Carioca, o que você faz pelo Rio?

Ignorar os problemas da cidade é o mesmo que apoiá-los

Por Marcos Pinheiro | artigo ods1 ods15 vida-sustentavel • Publicada em 27 de janeiro de 2016 - 08:00 • Atualizada em 2 de setembro de 2017 - 23:51

Imagem do Rio que mistura símbolos da cidade com omunidades carentes
Imagem do Rio que mistura símbolos da cidade com omunidades carentes
Imagem do Rio que mistura símbolos turísticos da cidade com comunidades carentes

O ano que começa reserva grandes desafios para o Rio de Janeiro. Não bastando a crise econômica e política do país, os cariocas sentiram em 2015 um aumento da violência que relembrou a década de 90. Mesmo com os números oficiais apontando a queda dos homicídios, o aumento dos pequenos crimes e a crise das UPPs elevou a sensação de insegurança.

Este momento de crise multifacetada é uma excelente oportunidade para a população refletir sobre seu papel na vida pública. Já é hora de a sociedade civil carioca entender que, enquanto ela não assumir o protagonismo da cidade, essa realidade vai continuar. Reclamar dos governantes não mudará nada. Já é difícil que um só governo dê conta de uma cidade de 7 milhões de habitantes, quanto mais uma metrópole com desafios tão grandes quanto o Rio de Janeiro.

Não devemos jogar no governo nossas frustrações. Isso não vai melhorar nada. O governo será, com boa sorte, um agente para ajudar a transformar.

Quem tem o poder de mudar o Rio são os cariocas. A maioria de nós dispõe de algum recurso que pode colocar à disposição de uma causa. Pode ser dinheiro, tempo, energia ou, provavelmente, os três. Mas quantos colocam? Quantos doam/se doam consistentemente a uma causa. Infelizmente, somos uma sociedade de reclamadores que joga no governo suas frustrações

Há inúmeros projetos sociais maravilhosos que, apesar de enfrentarem corajosamente problemas que incomodam a todos, são obrigados a lutar diariamente para sobreviver. Precisam lutar por espaço, por dinheiro, por voluntários, enfim, por tudo. Cadê, nesses casos, a ajuda da sociedade que se diz tão revoltada?

Conheço, por exemplo, um projeto que atua na capacitação profissional de ex-detentos para reinseri-los socialmente. Poucas pessoas sabem, mas 80% das pessoas que saem da prisão voltam a cometer crimes. 80%! O Banco da Providência tem uma metodologia que capacita profissionalmente os egressos e os coloca no mercado de trabalho. O índice de reincidência, neste caso, é de 5%. Incrível, não? Ainda mais numa sociedade que reclama diariamente da violência. Porém, mesmo com um trabalho reconhecido, eles têm dificuldades de conseguir fechar as contas no fim do mês. Cadê a sociedade engajada nesse caso?

Há um outro projeto, o RUAS, que busca incitar moradores de rua a terem iniciativa para mudarem suas próprias vidas. Um trabalho também fundamental, se considerarmos a amplitude que este problema tem tomado nos últimos anos. E, adivinha… não consegue recursos para pagar seus gestores, mesmo sendo os salários bem abaixo do mercado.

A crise está aí, atinge a todos e exige dedicação para ser superada. A solução não virá, como mágica, do governo. Escolha uma causa, busque projetos que lidem com ela, disponha os recursos que tem em mãos (não seja econômico). Em uma cidade com tantos problemas sociais não se envolver com eles é quase o mesmo que apoiá-los.

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Marcos Pinheiro

Formado em Jornalismo pela PUC-Rio em 2008, Marcos trabalhou com empreendedorismo desde a época da faculdade até 2013, quando passou a se dedicar exclusivamente ao terceiro setor. Atualmente também é coordenador da ONG PECEP, na qual trabalha voluntariamente há 11 anos. No Instituto Phi, assessora investidores na definição das causas a serem apoiadas, na escolha das organizações e projetos e no monitoramento dos resultados de impacto social.

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