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Intolerância, a palavra da moda

Em debate na Livraria da Travessa, filósofa e psicanalista discutem por que o brasileiro está mais intolerante


Grupos protestam na Avenida Paulista, em São Paulo, contra a intolerância religiosa. Foto Gabriel Soares/Brazil Photo Press
Grupos protestam na Avenida Paulista, em São Paulo, contra a intolerância religiosa. Foto Gabriel Soares/Brazil Photo Press

“Todo o ser humano é um estranho ímpar”, sintetizou o poeta Carlos Drummond de Andrade, ao complementar que “ninguém é igual a ninguém”. A tolerância, que estava subjacente ao poema, deu lugar, nos dias de hoje, à intolerância – tendo virado a palavra da moda e se transformado num preconceito latente no Brasil. Argumentos e pontos de vistas divergentes suscitam reações extremas, que vão da desqualificação de quem as defende à agressão física.

A tolerância se tornou, a partir dos anos 1980, um termo chave no chamado multiculturalismo

Carla Rodrigues
Filósofa e professora do IFCS

A constatação de que o Brasil vem se tornando um país cada vez mais intolerante levou o #Colabora a escolher o tema para inaugurar uma parceria com a Livraria da Travessa. No próximo dia 24, ocorrerá a primeira mesa-redonda do projeto Colabora Com Ideias.  O tema será “Brasil, um país intolerante”. Os encontros, com temas da atualidade, serão mensais e vão ocorrer ora na Travessa do Leblon, ora na livraria de Botafogo. Os debates serão gratuitos, mas sujeitos à lotação do espaço – a inscrição pode ser feita através do site do #Colabora.

Carla Rodrigues e Benilton Bezerra Jr., convidados do #Colabora para a mesa-redonda "Brasil, um país intolerante"
A filósofa Carla Rodrigues e o psicanalista Benilton Bezerra Jr., convidados do #Colabora para a mesa-redonda “Brasil, um país intolerante”. Fotos de Divulgação

Para falar sobre “Brasil, um país intolerante” foram convidados a filósofa e jornalista Carla Rodrigues, professora do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS/ UFRJ), e o psiquiatra e psicanalista Benilton Bezerra Jr, professor da Escola de Medicina da Uerj. A mediação será feita pelo jornalista Agostinho Vieira, do #Colabora.

O acirramento da intolerância implica explorar pelo menos dois caminhos – que se prestam menos a encontrar respostas definitivas sobre o problema do que a reorganizar as perguntas em torno da questão

Benilton Bezerra Jr.
Psicanalista e professor da UERJ

Para Carla, a tolerância se tornou, a partir dos anos 1980, um termo chave no chamado multiculturalismo, enquanto para Benilton, pensar sobre o inegável acirramento da intolerância, implica explorar, pelo menos, dois caminhos – que se prestam menos a encontrar respostas definitivas sobre o problema do que a reorganizar as perguntas em torno da questão. Já Agostinho Vieira lembra que ser tolerante ou praticar a tolerância não é, necessariamente, uma ação boa, saudável: “Pode ser um pouco mais complexo do que isso. Muitas vezes, o tolerante não aceita, entende e respeita o outro. Ele apenas tolera, deixa pra lá, finge que não vê. Por trás da tolerante pele de cordeiro pode se esconder um enorme e intolerante lobo”. Como vocês veem, teremos uma boa discussão.


Um Comentário

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  1. Nosso pote de tolerância encheu. O transbordo pode ser a manifestação de indignação individual ou coletiva para não partir para a violência física que pode acontecer em algum caso. A intolerância é maior pela nossa incredulidade nas organizações e nas pessoas a quem confiamos cuidar da nossa governança enquanto trabalhamos.

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