Sudão do Sul: fome atinge 800 milhões de pessoas (Foto: Unicef/Divulgação)

Relatório de agências da ONU aponta que 75 milhões de crianças de menos de cinco anos tiveram seu crescimento prejudicado por déficit alimentar

Por José Eduardo Mendonça | ODS 1ODS 2 • Publicada em 19 de julho de 2021 - 09:04 • Atualizada em 23 de julho de 2021 - 11:43

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Criança, no colo da mãe, examinada por desnutrição em hospital do Sudão do Sul: fome atinge 800 milhões de pessoas (Foto: Unicef/Divulgação)

A insegurança alimentar aguda aumentou 40% este ano no mundo, com a alta recente dos preços dos alimentos, exacerbada por pressões existentes de conflitos, mudanças climáticas e a pandemia da Covid-19, revelou, em relatório recente sobre a fome, o Programa Mundial de Alimentos da ONU (Organização das Nações Unidas).

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Essa fome crônica é o resultado da pobreza, desigualdade, conflitos, má governança e a marginalização dos mais vulneráveis, além de estratégias de investimento inadequadas. Em 2020, cerca de 800 milhões de pessoas no mundo enfrentaram a fome, ou seja, 118 milhões de pessoas a mais do que em 2010.

Os países da África continuaram desproporcionalmente afetados; e conflitos levaram quase 100 milhões de pessoas à insegurança alimentar aguda, seguida por choques econômicos (40 milhões) e eventos extremos do tempo (16 milhões).

Uma rede que inclui o Programa Alimentar da ONU revelou que os países mais afetados são Burkina Faso, Sudão do Sul e Iemen.

Nestes países, cerca de 133 mil pessoas estão no chamado IPC-5, o maior nível de necessidade, e requerem ação imediata para evitar a disseminação da morte e o colapso da sobrevivência, afirma a rede,

Os autores do relatório – mais a União Europeia, assim como agências governamentais e não governamentais – também apontaram que 39 países e territórios passaram por crises alimentares nos últimos cinco anos
.
Naqueles países e territórios, a população atingida pela insegurança alimentar aguda aumentou de 94 milhões para 147 milhões entre 2016 e 2020.

O trabalho acrescenta que, nestes locais, mais de 75 milhões de crianças de menos de cinco anos tiveram seu crescimento prejudicado e 15 milhões mostravam sinais de má nutrição crônica.

A pandemia da Covid-19 revelou a fragilidade do sistema mundial de alimentos e a necessidade de sistemas mais equilibrados para nutrir com consistência 8.5 bilhões de pessoas por ano até 2030.

Crianças e adolescentes em fila para receber comida em Johannesburgo, África do Sul: pandemia aumento em 40% número de pessoas em insegurança alimentar aguda (Foto: Michele Spatari / AFP - 26/02/2021)
Crianças e adolescentes em fila para receber comida em Johannesburgo, África do Sul: pandemia aumento em 40% número de pessoas em insegurança alimentar aguda (Foto: Michele Spatari / AFP – 26/02/2021)

Em março de 2021 o diretor-geral da ONU, Antonio Guterres, estabeleceu uma força-tarefa contra a fome, dirigida pelo chefe de emergência da ONU, Mark Lowlock, Participam a FAO (Organização das Nações Unidas Para Alimentação e Agricultura), o Programa Mundial de Alimentos e organizações não governamentais parceiras. A força tarefa pretende trazer uma ação coordenada para a prevenção da fome e mobilização de apoio aos países mais afetados.

“A fome continua profundamente arraigada e está aumentando na maior parte do mundo”, disse Guterrez no lançamento do relatório Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo, acrescentando que vai convocar uma Cúpula de Sistemas Alimentares no próximo ano.

Alguns dados do relatório da ONU sobre a fome no mundo:

11.35% da população mundial passa fome. Isto significa 805 milhões de pessoas subnutridas diariamente, consumindo menos das 2100 calorias recomendadas por dia.

O mundo produz o bastante para alimentar 7 bilhões de pessoas, mas aquelas que passam fome ou não têm terra para cultivar ou dinheiro para comprá-la. Além disso, os sistemas de distribuição e transporte são muito precários.

Dez países que tiveram grande sucesso em reduzir o número total de pessoas com fome em relação à sua população são Armênia, Azerbaijão, Brasil (que com o governo atual saiu da lista), Cuba, Georgia, Gana, Kuwait, San Vicente e Granadines, Tailândia e Venezuela.

A pobreza é a principal causa da fome. Ela inclui falta de recursos, uma distribuição extremamente desigual de renda, conflitos e a própria fome.

Em 2010, cerca de 7.6 milhões de crianças morreram antes dos cinco anos de idade –  e pelo menos metade das mortes ocorreram por má nutrição.

Cerca de 93% da fome mundial existe em países subdesenvolvidos.

A fome existe em todo o mundo, mas 526 milhões das pessoas com fome vivem na Ásia.

Mulheres são deficientes em nutrientes básicos, como ferro, morrendo por hemorragia durante o parto, o que mata 315 mil delas por ano por razões como esta.

José Eduardo Mendonça

Jornalista com passagens por publicações como Exame, Gazeta Mercantil, Folha de S. Paulo. Criador da revista Bizz e do suplemento Folha Informática. Foi pioneiro ao fazer, para o Jornal da Tarde, em 1976, uma série de reportagens sobre energia limpa. Nos últimos anos vem se dedicando aos temas ligados à sustentabilidade.

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